Preocupada com crise em Yarmouk, ONU cobra ação da comunidade internacional

O comissário-geral da UNRWA visitou o campo de refugiados onde milhares de sírios e palestinos continuam sitiados e sofrem com o combate entre os diferentes grupos armados.

Comissário-geral da UNRWA, Pierre Krähenbühl fala com a imprensa durante sua visita à Síria. Foto: UNRWA/Taghrid Mohammed (arquivo)

Comissário-geral da UNRWA, Pierre Krähenbühl fala com a imprensa durante sua visita à Síria. Foto: UNRWA/Taghrid Mohammed (arquivo)

Os milhares de refugiados palestinos e sírios presos no campo de Yarmouk têm sofrido incalculáveis violações em meio a intensificação das hostilidades entre os grupos armados na área, declarou nesta segunda-feira (13) a Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina (UNRWA).

“Podemos todos concordar que opções pacíficas para resolver a crise de Yarmouk fornecerão a melhor solução neste momento para a proteção dos civis”, disse Pierre Krähenbühl, comissário-geral da UNRWA, em seu segundo dia de visita à capital da Síria, Damasco, onde está o campo Yarmouk. Durante a missão, o principal representante da Agência avalia a situação na localidade e mobiliza líderes para canalizar ajuda financeira para estes refugiados.

Desde 1º de abril, Yarmouk tem sido palco de intenso combate entre grupos armados, incluindo elementos do Estado Islâmico do Iraque e do Levante (ISIL), tornando praticamente impossível para os civis deixarem o local.

Entre os 18 mil refugiados sitiados em Yarmouk estão 3.500 crianças, que dependeram da distribuição intermitente da UNRWA de alimentos e outros tipos de assistência por mais de um ano. Em algumas áreas onde as operações humanitárias foram interrompidas, milhares de pessoas ficaram sem ajuda por meses.

Referindo-se ao seu contato com os refugiados afetados pela crise em Yarmouk, Krähenbühl disse estar profundamente comovido com os relatos dos que tinham sido obrigados a fugir de violentos combates ao redor e dentro do acampamento, e cuja capacidade de resiliência e dignidade foi “verdadeiramente humilhada”.

“A dimensão humana deve motivar o sistema internacional, em todos os níveis, e deve fornecer o maior imperativo para agir”, ele concluiu. “O conflito sírio tem uma face humana. Esses indivíduos, com dignidade e um destino, devem estar no centro das nossas respostas, enquanto enfrentamos as complexidades de proteger civis, em Yarmouk e além.”