Preocupada com aumento de uso de cigarros eletrônicos, OMS propõe regulamentar venda e propaganda

Novo relatório da OMS divulga uma lista de recomendações para impedir, principalmente, sua disseminação entre adolescentes e evitar que haja retrocessos nos avanços de controle do tabaco.

O uso do cigarro eletrônico entre adolescentes duplicou de 2008 até 2012. Foto: OMS

O uso do cigarro eletrônico entre adolescentes duplicou de 2008 até 2012. Foto: OMS

Os cigarros eletrônicos, conhecidos como e-cigarros, representam uma “evolução na fronteira, cheia de promessas e ameaças para o controle do tabaco”, afirma a Organização Mundial da Saúde (OMS) em um relatório – Sistemas eletrônicos de nicotina – lançado nesta terça-feira (26). A OMS também solicitou sua regulamentação para impedir sua propagação entre não fumantes e jovens.

“A evidência mostra que enquanto eles são menos tóxicos que os cigarros convencionais, o uso dos e-cigarros significa uma ameaça para adolescentes e fetos de mulheres grávidas que usam este aparelho”, disse o diretor de prevenção de doenças não comunicáveis da OMS, Douglas Bettcher.

O relatório ressalta, por exemplo, que o a solução usada nesses sistemas eletrônicos não é meramente “vapor de água”, como a propaganda indica. Hoje existem mais de 8 mil sabores diferentes, incluindo alguns afrutados, doces e que lembram bebidas alcoólicas. Para controlar sua disseminação entre jovens e uma possível adicção à nicotina, o relatório faz várias propostas de regulamentação, incluindo a proibição da venda de certos sabores que podem ser atrativos para crianças e adolescentes; o uso desses aparelhos em lugares fechados; o controle da propaganda para crianças e adolescentes e impedir a divulgação de mensagens cujos benefícios não possam ser demonstrados.

Entre os adolescentes aumenta a tendência de experimentar e-cigarros, segundo revela o relatório, com uma duplicação do número de usuários desse grupo entre 2008 e 2012. Além disso, a Organização ressalta que não existem evidências conclusivas de que estes sistemas ajudem aos usuários a deixarem de fumar.

Atualmente, o negócio dos e-cigarros mobiliza cerca de 3 bilhões de dólares, no qual a indústria tabagista tem uma participação cada vez maior. Por isso, a OMS destaca que é importante proibir a divulgação de qualquer benefício de saúde associado aos cigarros eletrônicos que não possa ser provado e continuar investindo nos esforços de controle do tabaco.