Primeira-ministra britânica alerta para ascensão da extrema direita na Europa e no mundo

A primeira-ministra do Reino Unido, Theresa May, alertou na quarta-feira (26) para “tendências preocupantes” na Europa e no mundo envolvendo a ascensão de movimentos de extrema direita e esquerda. A dirigente esclareceu ainda que o Brexit — a saída do Reino Unido da União Europeia — “não foi uma rejeição do multilateralismo ou da cooperação internacional”, mas uma demanda para que as decisões e a prestação de contas “ficassem mais perto” dos britânicos.

Primeira-ministra do Reino Unido, Theresa May, durante o debate geral da Assembleia Geral da ONU. Foto: ONU/Cia Pak

Primeira-ministra do Reino Unido, Theresa May, durante o debate geral da Assembleia Geral da ONU. Foto: ONU/Cia Pak

A primeira-ministra do Reino Unido, Theresa May, alertou nesta quarta-feira (26) para “tendências preocupantes” na Europa e no mundo envolvendo a ascensão de movimentos de extrema direita e esquerda. A dirigente esclareceu ainda que o Brexit — a saída do Reino Unido da União Europeia — “não foi uma rejeição do multilateralismo ou da cooperação internacional”, mas uma demanda para que as decisões e a prestação de contas “ficassem mais perto” dos britânicos.

“No último século, seja com a ascensão do fascismo ou a propagação do comunismo, vimos como os que estão na extrema direita ou na extrema esquerda exploram os medos das pessoas, alimentam a intolerância e o racismo, fecham economias e sociedades e destroem a paz das nações”, enfatizou a premiê durante pronunciamento no debate da Assembleia Geral da ONU, em Nova Iorque. Segundo May, existe hoje uma retomada desses movimentos extremistas.

“Nós vimos o que acontece quando países passam ao autoritarismo, esmagando lentamente as liberdades e os direitos básicos dos seus cidadãos.”

Ainda de acordo com a primeira-ministra, a comunidade internacional também conhece muito bem as consequências do que descreveu como um “patriotismo agressivo”, responsável por usar o medo e a incerteza para promover políticas de identidade no contexto doméstico e confrontos nos outros países.

Na avaliação da chanceler, o retorno dessas tendências políticas é, em parte, uma resposta à “perda de confiança” nos modelos de governança global.

“A crença no livre mercado foi desafiada pela crise financeira de 2008, pelas preocupações de quem se sente deixado para trás pela globalização, pelas ansiedades em relação ao ritmo e à escala da mudança tecnológica e ao que isso vai significar para os empregos, e pelos movimentos inéditos e em massa de pessoas cruzando fronteiras, com todas as pressões que isso traz”, disse May.

Para a dirigente, países precisam apostar na cooperação em vez de “sucumbir ao protecionismo, com seu caminho certo para a perda de empregos e para a confrontação internacional”. Em sua visão, “garantir avanços para os cidadãos (de cada país) não tem de ser (algo obtido) às custas da cooperação global e dos valores, regras e ideais que a sustentam”.

Sobre o papel de instituições globais, May defendeu a ampliação das atribuições da Organização Mundial do Comércio (OMC), que deve receber um mandato “ambicioso e urgente” para fazer reformas. Essa medida permitiria “manter a confiança num sistema que é crítico para evitar um retorno ao fracassado protecionismo do passado”, completou a primeira-ministra.

Independência da mídia

Theresa May também ressaltou a importância da independência da imprensa, um dos valores fundamentais que devem ser preservados em cada país e na ordem mundial.

“Como muitos líderes, eu imagino, eu nem sempre gosto de ler que a mídia no meu país escreve sobre mim. Mas eu vou defender seu direito de escrever, pois a independência da mídia é uma das maiores conquistas do meu país. E é o alicerce da nossa democracia”, disse a primeira-ministra.

“Assim como defenderei a objetividade e a imparcialidade diante dos que tratam a verdade como mais uma opinião a ser manipulada”, completou a chefe do Governo britânico.


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