Programa da ONU e fundação promovem pesquisa global sobre qualidade de vida da população LGBTI

O Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (UNAIDS) e a LGBT Foundation realizam uma pesquisa online sobre a felicidade, a vida sexual e a qualidade de vida de lésbicas, gays, bissexuais, pessoas trans e intersexo. Disponível em português e em mais de outros 16 idiomas, o levantamento é pioneiro e visa lançar luz sobre os desafios vividos pela população LGBTI, incluindo a discriminação nos serviços sociais e de saúde.

Em Belo Horizonte, jovens realizam uma partida de 'queimado' temática, para discutir questões de gênero e orgulho LGBTI. Imagem de 2016. Foto: Mídia Ninja (CC)

Em Belo Horizonte, jovens realizam uma partida de ‘queimado’ temática, para discutir questões de gênero e orgulho LGBTI. Imagem de 2016. Foto: Mídia Ninja (CC)

O Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (UNAIDS) e a LGBT Foundation realizam uma pesquisa online sobre a felicidade, a vida sexual e a qualidade de vida de lésbicas, gays, bissexuais, pessoas trans e intersexo. Disponível em português e em mais de outros 16 idiomas, o levantamento é pioneiro e visa lançar luz sobre os desafios vividos pela população LGBTI, incluindo a discriminação nos serviços sociais e de saúde.

“Muitas pessoas lésbicas, gays, bissexuais, transgênero e intersexo enfrentam estigma e discriminação diariamente na educação, no trabalho, na saúde e em contextos sociais. Queremos entender como isso afeta o seu bem-estar, incluindo o seu bem-estar mental, e também as suas respostas e resiliências”, explica a chefe interina do UNAIDS, Gunilla Carlsson.

“Examinando em profundidade como variáveis econômicas, socioecológicas, homofóbicas e de outros tipos impactam as vidas das pessoas LGBTI, seremos capazes de defender, mais firmemente, mudanças significativas para melhorar as suas vidas.”

Além de enfrentar preconceito e sofrer com a falta de oportunidades de emprego, a população LGBTI também tem um risco muito maior de infecção por HIV. Estimativas mostram que o risco de adquirir HIV é 27 vezes mais alto entre homens gays e outros homens que fazem sexo com homens na comparação com a população em geral. Entre pessoas trans, o índice é 13 vezes maior. No entanto, estudos mostram que muitos gays, pessoas trans e homens que fazem sexo com homens evitam procurar serviços de saúde, por medo de estigma e discriminação.

Embora já existam pesquisas que avaliem o bem-estar das pessoas LGBTI por meio da mensuração dos níveis de violência, do status legal e da saúde — frequentemente a partir do risco e status para o HIV —, poucas análises voltam-se para o bem-estar mental dessa população, o que é essencial para garantir a sua saúde geral e o seu acesso a oportunidades econômicas.

Também faltam dados sobre pessoas LGBTI na África, Ásia e América Latina — lacunas que a pesquisa espera preencher. O levantamento já foi distribuído pelas redes sociais para mais de 25 milhões de pessoas em todo o mundo. É possível participar até 31 de julho deste ano. A iniciativa garante o anonimato dos que responderem ao questionário. Estima-se que o preenchimento das respostas leve em torno de 12 minutos.

“Queremos progresso na saúde e bem-estar das lésbicas, gays, bissexuais, trans e intersexo. Queremos isso agora, e essa pesquisa vai ajudar nessa direção. É uma grande iniciativa, em que as pessoas LGBTI podem, confidencialmente, falar e construir o conhecimento (necessário) para empoderar, conscientizar e defender (seus direitos), com o objetivo final de eliminar o estigma e a discriminação contra as pessoas LGBTI. Isso será extremamente útil para a comunidade”, afirma Sean Howell, CEO da LGBT Foundation.

A pesquisa foi desenvolvida em colaboração com a Universidade de Aix-Marseille e a Universidade do Minnesota e concebida em colaboração com representantes da comunidade LGBTI, incluindo pessoas que vivem com HIV. Para garantir os mais altos padrões em relação à privacidade e à proteção de dados pessoais, o levantamento está em conformidade com a Regulação Geral de Proteção de Dados.

Para assegurar e preservar o anonimato, o acesso é feito por um link protegido, que cria um link criptografado entre o servidor e o navegador. O protocolo de pesquisa para o levantamento foi aprovado pelo Conselho de Pesquisa em Ética da Universidade de Aix-Marseille e pelo Comitê de Revisão de Ética em Pesquisa da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Para participar do estudo, acesse: https://www.research.net/r/LGBTHappinessResearch.