Programa da ONU elogia esforços de Lesoto para verificar estatísticas sobre HIV

Em 2018, foram revisados em Lesoto mais de 180 mil registros clínicos de pessoas diagnosticadas com HIV. O objetivo da análise era verificar quem estava de fato recebendo e aderindo ao tratamento em uma das 120 clínicas e hospitais do país africano.

Lesoto tem uma das maiores taxas de prevalência do HIV no mundo — em 2017, 320 mil cidadãos adultos eram considerados soropositivos, o equivalente a 23,8% da população de 15 a 49 anos. O relato é do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (UNAIDS).

Profissionais verificaram estatísticas sobre tratamento do HIV em Lesoto. Foto: UNAIDS

Profissionais verificaram estatísticas sobre tratamento do HIV em Lesoto. Foto: UNAIDS

Em 2018, foram revisados em Lesoto mais de 180 mil registros clínicos de pessoas diagnosticadas com HIV. O objetivo da análise era verificar quem estava de fato recebendo e aderindo ao tratamento em uma das 120 clínicas e hospitais do país africano. O relato é do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (UNAIDS).

O esforço de verificação das estatísticas de saúde cobriu quase 80% de todos os prontuários de pacientes com HIV no país. Em cinco longas semanas, equipes de até dez pessoas se debruçaram sobre esses dossiês, colando adesivos verdes — para indicar que a pessoa estava ativa no tratamento — ou de outras cores — para especificar que o indivíduo tinha faltado um dia da terapia, sido transferido para outro centro de atendimento ou falecido.

Em cada serviço de saúde, o número de pessoas avaliadas como em tratamento foi comparado com as contagens previamente comunicadas ao Ministério da Saúde de Lesoto e outros parceiros, como o Plano de Emergência do Presidente dos Estados Unidos para o Alívio da AIDS (PEPFAR).

Lesoto tem uma das maiores taxas de prevalência do HIV no mundo — em 2017, 320 mil cidadãos adultos eram considerados soropositivos, o equivalente a 23,8% da população de 15 a 49 anos.

“Juntamente com nossa equipe, analisamos o status de tratamento de mais de 5 mil pessoas na Clínica Senkatana, em Maseru, Lesoto, um dos centros de tratamento mais antigos e movimentados do país. Após dois dias de revisão dos arquivos em papel, encontramos cerca de 30% mais pessoas em tratamento do que a clínica havia informado ao Ministério da Saúde em junho de 2018”, conta a oficial do Ministério, Motselisi Lehloma.

A revisão dos registros médicos identificou uma subnotificação média de 3% para todos os 120 hospitais e centros clínicos visitados. Pequenas lacunas no processo de acompanhamento dos pacientes e de notificação foram discutidas em nível local, mas questões sistemáticas maiores foram encaminhadas à pasta da saúde.

Desde o início de 2017, o UNAIDS e outros parceiros internacionais têm ajudado mais de 15 países, principalmente na África Subsaariana, a checar o número de pessoas com HIV em tratamento. O programa da ONU também oferece suporte aos serviços de saúde para que melhorem a precisão dos dados notificados por meio dos sistemas de informação. A assistência do UNAIDS propõe a revisão dos registros de pacientes e dos processos para coletar e relatar números sobre terapia antirretroviral.

“O exercício de Lesoto em auditar e validar os números de tratamento ressalta seu compromisso em monitorar com precisão o impacto do programa”, avalia Kim Marsh, assessor sênior de Epidemiologia e Monitoramento do UNAIDS.

Iniciativas como a do país africano e de outras nações da região permitem chegar a estimativas confiáveis sobre a epidemia de HIV, facilitando o monitoramento das metas 90–90–90 da ONU. Esses objetivos preveem que, até 2020, 90% das pessoas vivendo com HIV estarão cientes de seu estado sorológico positivo, 90% desses indivíduos estarão sob tratamento e 90% dos que estiverem acessando a terapia estarão com a carga viral indetectável.


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