Programa da ONU e Brasil trocam conhecimentos sobre segurança sanitária dos alimentos

O Centro de Excelência contra a Fome – uma parceria entre o Programa Mundial de Alimentos das Nações Unidas (PMA) e o governo do Brasil – recebeu no final de abril Nafissatou Diop, engenheira de alimentos que trabalha na Unidade de Segurança Sanitária de Alimentos do Programa Mundial de Alimentos em Roma, para uma missão de intercâmbio no Brasil.

Ela visitou instituições brasileiras para conhecer as práticas brasileiras de garantia da qualidade e da segurança sanitária dos alimentos, além de identificar sinergias entre o trabalho do Centro de Excelência e de sua unidade em Roma.

A Unidade de Segurança Sanitária de Alimentos trabalha em colaboração com a Unidade de Alimentação Escolar e com escritórios de país do PMA para fortalecer capacidades locais e garantir a segurança dos alimentos.

Eles avaliam a situação em campo e propõem soluções para melhorar a qualidade e garantir a segurança dos alimentos servidos às crianças nas escolas. Eles também desenvolvem treinamentos com merendeiras em boas práticas de armazenamento, higiene, preparo dos alimentos e educação nutricional.

Durante a missão de cinco dias no Brasil, Diop se interessou especialmente pelas práticas de controle de qualidade de alimentos frescos.

PMA: alimentação escolar e assistência técnica em 54 países

O PMA provê alimentação escolar e assistência técnica a governos de 54 países. Mais da metade deles está na África. Os países estão cada vez mais investindo em programas de alimentação escolar vinculados à agricultura local.

Essa modalidade gera impactos positivos para as crianças e para os agricultores familiares, devido à compra local de alimentos frescos. O uso mais intenso de alimentos frescos na alimentação escolar possibilita que as crianças recebam refeições mais saudáveis e saborosas, mas traz alguns desafios para garantir a segurança sanitária dos alimentos.

O Brasil tem um dos maiores programas de alimentação escolar vinculada à agricultura local do mundo. O programa alimenta 42 milhões de crianças todos os dias letivos e, por lei, deve destinar 30% de seu orçamento de cerca de R$ 4 bilhões à compra de alimentos produzidos por agricultores familiares.

Diop destacou o processo de fiscalização e a descentralização do programa como aspectos interessantes do modelo brasileiro.

Ela teve reuniões com representantes do Ministério da Saúde, do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação, da Embrapa e com a equipe do Centro de Excelência. Ela também visitou uma escola para ver de perto como as regras e padrões de segurança dos alimentos são aplicadas ao programa de alimentação escolar.

“Pude entender que atingir esse nível de implementação leva tempo e requer o envolvimento do alto escalão do governo. Ter uma legislação forte e crucial para que os mesmos padrões e processos sejam mantidos, mesmo que haja mudanças no governo”, afirmou Diop.

Outro aspecto que pode ser útil para os esforços do PMA de fortalecimento de capacidades nos países é a integração dos diferentes setores do governo brasileiro nas iniciativas de garantia da qualidade do programa de alimentação escolar, inclusive da comida servida às crianças.