Programa da ONU é premiado no Brasil por esforços globais contra AIDS e discriminação

Pelo segundo ano consecutivo, o Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (UNAIDS) recebeu o Prêmio Aliad@s da Cidadania LGBTI, concedido pelo Grupo Dignidade a pessoas e organizações que contribuem para avançar a luta por direitos das comunidades de lésbicas, gays, bissexuais, pessoas trans e intersex.

Agência da ONU foi reconhecida por seu protagonismo global em defesa dos direitos humanos das pessoas que vivem com HIV.

UNAIDS recebeu premiação do Grupo Dignidade pelo segundo ano consecutivo. Foto: UNAIDS

UNAIDS recebeu premiação do Grupo Dignidade pelo segundo ano consecutivo. Foto: UNAIDS

Pelo segundo ano consecutivo, o Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (UNAIDS) recebeu o Prêmio Aliad@s da Cidadania LGBTI, concedido a pessoas e organizações que contribuem para avançar a luta por direitos das comunidades de lésbicas, gays, bissexuais, pessoas trans e intersex.

Criada pelo Grupo Dignidade, de Curitiba, a premiação chegou à sua 15ª edição em 2017. A instituição é uma das mais antigas organizações não governamentais voltadas para o público LGBTI do Brasil. A cerimônia de entrega dos prêmios marcou o aniversário de 25 anos da ONG.

Neste ano, a agência da ONU recebeu o prêmio como protagonista global, por conta dos esforços contra a epidemia, bem como pela abordagem baseada em direitos humanos para tratar o HIV e a AIDS entre homens gays.

Entre as iniciativas reconhecidas, estão a campanha Zero Discriminação e a Plataforma Global para Aceleração de Respostas ao HIV entre Homens Gays, Bissexuais e Outros Homens que Fazem Sexo com Homens (HSH).

O Prêmio também chamou atenção para a variedade de publicações produzidas pelo UNAIDS, além de elogiar a menção específica às populações-chave nas Declarações Políticas da Sessão Especial da Assembleia Geral das Nações Unidas sobre sobre HIV e AIDS.

“Muito do que aprendi sobre o respeito pela diversidade e a importância dos movimentos sociais para a resposta à epidemia de AIDS veio de minha interação constante com o Grupo Dignidade em Curitiba”, disse a diretora do departamento de Direitos, Gênero, Prevenção e Mobilização Comunitária do UNAIDS, Mariângela Simão, em mensagem gravada na sede da agência, em Genebra, e exibida durante a premiação.

“Receber este prêmio do Grupo Dignidade é muito importante para nós. Portanto, gostaria de agradecer em nome de Michel Sidibé, diretor-executivo do UNAIDS, pelo prêmio”, completou a especialista.

Presente na cerimônia de entrega do Prêmio, o assessor de comunicação do programa das Nações Unidas no Brasil, Daniel De Castro, recebeu o prêmio em nome da agência. “Podemos transformar a vida das pessoas com gestos simples, desde o acolhimento à demonstração de respeito e garantia de condições para que elas tenham uma vida plena e produtiva com dignidade”, afirmou.

Segundo ele, este tem sido o trabalho do Grupo Dignidade, “que continua a inspirar todos nós a fazer o mesmo”.

De acordo com o UNAIDS, o Grupo Dignidade deu origem a pelo menos uma dúzia de outras organizações em todo o Brasil e outras 60 se inspiraram em sua carta. É o berço de pelo menos 3 mil ativistas LGBTI do país.

No início da epidemia de AIDS, a ONG era vista por muitos gays mais pobres como a única opção de sistema de saúde disponível.

À esquerda, o assessor de comunicação do UNAIDS, Daniel De Castro, recebe a premiação em nome da agência da ONU. Foto: Grupo Dignidade

Atualmente, a organização faz parte de núcleos que estão espalhados pelas principais áreas relacionadas aos direitos humanos e aos direitos das comunidades LGBTI, incluindo departamentos municipais, estaduais e federais do Ministério Público, além autoridades públicas de direitos humanos e de defesa direta no Supremo Tribunal Federal.

O diretor-executivo do Dignidade, Toni Reis, coordena o trabalho de 70 voluntários que beneficiam mais de 10 mil pessoas anualmente.

Georgiana Braga-Orillard, diretora do UNAIDS no Brasil, destacou a importância da premiação. “Estamos investindo tempo e esforço em direitos humanos e Zero Discriminação no país e no mundo. O Prêmio mostra que estamos indo na direção certa e que nossos esforços estão tendo um impacto nas comunidades que queremos apoiar.”

Em 2016, a agência da ONU foi reconhecida pelo Dignidade pelo trabalho de seu escritório brasileiro com o projeto Zero Discriminação e também pelo apoio de longa data à resposta ao HIV no Brasil.