Produtores de coco nas Filipinas lutam para se recuperar da devastação do tufão Haiyan, diz FAO

Prejuízo com destruição das plantações é estimado em 396 milhões de dólares. Árvores estão sendo replantadas, mas levam de 6 a 8 anos para amadurecer. País é sugundo maior produtor mundial da fruta.

Filipinas. Foto: FAO

Filipinas. Foto: FAO

A Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) afirma que produtores de coco das Filipinas precisam de ajuda de emergência para recuperar seus meios de subsistência. O país é o segundo maior produtor de coco do mundo, com 26,6% da produção global.

O tufão Haiyan, que atingiu a costa do país em novembro, destruiu milhões de árvores e devastou a região de Visayas Oriental, a segunda maior produtora de coco do país. Cerca de 33 milhões de coqueiros foram danificados ou destruídos e mais de 1 milhão de agricultores, afetados. Estima-se que o prejuízo gerado é de 396 milhões de dólares.

“O cultivo de coco é a minha principal fonte de renda e com o tufão eu perdi todos os meus coqueiros”, lamentou Domino Brivia, um pequeno produtor de Barangay Tacurana, na ilha de Leyte, em Visayas Oriental. “Se eu não receber algum tipo de ajuda em breve, vou ter de pedir dinheiro emprestado, mas as taxas de juros são tão altas que tenho medo”, acrescentou. Brivia e outros agricultores que se encontram na mesma situação podem se deparar com taxas de juros de até 120%.

“Os produtores estão replantando os coqueiros, mas o que agrava a situação é que as árvores levam de seis a oito anos para amadurecer e retomar a produção plena”, explicou o representante da FAO para as Filipinas, Rajendra Aryal.

“É crucial desenvolver fontes alternativas de renda para estes pequenos agricultores até que os seus coqueiros sejam produtivos novamente. A diversificação de culturas e plantações intercaladas podem fornecer o acesso a uma renda mensal e restaurar a autossuficiência, construindo a resiliência dessas comunidades para suportarem futuros desastres”, disse Aryal.

Plano de recuperação da FAO para as Filipinas

Por meio da limpeza de árvores caídas e da introdução de outras plantações que podem ser cultivadas junto aos novos coqueiros, a FAO, a Autoridade Filipina do Coco, parceiros humanitários e organizações locais pretendem oferecer alternativas viáveis aos produtores.

A FAO alertou que esforços de recuperação também devem ser feitos em outras áreas, como nas comunidades agrícolas remotas em zonas de montanha – que receberam pouca ou nenhuma assistência humanitária -, para os pescadores artesanais, as comunidades costeiras e os pequenos criadores pecuários que perderam todos os seus animais.

A agência fez um apelo de 38 milhões de dólares para ajudar mais de 128 mil famílias gravemente afetadas nas Filipinas. Por enquanto, recebeu apenas 12 milhões.

A FAO distribuiu sementes de arroz e fertilizantes para cerca de 44 mil famílias de agricultores a tempo da temporada de plantio, de dezembro a janeiro. Espera-se que a produção seja suficiente para alimentar cerca de 800 mil pessoas durante um ano.

“Temos de aproveitar estes progressos, garantindo que o trabalho positivo feito logo após o tufão não seja desperdiçado”, afirmou Aryal. “Isto requer um apoio contínuo e generoso da comunidade de doadores para assegurar que agricultores e pescadores afetados possam recomeçar suas vidas.”