Produção global de manufaturados sobe pouco com desaceleração de emergentes

A produção de manufaturados das economias emergentes cresceu a uma taxa de 4,6% no quarto trimestre, avanço menor que o registrado no terceiro trimestre, de 5,2%. Ainda assim, a produção das economias industrializadas subiu ainda menos, 0,2% no período.

Inflação elevada, diminuição do consumo privado nacional e perda do mercado internacional foram alguns fatores para queda de produtividade da indústria no Brasil. Foto: Governo de Sergipe

Produção industrial no Brasil caiu 12,4% no 4º trimestre, segundo relatório da UNIDO. Foto: Governo de Sergipe

A indústria manufatureira global desacelerou no último trimestre de 2015 com o enfraquecimento dos países emergentes, e a produção global subiu apenas 1,9% no período, de acordo com um relatório da Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (UNIDO) divulgado no início do mês.

Nos países desenvolvidos, após uma curta melhora nos primeiros meses de 2015, o crescimento dos manufaturados desacelerou ao longo do ano. O avanço mais fraco foi observado tanto na Europa como na América do Norte. Nos Estados Unidos, as exportações tiveram queda como resultado do dólar valorizado.

O crescimento menor na China também afetou a demanda por commodities importadas da Europa.

Nas economias industrializadas, a produção de manufaturados subiu apenas 0,2% no quarto trimestre, com crescimento de 0,9% na América do Norte e de 0,6% na Europa. No Leste da Ásia, a queda foi de 0,5%, com baixa de 0,6% no Japão. A produção de manufaturados também teve recuo em países como Coreia do Sul e Singapura.

Nos últimos três meses do ano passado, a produção de manufaturados de economias emergentes cresceu a uma taxa comparativamente maior, de 4,6%. No entanto, esse avanço foi inferior aos 5,2% registrados no trimestre anterior. Apesar do ritmo mais lento, as economias em desenvolvimento contribuíram com mais de 80% do crescimento da indústria manufatureira global.

Na China, a produção manufatureira subiu 6,5%, menos que os 7% do trimestre anterior, representando a menor taxa desde 2005.

Um declínio mais severo foi observado na América Latina. A produção industrial no Brasil caiu 12,4% no quarto trimestre do ano passado, com quedas também registradas em Argentina, Chile e Colômbia.

A produção africana caiu 0,2%, principalmente por conta do declínio na África do Sul, maior indústria do continente. Os países do Norte da África tiveram desempenho melhor, com a produção subindo em Egito, Marrocos e Tunísia.

O relatório da UNIDO forneceu também dados de desempenho setorial. Entre os bens de consumo, a produção de vestuário subiu 2,2% nas economias em desenvolvimento, com crescimento mais forte nesse setor observado em Egito e México. Contudo, o setor de vestuário teve forte queda no Brasil e na Indonésia, com baixas de 12,9% e 16,4%, respectivamente.

As economias emergentes tiveram bom desempenho na produção de produtos alimentícios e têxteis. Já entre as industrializadas, houve avanço notável na produção de motores de veículos, produtos químicos e maquinário de computação.