Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento apoia ações de saúde em Santa Maria

Projeto de cooperação entre PNUD e Ministério da Saúde reforça o trabalho da Rede HumanizaSUS no atendimento a vítimas e familiares de vítimas da tragédia no Rio Grande do Sul.

Grupo de voluntários no trabalho de acolhimento e assistência às pessoas enlutadas com o incêndio da boate Kiss. Foto: Prefeitura de Santa Maria/João Alvez.

Começou a funcionar esta semana, em Santa Maria (RS), o Centro Integrado de Atendimento às Vítimas de Acidentes (CIAVA), uma iniciativa do Hospital Universitário de Santa Maria (HUSM). Com estrutura própria, o Centro substituirá o Comitê de Crise e será coordenado pela Secretaria Municipal de Saúde do município. Integrantes e parceiros locais da Rede HumanizaSUS permanecerão no atendimento às vítimas e familiares.

Desde o início das operações de socorro, profissionais com experiência em situações de crise e pós-crise têm atuado por meio de rodízio. “Os relatos dos sobreviventes são atravessados por uma dor inenarrável, pois impactados pelo inesperado, sofrem pelos amigos que morreram e se culpam pelos que não conseguiram sair”, relata Stella Maris Chebli, integrante da Rede HumanizaSUS. Durante nove dias, ela apoiou os trabalhos de atendimento às vítimas e suas famílias.

O programa HumanizaSUS tem como objetivo ampliar, incentivar e divulgar a Política Nacional de Humanização (PNH). A Rede HumanizaSUS desempenha o papel de rede social e colaborativa que conta com apoio de um projeto de cooperação entre o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e o Ministério da Saúde. Com mais de 12 mil usuários cadastrados, participam da rede profissionais, voluntários e usuários do SUS.

O CIAVA funcionará, pelo período mínimo de um ano, em duas frentes: o Núcleo de Acolhimento, responsável pelo contato inicial com os familiares dos mortos no incêndio da boate Kiss – ocorrido no dia 27 de janeiro –, e o Núcleo de Atenção Básica e Redes, responsável pelo monitoramento de pessoas que não foram internadas, mas tiveram contato com a fumaça tóxica, a causa da maioria das mortes.

De acordo com o coordenador da Política Nacional de Humanização Gustavo Nunes, o HumanizaSUS protagonizou a mobilização social durante todo o período de socorro em Santa Maria, utilizando-se de todas as redes sociais e disponibilizando informações estratégicas para o enfrentamento da crise em tempo real. Nesse período, o Núcleo de Atenção Psicossocial do Comitê de Crise realizou mais de mil atendimentos.

Segundo Mariella Silva, assessora de comunicação da PNH, a primeira divulgação na Rede abriu espaço para informações importantes sobre as necessidades locais. Uma rede de colaboração virtual foi formada e ficou responsável por diferentes reflexões em torno do momento delicado por que passam as famílias das vitimas.

“A proposta de mobilização da PNH aposta na construção de projetos terapêuticos singulares, a partir da escuta e acolhimento da rede familiar e social das vítimas do incêndio”, escreveu Mariella no blog mantido pela Rede.

Perto de completar um mês, a tragédia no município de Santa Maria já é considerada a de maior número de vítimas dos últimos 50 anos. Ao todo, foram 239 mortes, a maioria universitários. Até o 20 de fevereiro, 35 pessoas ainda estavam internadas nas cidades de Santa Maria e Porto Alegre.

O projeto do PNUD com a PNH, destinado à qualificação das tecnologias e dispositivos da humanização na Rede de Atenção e Gestão do SUS, ocupa hoje uma posição estratégica entre os projetos do governo, pois reúne em seu propósito de humanização todos os níveis de organização do SUS. Por meio de dispositivos como cursos, oficinas, grupos de trabalho, o HumanizaSUS tem possibilitado o desenvolvimento gradativo e a interação permanente entre as secretarias estaduais e municipais de saúde.

Afim de que sejam concluídas em tempo adequado as ações em andamento, o projeto de cooperação que consolida a Política Nacional de Humanização da Atenção e Gestão no SUS teve seu prazo de vigência ampliado, inicialmente até junho de 2013. “Ainda temos muitas possibilidades e necessidades de desenvolvimento institucional da Política Nacional de Humanização”, afirmou o coordenador da PNH.

Saiba mais sobre o funcionamento do CIAVA clicando aqui.

(Com informações da Rede HumanizaSUS)


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