Processo de paz no Nepal: relatório do Secretário-Geral sobre momento “delicado e crítico”

Chefe da Missão da ONU no país afirma na reunião de 5 de maio de 2010 do Conselho de Segurança que tensões se agravaram desde o último relatório, em janeiro deste ano. Representantes do Nepal solicitam que a Missão no país se estenda até 15 de setembro.

Chefe da Missão da ONU no país afirma na reunião de 5 de maio de 2010 do Conselho de Segurança que tensões se agravaram desde o último relatório, em janeiro deste ano. Representantes do Nepal solicitam que a Missão no país se estenda até 15 de setembro.

Com os maoístas do Nepal bloqueando as ruas de Kathmandu no quinto dia de greve geral, a principal representante da ONU naquele país advertiu o Conselho de Segurança sobre as implicações das disputas do partido de oposição com o governo, afirmando que o processo de paz “está em um momento crítico e delicado” e que os protestos ameaçam sabotar o esforço de quatro anos para chegar a um acordo de partilha do poder.

Na mesma reunião, o embaixador do Nepal para as Nações Unidas afirmou que sempre haveria sucessos e insucessos em um complexo processo de paz, como a que ocorre em seu país. No entanto, é necessário construir resultados positivos e manter o ímpeto das negociações. Por essa razão, seu governo tinha decidido solicitar ao Conselho que pondere a prorrogação do mandato da Missão das Nações Unidas no Nepal (UNMIN) – previsto para expirar no próximo sábado (08 de maio) – até 15 de setembro de 2010.

Em sua declaração, a Chefe da UNMIN e Representante do Secretário-Geral, Karin Landgren, afirmou que as tensões se agravaram desde seu último relatório em janeiro e alertou reiteradamente para o momento perigoso pelo qual passa o processo de paz – marcado por uma profunda desconfiança mútua entre os partidos maoístas e não-maoístas durante quase dois anos. Além disso, outros partidos começaram a desafiar o compromisso dos maoístas com a democracia multipartidária e com o Estado de Direito, e os conclamou a abandonar o recurso à violência.

“Os partidos políticos falam de uma ‘conclusão lógica’ para o processo de paz a curto prazo, no momento em que quadros militares maoístas são integradas e reabilitados, ou quando a nova Constituição for aprovada”, declarou Landgren. “Mas esse processo é, em última instância, sobre como resolver a longo prazo as causas subjacentes do conflito”. De fato, mantiveram-se sérios desafios na resolução de tais problemas a longo prazo – como a exclusão dos grupos marginalizados, a falta de serviços básicos para todos e a busca por justiça. Muitos nepaleses ficaram desapontados a partir destas expectativas não cumpridas.

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