Programa da FAO atua em 13 países para alcançar níveis sustentáveis de caça e pesca silvestres

Programa de Manejo Sustentável da Vida Selvagem (SWM), lançado em 2017 pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) e parceiros, atua em cooperação com 13 países para encontrar soluções sustentáveis para a caça e a pesca.

Segundo alerta a agência, se a caça e a pesca silvestres não forem contidas em níveis sustentáveis, as populações desses animais diminuirão e as comunidades rurais e tradicionais sofrerão níveis crescentes de insegurança alimentar.

Na região de Rupununi, na Guiana (país que faz fronteira com o estado brasileiro de Roraima), o programa da FAO trabalha com a tribo indígena Wapishana, que coordena um grupo de guardas florestais para a conservação local. A FAO destaca que em muitos desses países é necessário revisar e melhorar as leis de caça e os sistemas de posse da terra, que tendem a ser ambíguos e mal aplicados.

A conservação é importante para a biodiversidade e a segurança alimentar na região de Rupununi, na Guiana. Crédito: FAO/David Mansell-Moullin.

A conservação é importante para a biodiversidade e a segurança alimentar na região de Rupununi, na Guiana. Crédito: FAO/David Mansell-Moullin.

Milhões de povos indígenas e rurais dependem da carne de animais selvagens para sua alimentação e renda, principalmente nas regiões tropicais e subtropicais da América do Sul, da África e da Ásia.

De acordo com a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), a demanda por este tipo de alimentos também está crescendo em vilarejos e cidades onde é consumida como luxo ou por tradição.

A FAO alerta que se a caça e a pesca silvestres não forem contidas em níveis sustentáveis, as populações desses animais diminuirão e as comunidades rurais e tradicionais sofrerão níveis crescentes de insegurança alimentar.

A caça para a alimentação é reconhecida como um importante fator de perda de biodiversidade. Segundo a agência da ONU, estima-se que 285 espécies de mamíferos estão ameaçadas de extinção devido à prática.

Insegurança Alimentar

Os povos indígenas são os principais interessados no desenvolvimento de estratégias sustentáveis de caça e pesca. Crédito: FAO/David Mansell-Moullin.

Os povos indígenas são os principais interessados no desenvolvimento de estratégias sustentáveis de caça e pesca. Crédito: FAO/David Mansell-Moullin.

A tribo indígena Wapishana, que fica na região de Rupununi, na Guiana – país que faz fronteira com o estado brasileiro de Roraima, já começou a sentir os efeitos desse processo. Asaph, um caçador tradicional da tribo, conta que antes “havia muita vida selvagem” na região no tempo do seu pai e avós.

Agora, ele diz que “ainda existem alguns animais nas montanhas Kanuku, mas são mais difíceis de encontrar”.

Ameaça

Carne e peixe silvestres são fontes importantes de proteínas e nutrientes para Asaph e a família.

Segundo ele, no passado, os níveis de caça eram sustentáveis. Havia um equilíbrio entre o número de animais caçados para alimentação e as taxas de reprodução natural da vida selvagem.

Mas ele diz que agora esse equilíbrio está ameaçado devido a incêndios não controlados, expansão das populações das aldeias, construção de novas estradas e caça comercial.

Para ajudar a impulsionar as populações de animais selvagens, Asaph agora é vice-presidente de seu grupo de conservação local e guarda florestal.

Programa SWM

Segundo a FAO, é preciso encontrar soluções urgentes. Para atuar na questão e alcançar a meta de Fome Zero até 2030, a agência liderou, em 2017, a criação de um consórcio de parceiros internacionais para restabelecer o equilíbrio entre segurança alimentar e conservação.

O Programa de Manejo Sustentável da Vida Selvagem (SWM) atua em cooperação com 13 países, incluindo a Guiana, para fazer com que a caça de espécies mais resilientes retorne a níveis sustentáveis.

Outra meta é reduzir a demanda urbana pela carne silvestre e desenvolver fontes alternativas de alimentos acessíveis e apetitosos para as comunidades rurais. A FAO destaca que, em muitos desses países, também é necessário revisar e melhorar as leis de caça e os sistemas de posse da terra, que tendem a ser ambíguos e mal aplicados.

O Programa SWM é uma iniciativa da África, do Caribe e do Pacífico, financiada pela União Europeia.

Comunidades

Asaph, como muitos indígenas da região de Rupununi, na Guiana, depende de animais selvagens e peixes para alimentação. Crédito: FAO/David Mansell-Moullin.

Asaph, como muitos indígenas da região de Rupununi, na Guiana, depende de animais selvagens e peixes para alimentação. Crédito: FAO/David Mansell-Moullin.

Na Guiana, o Programa SWM está trabalhando em estreita colaboração com Asaph e outros caçadores indígenas. O objetivo é aproveitar os projetos liderados pela comunidade para manter populações saudáveis ​​de peixes e mamíferos.

Asaph diz que com o apoio do programa, as comunidades estão “tentando conservar a área para que a vida selvagem volte”. Ele acredita que isso permitirá que todos continuem caçando e alimentando seus filhos.

O principal trabalho, segundo Asaph, é informar os jovens sobre sobre a importância da conservação “para que eles saibam o que é bom para o meio ambiente e a comunidade”.

Progressos

Depois de apenas um ano, o programa na região de Rupununi revisou um plano regional de gestão da pesca; concluiu parte de um censo em andamento sobre a vida selvagem usando armadilhas fotográficas; preparou um plano de trabalho de ecoturismo; apoiou atividades da agência regional de turismo; e avaliou o potencial para o desenvolvimento da pecuária. A esperança é que esses exemplos sejam replicados em outros lugares da Guiana e no exterior.

Agora, a esperança de Asaph é “ver os cervos voltando e povoando a região novamente, como fizeram há muitos anos”. Ele enfatiza que a “conservação é a chave” para o problema que enfrentam.

Saiba mais sobre o Programa de Manejo Sustentável da Vida Selvagem (SWM) aqui (em inglês).