Programa da ONU alerta para buraco de 20% no orçamento global de HIV

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Com mais de 15 mil participantes, a 22ª Conferência Internacional de AIDS teve início com um apelo da ONU por mais recursos para a resposta de saúde pública à epidemia. Em Amsterdã para a abertura do evento, o chefe do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (UNAIDS), Michel Sidibé, alertou para uma “persistente lacuna de 20% (no orçamento) entre o que é necessário e o que está disponível”. Encontro ocorreu na cidade holandesa dos dias 23 a 27 de julho.

Michel Sidibé, chefe do UNAIDS, durante a abertura da 22ª Conferência Global de AIDS. Foto: UNAIDS

Michel Sidibé, chefe do UNAIDS, durante a abertura da 22ª Conferência Global de AIDS. Foto: UNAIDS

Com mais de 15 mil participantes, a 22ª Conferência Internacional de AIDS teve início com um apelo da ONU por mais recursos para a resposta de saúde pública à epidemia. Em Amsterdã para a abertura do evento, o chefe do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (UNAIDS), Michel Sidibé, alertou para uma “persistente lacuna de 20% (no orçamento) entre o que é necessário e o que está disponível”. Encontro ocorreu na cidade holandesa dos dias 23 a 27 de julho.

“Uma resposta à AIDS totalmente financiada não é negociável”, cobrou o dirigente do organismo internacional. Segundo o gestor, “pequenos cortes podem ter grandes consequências”.

Sidibé lembrou que o planeta não está avançando a passos largos o suficientes para bater as metas da ONU de prevenção e tratamento até 2020. O relatório mais recente do UNAIDS mostra que novas infecções por HIV aumentaram em cerca de 50 países.

Nos últimos sete anos, os novos casos de transmissão caíram apenas 18%, de 2,2 milhões em 2010 para 1,8 milhão no ano passado. Embora seja quase metade do número de novas infecções em comparação com o pico registrado em 1996 (3,4 milhões), o declínio não é rápido o suficiente para alcançar a meta de menos de 500 mil pessoas até 2020.

Atualmente, as populações-chave e seus parceiros sexuais representam 47% das novas infecções pelo HIV no mundo e 97% das novas infecções pelo HIV no Leste Europeu e na Ásia Central. Nessas duas regiões, um terço das novas infecções ocorrem entre pessoas que usam drogas injetáveis.

Conchita Wurst, artista e cantora, durante a abertura da conferência. Foto: UNAIDS

Conchita Wurst, artista e cantora, durante a abertura da conferência. Foto: UNAIDS

Sidibé ressaltou que a intolerância à diversidade está provocando uma crise de prevenção do HIV. Em sua avaliação, é fundamental romper barreiras que excluem os indivíduos de seus direitos. “Hoje, quase 22 milhões de pessoas estão em tratamento. Mas 15 milhões ainda estão esperando, incluindo mais de 800 mil crianças”, enfatizou o chefe do UNAIDS.

Também presente na conferência, a artista Conchita Wurst, campeã do Festival Eurovision de 2014, pediu o fim do estigma contra as pessoas vivendo com HIV. “Vocês podem nos tocar, vocês podem nos beijar, vocês podem nos amar como a qualquer outra (pessoa). O HIV é apenas um diagnóstico”, defendeu.

O chefe da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Ghebreyesus, ressaltou que “ninguém deveria adoecer e morrer simplesmente por ser pobre ou marginalizado”.

Especialistas veem crise de prevenção

Também durante a conferência, a Coalizão Global sobre Prevenção do HIV reuniu especialistas e gestores públicos para discutir como impedir novas transmissões do vírus. Representantes da sociedade civil chamaram atenção para uma crise no uso de métodos preventivos, como a camisinha.

“Todos os jovens e membros de populações-chave precisam de acesso fácil (aos preservativos)”, afirmou o diretora-geral da Planned Parenthood, Alvaro Bermejo.

“Há uma crise de preservativos intrínseca à crise de prevenção. Nós sabemos como entregar preservativos. São outros fatos que estão impedindo o acesso aos preservativos onde os jovens estão, não permitindo que menores de 18 anos tenham acesso a preservativos nas clínicas, os afastando das escolas.”

Criada em 2017, a Coalizão Global em outubro de 2017 foi elogiada pelos debatedoras por alavancar programas de prevenção em nível nacional e local. Porém, iniciativas enfrentam problemas de financiamento e de governança. Em quase metade dos 31 países da coalizão, políticas sobre a idade de consentimento para relações sexuais criam barreiras para que os adolescentes acessem serviços de saúde sexual e reprodutiva.

“O rosto da vulnerabilidade está em meninas adolescentes e populações-chave”, acrescentou a diretora-executiva do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), Natalia Kanem.

“Nós realmente precisamos pensar sobre a era do desenvolvimento sustentável e o que significa viver com plena dignidade. A prevenção implica o acesso à informação, implica serviços respeitosos em tempo hábil e compreensão de que estamos em um momento de crise.”

A coalização global foi capitaneada pelo UNFPA e pelo UNAIDS, com a participação de Estados-membros da ONU, incluindo o Brasil.

Religião pelo fim do estigma

Às vésperas da conferência global (22), o chefe do UNAIDS participou de um encontro com lideranças religiosas, também em Amsterdã, para discutir o papel das comunidades de fé na resposta ao HIV. Sidibé defendeu que fiéis e líderes se engajem na superação do estigma envolvendo os indivíduos com HIV.

“Ninguém pode nos ajudar mais do que a igreja a superar o estigma. Este é o seu terreno natural, lutando pela justiça social”, ressaltou o dirigente do programa da ONU.

“A esperança deve ser vista como um direito humano no nosso mundo hoje”, completou o imã Marzouk Abdellah.

O evento contou com discussões sobre HIV e migração, as contribuições de grupos religiosos para a erradicação da tuberculose e iniciativas para apoiar crianças e adolescentes vivendo com HIV. A conferência de AIDS também teve um espaço dedicado à atuação de comunidades religiosas na resposta à epidemia.


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