Profissional cubano do Mais Médicos atende 20 aldeias indígenas no Pará

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Ao iniciar seu trabalho, o médico Osvaldo García Carrera, 44 anos, deparou-se com alguns desafios, entre eles altos índices de doenças crônicas como hipertensão e diabetes entre os indígenas.

A representação da Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS) no Brasil colabora com o programa Mais Médicos intermediando a vinda de profissionais cubanos para atuar em unidades de saúde do país.

Carrera está no Brasil há quase três anos e se diz satisfeito com trabalho que vem desenvolvendo no país. Foto: OPAS/OMS

Carrera está no Brasil há quase três anos e se diz satisfeito com trabalho que vem desenvolvendo no país. Foto: OPAS/OMS

Osvaldo García Carrera, 44 anos, profissional cubano do Programa Mais Médicos que atende em 20 aldeias do Polo Base Marabá (PA), nunca havia trabalhado diretamente com populações indígenas. Mesmo com seus 20 anos de experiência em medicina, alguns deles em missão em comunidades pobres da Venezuela, não pôde deixar de se encantar com a nova cultura que estava conhecendo. Ele já está no Brasil há quase três anos e se diz extremamente satisfeito com o trabalho que vem desenvolvendo.

“As comunidades me acolheram muito bem. Fui aprendendo muitas coisas sobre a cultura indígena, sua forma de pensar e atuar. Aprendi a fazer outro tipo de medicina, respeitando e vivendo as particularidades dos indígenas, sua forma de ver e interpretar o mundo”, afirma Carrera.

Uma das aldeias que contam com o atendimento do médico é Sororó, localizada no município de São Geraldo do Araguaia, sudeste paraense. Os indígenas que povoam o local são da etnia Suruí e têm como língua nativa o tupi-guarani.

Ao iniciar seu trabalho, o médico deparou-se com alguns desafios, entre eles altos índices de doenças crônicas como hipertensão e diabetes que, segundo Carrera, “já existem na aldeia pela relação dos indígenas com a sociedade branca”.

“Sempre trabalho com um propósito, que neste caso é conseguir mudar os indicadores de saúde da população. Tenho tratado de melhorar o atendimento médico e investido na educação em saúde, em projetos para diminuir a mortalidade materna e infantil e também por doenças infecciosas como as diarreicas e respiratórias.”

Todos os meses, o posto de saúde localizado dentro da aldeia promove campanhas sobre temas específicos para conscientizar a população e ensiná-la como prevenir doenças. Em julho, o assunto foi hepatites virais. Neste mês, é a vez da importância da amamentação para o desenvolvimento das crianças. A iniciativa já trouxe diversas mudanças nos hábitos de vida da população local.

Enquanto estava grávida, Tainá Suruí procurou Carrera para realizar o pré-natal. O médico acompanhou de perto o desenvolvimento do feto. “Foi muito bom. Ele me avisou que o neném estava muito pequenininho na barriga e pediu para eu comer bastante, seis vezes ao dia. Consegui aumentar o meu peso e o do bebê”, revela a indígena. Ela deu à luz um menino, que hoje é alimentado exclusivamente de leite materno.

O profissional cubano é bem-quisto na aldeia. “Ele sempre vem, faz consulta e às vezes passa remédio. Todo mundo gosta dele”, conta Tainá. O médico abre um sorriso ao ouvir os elogios. “Jamais pensei conhecer outra cultura desta forma, aprender outros costumes, danças, rituais, viver como eles. Há uma grande satisfação nisso. Sou um grão de areia na assistência médica, mas fico feliz em poder ajudar esse povo”, finaliza.

Criado em 2013 pelo governo federal, o Mais Médicos tem o objetivo de suprir a carência desses profissionais nos municípios do interior e nas periferias das grandes cidades.

A representação da Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS) no Brasil colabora com a iniciativa intermediando a vinda de médicos de Cuba para atuar em unidades de saúde do país.


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