Presidente da Comissão de Inquérito para Crimes na Síria lamenta ‘profundo fracasso da diplomacia’

“Estados influentes têm agido de forma equivocada em seus esforços para acabar com o conflito na Síria”, afirmou presidente da Comissão de Inquérito da ONU para os crimes na Síria, o brasileiro Paulo Sérgio Pinheiro.

Presidente da Comissão de Inquérito sobre a Síria, Sergio Paulo Pinheiro. Foto: ONU/Jean-Marc Ferré

Presidente da Comissão de Inquérito sobre a Síria, Sergio Paulo Pinheiro. Foto: ONU/Jean-Marc Ferré

O presidente da Comissão de Inquérito da ONU para os crimes na Síria, o brasileiro Paulo Sérgio Pinheiro, afirmou, nesta terça-feira (23), que o ciclo de violência “cada vez mais acelerado” da Síria continua ceifando vítimas civis e provoca “sofrimento indescritível”. Ele também lamentou a incapacidade da comunidade internacional em acabar com a guerra de quatro anos do país.

“A guerra contínua representa um profundo fracasso da diplomacia”, disse Pinheiro ao Conselho de Direitos Humanos da ONU, em Genebra (Suíça). “Estados influentes têm agido de forma errada em seus esforços para acabar com o conflito na Síria. Enquanto apoiam a necessidade de uma solução política, alguns têm aumentado seu envolvimento militar, acentuando a internacionalização do conflito”.

As declarações de Pinheiro foram feitas no dia em que a Comissão de Inquérito lançou seu mais recente relatório sobre a situação no país que mostra que, em meio a bombardeios do governo e da violência infligida por grupos armados, civis sírios estão levando uma existência cada vez mais precária. Além disso, segundo Pinheiro, “a cada dia há menos lugares seguros na Síria, fato evidenciado pelos deslocamentos em massa de civis dentro e fora do país”.

De acordo com o Escritório das Nações Unidas de Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), cerca de 12 milhões de pessoas no país do Oriente Médio precisam assistência humanitária – um aumento de doze vezes em relação a 2011. Enquanto isso, 7,6 milhões de pessoas foram deslocadas pelo conflito e mais de 4,8 milhões de pessoas precisam de assistência humanitária em locais sitiados e de difícil acesso. Além disso, mais 200 mil pessoas já foram mortas e mais de um milhão ficaram feridas desde que as hostilidades começaram.