Prêmio da ONU Meio Ambiente homenageia inovadores do desenvolvimento sustentável

Um titã do mundo corporativo com uma agenda não convencional, especialistas em alimentos que pensam de maneira inovadora e uma mergulhadora cujo nome se tornou sinônimo de conservação. Estes são apenas alguns dos heróis ambientais que dedicaram suas vidas a concretizar visões audaciosas de um mundo melhor.

Esses foram alguns dos vencedores do Prêmio Campeões da Terra da ONU Meio Ambiente, a mais prestigiada premiação ambiental do mundo. Suas ações inspiraram outros na luta por um mundo mais saudável, equilibrado e sustentável.

A contagem regressiva para o anúncio dos Campeões da Terra 2019 e para a Cúpula de Ação Climática no dia 23 de setembro, em Nova Iorque, já começou. À medida que o mundo se mobiliza para reduzir as emissões de carbono antes que os efeitos do aquecimento global se tornem inevitáveis, a visão dos vencedores de anos anteriores se torna mais necessária do que nunca.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, quer líderes mundiais, empresas e sociedade civil presentes na cúpula com planos concretos para reduzir as emissões em 45% na próxima década e atingir zero emissões até 2050, em linha com o Acordo de Paris sobre Mudança do Clima e com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

É necessária uma transformação econômica e social completa. Em suma, é um trabalho para verdadeiros heróis.

A boa notícia é que cidadãos exemplares já estão dispostos a ajudar nesse avanço. Os Campeões da Terra têm demonstrado, ano após ano, que é possível uma mudança real quando os indivíduos se comprometem a reorganizar os estilos de vida de forma a preservar os recursos do planeta e garantir a própria sobrevivência.

A ONU Meio Ambiente analisou cinco Campeões da Terra que transformaram seu próprio mundo.

O magnata pioneiro — Paul Polman, diretor-executivo da Unilever

Campeão em 2015: Visão empreendedora

Durante mais de uma década como CEO da Unilever, Paul Polman sempre ousou fazer as coisas de forma diferente. Muito antes da “sustentabilidade” se tornar uma palavra em voga, Paul procurou dissociar o crescimento econômico da degradação ambiental e aumentar o impacto social positivo da Unilever.

Desde que deixou o cargo no ano passado, Polman continuou seu trabalho colocando a sustentabilidade no centro dos negócios globais. Ele é presidente da Câmara Internacional de Comércio e, recentemente, co-fundou a fundação Imagine para ajudar a erradicar a pobreza e combater a mudança climática, ajudando empresas a seguirem os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Polman anunciou a notícia no Twitter, citando a letra da canção de John Lennon: “você pode dizer que sou um sonhador, mas não sou o único”.

Ele gostaria de ver os “heroicos CEOs” conduzirem uma mudança para uma forma mais inclusiva e sustentável de fazer negócios. Essa convocação está alinhada a uma das seis prioridades estabelecidas pelo secretário-geral da ONU para a Cúpula de Ação Climática — mobilizar fontes de financiamento públicas e privadas para impulsionar a descarbonização de todos os setores prioritários e aumentar a resiliência.

A ambiciosa agenda da Cúpula encontra eco no coração de Polman. Em um tweet, ele endossou o chamado de Guterres para ação urgente: “com o aumento da temperatura, a natureza está gritando o que já sabíamos — não há tempo a perder contra a mudança climática”.

Os inconformados da indústria alimentícia — Beyond Meat e Impossible Foods

Campeão em 2018: Ciência e Inovação

As emissões de gases causadores do efeito estufa pelo setor agrícola estimularam os apelos por uma dieta mais baseada em plantas e vegetais. Mas como fazer com que consumidores famintos e amantes de carne vermelha mudem de opinião?

Os empreendedores e criadores da Beyond Meat e da Impossible Foods aceitaram esse desafio com entusiasmo e venceram o prêmio Campeões da Terra por criar alternativas sustentáveis aos hambúrgueres de carne bovina.

A Beyond Meat trabalhou com cientistas renomados para remover os principais componentes da carne e extraí-los das plantas, usando ingredientes como ervilhas, beterraba, óleo de coco e amido de batata.

A Impossible Foods tomou um rumo ligeiramente diferente para chegar a um resultado semelhante. A equipe do CEO Patrick Brown descobriu uma molécula contendo ferro que existe naturalmente em cada célula de cada animal e planta — e que é responsável pelos sabores e aromas únicos da carne. Esses conhecimentos foram utilizados para produção de um hambúrguer sem carne.

As duas empresas exploraram uma demanda crescente, especialmente entre os consumidores mais jovens, por produtos que sejam bons tanto para o planeta quanto para as pessoas, provando que faz sentido para os negócios aproveitar essa vontade sem causar danos ao planeta.

A atitude deles é exatamente o que é necessário em escala global para combater a crise climática.

Como disse Patrick Brown: “existem grandes problemas globais, mas eles são solucionáveis e vamos resolvê-los. Aguarde”.

O filho do Deserto — Wang Wenbiao, presidente do Elion Resources Group

Campeão em 2017: Realização vitalícia

Quando Wang Wenbiao comprou a Salina Hangjinqi no meio do deserto de Kubuqi, na Mongólia, em 1988, embarcou em uma aventura que o levaria ao topo da maior empresa privada do setor dos empreendimentos verdes, o Elion Resources Group.

Como toda jornada interessante, sua viagem começou com um problema: como tornar as salinas rentáveis, já que o deserto rastejante havia engolido o lago de sal, danificando equipamentos e dificultando o transporte do sal para o mercado?

Wang Wenbiao, que cresceu em Kubuqi, uniu-se às comunidades locais e ao governo de Pequim para conter as areias que avançavam e dar esperança a algumas das 70 mil pessoas que lutavam para sobreviver.

Ao fazer isso, demonstrou como a iniciativa privada pode contribuir na luta contra as mudanças climáticas e a degradação do meio ambiente, gerando benefícios simultaneamente.

Wenbiao criou um fundo especial para financiar o reflorestamento e designou um terço de sua equipe para plantar árvores ao redor do lago. Ele também incentivou a população local a cultivar alcaçuz, uma planta resistente que cresce bem nos desertos e é amplamente usada na medicina tradicional chinesa. Elion forneceu sementes, treinamento e outros formas de apoio aos locais.

Hoje, cerca de dois terços do deserto estão esverdeados e Wang, que é conhecido como o Filho do Deserto, disse querer continuar sua ação por um longo período. “Esverdear os desertos é como uma maratona, enquanto houver um deserto, minha maratona não chegará ao fim”, afirmou.

O sonhador holandês — Boyan Slat

Campeão em 2014: Inspiração e ação

Boyan Slat, inovador holandês, tinha apenas 19 anos quando ganhou o prêmio de Campeão da Terra na categoria Inspiração e ação. Mesmo muito jovem, já tinha uma missão: limpar os oceanos de resíduos plásticos com uma barreira flutuante revolucionária.

Desde então, Slat deu vida à sua visão com o projeto The Ocean Cleanup. Embora sua equipe tenha sido forçada a trazer o primeiro protótipo de volta ao porto, retornou ao mar na esperança de recolher alguns dos trilhões de pedaços de plástico que estão sufocando nossos peixes, matando animais marinhos, danificando recifes de coral e transformando praias em lixões.

A paixão contínua de Slat por seu projeto reflete a crescente preocupação do público. Em 2017, a ONU Meio Ambiente lançou a campanha Mares Limpos para inspirar governos, empresas e pessoas a tomar medidas contra a poluição plástica, incluindo limpeza de praias, redução do uso de plástico e maior investimento em instalações de reciclagem.

O System 001 original da Slat — um flutuador em forma de U com 600 metros de comprimento e uma saia cônica de três metros de profundidade anexada abaixo para prender o plástico — foi lançado em setembro de 2018 e rebocado para o Great Pacific Garbage Patch, uma gigantesca onda de lixo com o dobro do tamanho da França.

Mas a equipe da Ocean Cleanup descobriu que o flutuador estava falhando em segurar o plástico. Eles tentaram modificar o projeto no mar, mas acabaram sendo forçados a voltar ao porto depois de ele ter quebrado pelo cansaço.

Mais testes e modificações foram necessários, mas, em agosto, Slat disse que o Sistema 001/B chegou à placa de resíduos do Pacífico Norte.

“É seguro dizer que estamos mais próximos do que nunca de uma ferramenta capaz de limpar permanentemente essas áreas”, escreveu ele no site The Ocean Cleanup.

“Profunda” — Sylvia Earle

Campeão em 2014: Liderança vital

Uma renomada bióloga norte-americana e pioneira da exploração em águas profundas, Sylvia Earle dedicou sua vida a explorar e proteger os oceanos. Sua filosofia é simples: “precisamos respeitar os oceanos e cuidar deles como se as nossas vidas dependessem deles, porque dependem”.

Earle, de 83 anos, registrou mais de 7 mil horas embaixo d’água em mais de 100 expedições — incluindo a liderança da primeira equipe de mulheres aquanautas e um recorde de mergulho solo a uma profundidade de 1 mil metros. Sua lista de títulos é impressionante: ela já foi chamada de Lenda Viva, Heroína para o Planeta e a Face da Biologia Marinha.

Earle foi a primeira mulher a servir como cientista-chefe da Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos e, desde 1998, é exploradora na National Geographic Society.

É também fundadora da Deep Ocean Exploration and Research Inc e da Sylvia Earle Alliance, além de líder da National Geographic Society Sustainable Seas Expeditions.

Em 2009, fundou a Mission Blue, uma aliança global para estimular o apoio público à proteção de uma rede de Pontos de Esperança — lugares especiais que são vitais para a saúde do oceano. A aliança visa aumentar significativamente a proteção dos oceanos até 2020.

Em 2014, recebeu o prêmio Campeões da Terra na categoria Liderança Vital. Earle continua viajando pelo mundo, procurando inspirar os outros com sua paixão pela preservação dos nossos mares.