Profissionais venezuelanos fortalecem sistema de saúde pública na Argentina

Um novo estudo da Organização Internacional para as Migrações (OIM) mostrou que a migração venezuelana está ajudando a aliviar a escassez de profissionais de saúde na Argentina.

Muitos dos 145 mil venezuelanos que atualmente vivem na Argentina são enfermeiras e médicos. Há 16 províncias nas quais os médicos venezuelanos já estão certificados para trabalhar, com mais de 200 profissionais atuando apenas na província de Buenos Aires e um número menor em Jujuy, Chubut e Córdoba.

Há 16 províncias argentinas nas quais os médicos venezuelanos já estão certificados para trabalhar. Foto: OIM/Reprodução

Há 16 províncias argentinas nas quais os médicos venezuelanos já estão certificados para trabalhar. Foto: OIM/Reprodução

Um novo estudo da Organização Internacional para as Migrações (OIM) mostrou que a migração venezuelana está ajudando a aliviar a escassez de profissionais de saúde na Argentina.

Muitos dos 145 mil venezuelanos que atualmente vivem na Argentina são enfermeiras e médicos. Há 16 províncias nas quais os médicos venezuelanos já estão certificados para trabalhar, com mais de 200 profissionais atuando apenas na província de Buenos Aires e um número menor em Jujuy, Chubut e Córdoba.

Há também venezuelanos que trabalham no sistema de saúde pública na Terra do Fogo, extremo sul do país.

A OIM publicou essas e outras conclusões no estudo “Integração laboral no setor de saúde da população venezuelana na Argentina”, elaborado em meio à resposta aos fluxos de refugiados e migrantes da Venezuela no país.

O estudo foi apresentado na semana passada (23) em Buenos Aires, com a participação da Direção Nacional de Migrações (DNM), autoridades da província de Catamarca e Salta, assim como de organizações que reúnem profissionais de saúde da Venezuela.

A investigação teve como objetivo caracterizar a migração de profissionais da saúde venezuelanos para a Argentina e analisar o número de trabalhadores da saúde no setor público, com o objetivo de prover insumos para a tomada de decisões por parte das autoridades migratórias, sanitárias e educacionais, que permitam promover a integração laboral da população venezuelana residente no país.

Segundo o estudo, de acordo com os padrões internacionais, a Argentina precisaria triplicar a quantidade de enfermeiras e enfermeiros para dar uma resposta satisfatória aos pedidos do sistema de saúde.

Outro fator evidenciado na pesquisa é a distribuição desigual de profissionais da saúde no país, com altas taxas nas capitais e centros urbanos, o que gera carências no interior do país.

O estudo ressaltou que a Argentina já adotou medidas para facilitar a validação de diplomas dos profissionais da saúde venezuelanos. Nesse sentido, promoveu a radicação de novos médicos e médicas provenientes da Venezuela, assim como sua realocação dentro do país para zonas com necessidades nesse setor, o que gerou benefícios para a saúde pública das províncias com menos recursos humanos, uma vez que permitiu uma inserção laboral por parte dos médicos migrantes em seus âmbitos profissionais, provendo trabalho de qualidade para eles.

Yang Álvarez, médico venezuelano residente na Argentina e diretor de Relações Interinstitucionais da Associação de Médicos Venezuelanos na Argentina (ASOMEVENAR), explicou que 16 províncias já contam com médicos venezuelanos.

“A província que tem mais médicos venezuelanos é a de Buenos Aires, com mais de 200 profissionais; em seguida vem a província de Jujuy, com 50 médicos, Chubut, com 40, e Córdoba, com 15. De Jujuy até a Terra do Fogo já existem médicos venezuelanos trabalhando no sistema de saúde pública”, disse.

Gabriela Fernández, chefe do escritório da OIM Argentina, citou diversas medidas que o governo argentino tomou para facilitar os trâmites migratórios da população venezuelana e destacou que “todas as esferas governamentais estão fazendo grandes esforços para que a integração da população venezuelana tenha sucesso”.

“O perfil da população venezuelana na Argentina é eminentemente profissional. Quase 50% tem título de graduação e 10% diploma de pós-graduação. Estamos falando de um capital humano que deve ser aproveitado e incluído no mercado de trabalho.”

Gabriela agradeceu as províncias que estão trabalhando para que os profissionais de saúde venezuelanos possam inserir-se em seus hospitais, assim como as associações de venezuelanos que acabam sendo uma enorme rede de proteção para os recém-chegados.

A realização do estudo foi possível graças ao apoio financeiro do Escritório de População, Refugiados e Migração (PRM, na sigla em inglês), do Departamento de Estado norte-americano.

Clique aqui para acessar o relatório (em espanhol).