Principal desafio das novas metas da ONU será tirar 1 bilhão de pessoas da extrema pobreza, diz PNUMA

AUMENTAR LETRA DIMINUIR LETRA

Em seu novo relatório, o Painel Internacional de Recursos do PNUMA destacou que a prosperidade sustentável para as gerações atuais e futuras requer a manutenção e restauração da saúde do ecossistema.

Crianças haitianas participam de ação para reflorestar o Haiti. Foto: PNUD Haiti/Logan Abassi

Crianças haitianas participam de ação para reflorestar o Haiti. Foto: PNUD Haiti/Logan Abassi

“O principal desafio para atingir os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) será tirar mais de um bilhão de pessoas da extrema pobreza e abordar as desigualdades ao mesmo tempo em que utilizamos os recursos necessários para uma população estimada em 8 bilhões de pessoas em 2030 – em termos de energia, terra, água, comida e abastecimento de matérias”, disse o diretor executivo do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) e subsecretário-geral da ONU, Achim Steiner.

A declaração do representante se soma as preocupações do Painel Internacional de Recursos do PNUMA (IRP, na sigla em inglês) que alertou, nesta segunda-feira (06), que sem uma gestão sensata dos recursos naturais como parte integral das medidas políticas, os ODS não cumprirão seu propósito fundamental: acabar com a extrema pobreza até 2030 e abordar todos os aspectos do desenvolvimento sustentável.

Em seu novo relatório intitulado “Coerência das Políticas dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável: Uma Perspectiva dos Recursos Naturais”, o IRP enfatiza que a prosperidade sustentável para as gerações atuais e futuras requer a manutenção e restauração da saúde do ecossistema.  Com a prospecção de que a população mundial chegará a 9 bilhões de pessoas em 2050 e o rápido crescimento econômico nas economias emergentes e em desenvolvimento, a demanda por recursos naturais, especialmente a matéria-prima, deve continuar crescendo significativamente. Nesse contexto, aumentar a eficiência de recursos é um fator importante para assegurar a proteção ambiental e climática, o emprego, os benefícios sociais e o crescimento verde sustentável.

Os estudos do IRP mostram que a extração anual de matéria em todo o mundo aumentou oito vezes durante o século 20. Até 2009, por exemplo, extraíam-se 68 bilhões de toneladas de recursos comparados aos 7 bilhões em 1900. Devido ao declínio nos níveis de minério, dependendo do material em questão, hoje precisam ser movidas cerca de três vezes mais matéria para a mesma extração de minério do que um século atrás, com mais degradação do solo, implicação das águas subterrâneas e uso de energia.

Números alarmantes

A pressão sobre os recursos bióticos também tem aumentado. Mais de 20% das terras cultivadas, 30% das florestas e 10% das pastagens estão sendo degradadas a uma taxa que debilita a capacidade de ecossistemas críticos se renovarem. Até 25% da produção mundial de alimentos pode ser perdida até 2050 devido às alterações climáticas, a degradação dos solos, escassez de água e outras questões e, mesmo assim, continuamos desperdiçando um terço dos alimentos produzidos a cada ano.

Todos os 17 ODS propostos implicam numa competição por recursos, apesar do progresso de 12 deles estar diretamente relacionado ao uso sustentável da terra, alimentos, água, energia e matéria. O novo relatório do IRP avalia as interligações, sinergias e contrapartidas entre os ODS relacionados aos recursos naturais que os tomadores de decisão devem levar em conta no momento da formulação de políticas para sua implementação.

O modelo do relatório demonstra que se os ODS em energia, segurança alimentar e mudança do clima forem abordados por políticas setoriais, haverá possíveis contrapartidas entre os sistemas de alimento, biodiversidade, mitigação climática, poluição por nutrientes e uso de água doce.  Sendo assim, o progresso deveria ser feito em todos os ODS juntos, como um pacote coordenado e integrado, entendendo os diferentes objetivos e seus requisitos de recursos, gerenciando as sinergias e moderando as contrapartidas. Além disso, se políticas forem combinadas com as medidas de produção e consumo sustentáveis em um sistema de garantias ambientais e sociais, a conquista dos objetivos é mais realista.

“Conquistar o progresso econômico e social previsto em alguns ODS requer investimentos simultâneos naturais de capital em outros”, disse o copresidente e o antigo comissário responsável pelo Meio Ambiente Europeu, Janez Potocnik. “Buscar essa primeira meta e atrasar ação nesta segunda não funcionará. Isso implica uma transformação radical na forma como os políticos priorizam os problemas relacionados ao uso dos recursos naturais e do meio ambiente”.

O progresso dos ODS relacionados à segurança alimentar, produção de energia e água e saneamento, por exemplo, depende dos mesmos sistemas fundiários a que estão sujeitas as estratégias de conservação que procuram manter a biodiversidade e ecossistema.

Mudanças nos sistemas de produção que abordam as ineficiências estruturais, produtividade de recursos e as estratégias de conservação vão reduzir apenas de forma limitada a pressão sobre o uso da terra, água e energia para alcançar as metas de segurança alimentar, acesso à energia, abastecimento de água e a resistência às mudanças climáticas. Políticas que abordem o lado das demandas, tais como os padrões de consumo, também serão necessárias.

Sobre o Painel Internacional de Recursos

O Painel Internacional de Recursos é um grupo de mais de 30 especialistas e cientistas renomados internacionalmente e mais de 30 governos nacionais. Sediado na divisão de tecnologia, indústria e economia do PNUMA, foi estabelecido em 2007 como um órgão científico para fornecer avaliações relevantes e independentes aos governos e outras partes interessadas quanto ao uso efetivo e eficientes dos recursos naturais ao longo de todo o ciclo de vida. Os relatórios do Painel têm sido usados e indicados por organizações internacionais, governos nacionais, grupos de reflexão e organizações de pesquisa, academia, indústrias e sociedade civil, nas discussões e planejamento de novas políticas que levem em consideração a produção e consumo sustentáveis e eficientes de recursos.


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