Programas da ONU avaliam estigma associado ao HIV no Brasil

Pela primeira vez, o Brasil fará parte de uma pesquisa da ONU para avaliar o estigma associado ao vírus da AIDS. Programas das Nações Unidas começaram neste mês (15) a aplicar questionários do Índice de Estigma em Relação às Pessoas Vivendo com HIV, uma metodologia já utilizada em mais de cem países. Até o fim de maio, mais de 2 mil brasileiros soropositivos terão sido entrevistados no Rio de Janeiro, São Paulo, Salvador, Recife, Porto Alegre, Manaus e Brasília.

Neste Dia Mundial contra a AIDS, programa da ONU destaca a importância do direito à saúde e os desafios que as pessoas vivendo com HIV enfrentam no exercício deste direito. Foto: Imprensa MG/Adair Gomes

Foto: Imprensa MG/Adair Gomes

Pela primeira vez, o Brasil fará parte de uma pesquisa da ONU para avaliar o estigma associado ao vírus da AIDS. Programas das Nações Unidas começaram neste mês (15) a aplicar questionários do Índice de Estigma em Relação às Pessoas Vivendo com HIV, uma metodologia já utilizada em mais de cem países. Até o fim de maio, mais de 2 mil brasileiros soropositivos terão sido entrevistados no Rio de Janeiro, São Paulo, Salvador, Recife, Porto Alegre, Manaus e Brasília.

A pesquisa é fruto de uma parceria entre o Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (UNAIDS) e o Programa da ONU para o Desenvolvimento (PNUD).

O levantamento é realizado por cerca de 60 voluntários, que foram treinados entre novembro de 2018 e fevereiro de 2019, em parceria com a ONG Gestos Soropositividade, Comunicação e Gênero. Esse time recebeu orientações sobre como aplicar o questionário entre pares.

O objetivo do Índice é identificar informações relevantes sobre a discriminação vivida por pessoas com HIV no Brasil. Hoje a população brasileira soropositiva é estimada em quase 900 mil indivíduos. A análise dos programas da ONU permitirá não apenas entender o impacto do estigma sobre essas pessoas, mas também oferecer subsídios para a construção de políticas públicas sobre HIV e AIDS.

Desde a criação do Índice, em 2008, a metodologia foi aplicada em mais de cem países e contou com a participação de mais de 100 mil pessoas. Esta será a primeira vez em que o Brasil terá o seu próprio indicador. A pesquisa faz parte do Plano Conjunto sobre HIV e AIDS das Nações Unidas 2018-2019.

Participam do questionário pessoas vivendo com HIV que tenham mais de 18 anos e que morem na região metropolitana de uma das sete cidades escolhidas em cada região do país. A adaptação do levantamento para o Brasil passou pela avaliação do Comitê de Ética em Pesquisa da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS). A iniciativa segue todos os preceitos de sigilo e suporte aos participantes, como comumente adotados para pesquisas do tipo.

A compilação das respostas e a produção de um banco de dados está a cargo da PUC-RS. A publicação das primeiras análises está prevista para o segundo semestre de 2019.

O Índice é implementado no Brasil com apoio do Movimento Nacional das Cidadãs Posithivas, da Rede Nacional de Adolescentes de Jovens Vivendo com HIV/AIDS, da RNP+ Brasil e da Rede Nacional de Mulheres Travestis e Transexuais e Homens Trans Vivendo e Convivendo com HIV/AIDS.