Presidente chilena e startup de bicicletas estão entre vencedores de prêmio ambiental da ONU

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Seis líderes e projetos globais receberam nesta terça-feira (5) o principal prêmio ambiental das Nações Unidas, o Campeões da Terra, por suas ações com impacto positivo no meio ambiente. A homenagem foi feita durante a Assembleia Ambiental da ONU que ocorre em Nairóbi, no Quênia, nesta semana.

Os premiados deste ano foram a presidente chilena, Michelle Bachelet; o cientista da NASA Paul A. Newman; o diretor de cinema norte-americano Jeff Orlowski; a startup de compartilhamento de bicicletas Mobike; o presidente da empresa de energia limpa chinesa Elion Resources Group, Wang Wenbiao; e a comunidade de reflorestamento chinesa Saihanba. O relato é da ONU Meio Ambiente.

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Seis líderes e projetos globais receberam nesta terça-feira (5) o principal prêmio ambiental das Nações Unidas, o Campeões da Terra, por suas ações com impacto positivo no meio ambiente. A homenagem foi feita durante a Assembleia Ambiental da ONU que ocorre em Nairóbi, no Quênia, nesta semana.

Os premiados deste ano foram a presidente chilena, Michelle Bachelet; o cientista da NASA Paul A. Newman; o diretor de cinema norte-americano Jeff Orlowski; a startup de compartilhamento de bicicletas Mobike; o presidente da empresa de energia limpa chinesa Elion Resources Group, Wang Wenbiao; e a comunidade de reflorestamento chinesa Saihanba.

“Enquanto enfrentamos ameaças sem precedentes ao nosso meio ambiente, uma forte liderança em todos os níveis é mais importante do que nunca”, disse Erik Solheim, chefe da ONU Meio Ambiente. “Os Campeões deste ano representam o compromisso, a visão e a energia tão desesperadamente necessárias”.

Os vencedores de 2017 receberam o prêmio por sua ação nas seguintes categorias:

Liderança política

A presidente chilena, Michelle Bachelet, recebeu o prêmio por sua destacada liderança na criação de áreas de proteção marinha e no impulso à energia renovável no país. Em outubro de 2015, ela estabeleceu o parque marinho Nazca-Desventuradas, nas ilhas de San Ambrosio e San Felix, e uma série de áreas de proteção e parques marinhos nas ilhas Juan Fernandez.

Ela também ampliou áreas de proteção na Ilha de Páscoa. A cobertura total é agora de mais de 1 milhão de quilômetros quadrados, a maior do mundo. Além da proteção ambiental marinha, suas políticas fizeram a produção de energia renovável subir de 6% para 17% da matriz energética chilena em apenas quatro anos.

“O Chile mostrou ao mundo que você não precisa ser um país rico para preservar o meio ambiente”, disse Bachelet. “Me sinto honrada por ser incluída neste extraordinário grupo de pessoas, e grata por ser reconhecida como uma das ‘Campeãs da Terra’ deste ano, o maior reconhecimento ambiental da ONU”.

Ciência e inovação

O cientista Paul A. Newman e o laboratório de pesquisas espaciais da NASA Goddard Space Flight Center receberam o prêmio por suas contribuições ao Protocolo de Montreal, que eliminou 99% das substâncias que destroem a Camada de Ozônio e levou à sua recuperação.

O primeiro satélite para medir a Camada de Ozônio foi colocado no espaço pelo centro Goddard em 1970, e as primeiras imagens do buraco sobre a Antártica foram feitas utilizando dados de satélite do laboratório em 1985.

Desde o início dos anos 1990, o centro tem sido instrumental em levar atualizações para a Avaliação Científica sobre Destruição do Ozônio, dando atenção ao impacto das políticas na atmosfera e estabelecendo novos marcos para a cooperação científica internacional.

A Camada de Ozônio está agora se recuperando e retornará aos níveis de 1980 por volta da metade deste século. Como resultado, até 2 milhões de casos de câncer de pele podem ser prevenidos a cada ano até 2030.

A emenda Kigali do Protocolo de Montreal, assinada em 2016, está agora focando nos Hidrofluorcarbonetos (HFCs), gases com potencial de provocar aquecimento global. Ações nesta área podem ajudar a evitar um aquecimento de até 0,5° Celsius até o fim deste século.

“A Camada de Ozônio é o nosso protetor solar natural invisível”, disse Newman. “É crucial entender e acompanhar com cuidado esse recurso vital da Terra”.

Visão empreendedora

A startup de compartilhamento de bicicletas Mobike também foi uma das vencedoras por explorar soluções de mercado que combatem a poluição do ar e as mudanças climáticas. Após dois anos de operação, a plataforma tem mais de 100 milhões de usuários registrados em mais de 100 cidades do mundo, com mais de 20 milhões de viagens de bicicleta diárias.

A poluição do ar é um problema grave, particularmente em países como China e Índia, cobrando estimadas 6,5 milhões vidas a cada ano. O compartilhamento de bicicletas é uma alternativa crucial ao transporte motorizado, e empresas como a Mobike contribuem para reduzir a poluição do ar e a mudança do clima.

De acordo com números coletados pela empresa, os usuários da Mobike pedalaram mais de 18,2 bilhões de quilômetros por ano, evitando 4,4 milhões de toneladas de emissões de dióxido de carbono, o equivalente a retirar 12,4 milhões de carros das ruas anualmente.

“É uma grande honra receber este prêmio”, disse o fundador e presidente da Mobike, Hu Weiwei. “Combater a mudança climática, por meio da busca dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas, é uma das mais importantes prioridades do mundo, e nós nos comprometemos usando nossa tecnologia e inovação para ajudar governos e empresas a se unir na criação de uma economia verde impulsionada pelo pedal”.

Inspiração e ação

Vencedor do prêmio Emmy, o diretor de cinema norte-americano Jeff Owlowski também foi um dos contemplados pelo Campeões da Terra por seu trabalho de disseminar mensagens ambientais poderosas para uma audiência global.

Orlowski é o fundador da Exposure Labs, que usa o poder das histórias para criar impacto. Em 2012, ele dirigiu o documentário sobre mudança climática “Chasing Ice”, que já foi exibido em mais de 170 países, 70 universidades, mais de 75 festivais de cinema, na Casa Branca e na ONU.

Seu mais novo filme, “Chasing Coral”, foca nos efeitos do aquecimento dos oceanos e da acidificação desses ecossistemas vulneráveis. O documentário premiado é resultado de mais de 500 horas de filmagem debaixo d’água, da criativa adoção de tecnologias de ponta, da coleta de imagens captadas por voluntários de 30 países e do apoio de mais de 500 pessoas no mundo todo. O filme ganhou o prêmio da audiência de melhor documentário norte-americano no festival de Sundance.

A campanha do “Chasing Coral” é impulsionada pela missão central de inspirar uma nova onda de “campeões do clima” em lugares inesperados, chamando as pessoas a filmar e agir para proteger os arrecifes de corais que estão morrendo no mundo todo.

“O colapso de nossos arrecifes é um alerta precoce, porém urgente, sobre a ameaça que paira sobre todos os ecossistemas”, disse Orlowski. “Espero que esse prêmio possa ajudar a revelar essa história escondida no nosso oceano para o mundo”.

Visite o site www.ChasingCoral.com para saber mais. Os dois filmes podem ser assistidos no Netflix.

Transformação

A comunidade de reflorestamento chinesa Saihanba venceu o prêmio por transformar uma área degradada em um paraíso verdejante.

Saihanba, que cobre 92 mil hectares no sul da região autônoma chinesa da Mongólia Interior, foi praticamente destruída na década de 1950 devido a uma exploração madeireira excessiva, o que fez com que os ventos levassem areia dos desertos do norte para Pequim.

Em 1962, centenas de silvicultores começaram a plantar árvores na região. Três gerações de silvicultores aumentaram a cobertura da floresta de 12% para 80%. A mata agora fornece 137 milhões de metros cúbicos de água limpa para áreas de Pequim e Tianjin a cada ano, enquanto descarrega 550 mil toneladas métricas de oxigênio. A iniciativa impulsionou o crescimento econômico de setores verdes, movimentando 15,1 milhões de dólares somente em 2016.

“Nos 55 anos de existência da floresta, as pessoas têm cultivado árvores e protegido a mata como se fosse seus filhos”, disse Liu Haiying, diretora da fazenda florestal Saihanba.

“Acredito que, enquanto continuarmos a promover uma civilização ecológica, geração após geração, a China pode criar mais milagres verdes como Saihanba e atingir a harmonia entre humanos e natureza”.

Prêmio de realização em vida

Wang Wenbiao, presidente do grupo chinês Elion Resources, venceu o prêmio por sua liderança na indústria verde. Conhecido na China como “filho do deserto”, Wang, de 61 anos, chefia a maior empresa privada de energia limpa da China, com mais de 1,6 bilhão de dólares em ativos.

Ele comprou a produtora de sal Hangjinqi Saltworks em 1988, localizada no meio do deserto de Kubuqi. Logo percebeu que as dificuldades com o negócio poderiam ser atribuídas ao deserto — a areia interferia na produção e dificultava o transporte dos produtos para fora da fábrica.

O empresário reuniu-se, então, com comunidades locais e com o governo de Pequim para combater a desertificação, que atinge cerca de 18,6 mil quilômetros quadrados na Mongólia Interior. Séculos de pastagens destruíram o solo, deixando cerca de 70 mil pessoas com dificuldades para sobreviver.

Agora, cerca de dois terços do deserto foi reflorestado e as comunidades locais têm empregos e um ambiente mais agradável. Pesquisa da ONU Meio Ambiente estimou que o projeto tem um valor líquido de 1,8 bilhão de dólares.

A iniciativa demonstra como a indústria pode tanto lucrar como dar uma contribuição positiva para o combate à mudança climática, para o impulso ao desenvolvimento sustentável e muitas outras questões ambientais.

“Meu único objetivo em vida é combater a desertificação para um mundo mais verde, com mais montanhas verdejantes com água limpa”, declarou Wang.

Sobre o Campeões da Terra

O prêmio anual Campeões da Terra é entregue a líderes de destaque de governos, sociedade civil e setor privado cujas ações tiveram impacto positivo no meio ambiente.

Desde que foi criado, 13 anos atrás, o prêmio reconheceu 84 pessoas — de líderes de países a ativistas — nas categorias de política, ciência, negócios e sociedade civil.


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