Premiados pela ONU, jovens expressam a importância das florestas através de curtas e fotos

Olga Lavrushko, uma estudante de engenharia de 21 anos da Ucrânia e vencedora do primeiro Concurso Internacional de Fotografia de Florestas da ONU. Foto: Arquivo pessoal.

Elio Alonso Vasquez, um jovem de 19 anos que cresceu em uma das cidades mais vibrantes da América Latina — Arequipa, no Peru, que está inscrita na lista do Patrimônio Mundial da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) — é um dos premiados nesta semana, em Istambul, durante a décima sessão do Fórum das Nações Unidas sobre as Florestas (UNFF10).

Foi quando Alonso se mudou para Noruega — onde estuda atualmente — que visitou uma floresta pela primeira vez, e de onde tirou a inspiração para o seu filme intitulado “Sinta-se como uma montanha”. A obra conta a história de como ele passou a apreciar as florestas, com um foco especial em como elas são importantes para os povos indígenas no Peru.

“Depois de estar na floresta, pensei em todos os anos que vivi no Peru e não me importava com ela”, disse ele.

O filme relata um incidente em junho 2009, onde um protesto de indígenas na área de Bagua, na Amazônia, contra a exploração dos recursos naturais de suas terras foi reprimido pela polícia e acabou com a morte de 33 pessoas.

Alonso acredita que os povos indígenas enfrentam muitos desafios, mas que a desigualdade é o mais difícil. “Nós não pensamos neles como parte da nação. Nós não queremos acreditar que eles fazem parte do grupo, que possuem os mesmos direitos… As pessoas não se sentem ligadas umas às outras.”

“O objetivo deste filme é incentivar os jovens do Peru a pensar sobre esta questão, para reagir e fazer alguma coisa”, disse Alonso, reconhecendo porém, que conseguir motivar os jovens hoje em dia é um desafio árduo.

“Nós vivemos em uma outra geração. Estamos mais concentrados no Facebook, nos smartphones e na tecnologia. Nós não nos sentimos conectados com a natureza. Eu sinto que se nós não nos identificamos com alguma coisa, nós não vamos nos mobilizar para protegê-la.”

Sébastien Pins, de 22 anos, sempre foi fascinado pelos mistérios da natureza, graças à influência de sua mãe. Nascido e criado na Bélgica, o universitário já recebeu diversos prêmios por toda a Europa. Com oito anos, ele escreveu e dirigiu a sua primeira cena de teatro e, aos 20, tornou-se um pirotécnico profissional.

Seu filme premiado — e com imagens deslumbrantes — “Ma Forêt” (Minha Floresta) retrata a incursão de uma criança para a floresta e a sua fascinação com tudo o que encontra lá.

“Meu objetivo ao fazer o filme era comover muitas pessoas usando o recurso da criança, para convencer os espectadores da importância das florestas”, disse Sébastien. “Muitos jovens não estão muito preocupados com as florestas, e se eu não consigo convencê-los com uma conversa, então vou tentar com filmes que emocionam”, disse ele, enfatizando que o cinema pode ser um artifício poderoso para influenciar as pessoas.

A estudante de engenharia Olga Lavrushko nem sequer possui uma câmera digital. Mas isso não impediu que a jovem de 21 anos da Ucrânia disputasse o primeiro concurso do Fórum de Fotografia Internacional sobre Florestas — com uma foto tirada a partir de uma câmera analógica, produzida na antiga União Soviética na década de 70.

“Fiquei realmente surpresa quando recebi a carta de parabéns, porque eu não posso me considerar uma fotógrafa”, disse ela. Uma verdadeira aventureira, Olga fez a foto vencedora em uma floresta perto da sua cidade.

Outro premiado foi Prasetyo Nurramdhan, um jovem indonésio de 21 anos que aprendeu a fotografar sozinho. Ele se interessou pela fotografia ainda na escola. Atualmente estuda tecnologia da informação e escreve sobre “problemas adolescentes” para um jornal local chamado Compass.

O Secretário-Geral da ONU transformou em prioridade trabalhar com jovens e, no início deste ano, nomeou o primeiro Embaixador da Juventude para atender às necessidadesdes da maior geração de jovens que o mundo já conheceu.

Os jovens também estão entre os nove “grandes grupos” — chamados de Major Groups em eventos da ONU — participantes na sessão do Fórum. Tolulope Daramola, da Associação Internacional de Estudantes de Silvicultura e coordenador do grupo, ressaltou que os jovens são vitais na abordagem sobre florestas e a sua gestão sustentável.

“A verdadeira compreensão do valor das florestas e a sua contribuição para o desenvolvimento sustentável, só pode ser alcançado quando os valores sociais e culturais estiverem ligados ao meio ambiente, aos valores econômicos e no reconhecimento da posição dos jovens como parceiros importantes, e não apenas como indivíduos.”

Paul Rosolie, norte-americano de 25 anos, se interessou por florestas ainda menino, morando em Nova Jersey, mas descobriu que não existiam muitas delas por perto.

“Eu estava muito curioso e ansioso para sair e conhecer o mundo, então, quando eu tinha 18 anos, viajei para o lugar dos meus sonhos — a Amazônia ocidental, no Peru — e de lá me envolvi imediatamente na luta da comunidade local para proteger sua floresta”, disse ele.

Ao trabalhar com as comunidades indígenas para proteger suas florestas através do ecoturismo responsável, Paul passou mais de sete anos com pessoas que sabem tudo sobre floresta. Embora ele tenha se especializado na Amazônia ocidental, seu trabalho também o levou a Bornéu, Índia e Brasil.

Na Amazônia, ele viajou para dentro da mata com caçadores, documentando o comércio de espécies em extinção no mercado negro, estudou sobre anacondas gigantes e explorou um ecossistema ainda não documentado, conhecido como o “floresta flutuante”.

O atual foco de Paul é contar histórias. Um dos jurados do concurso de curtas da ONU descreveu o seu filme sobre a vida selvagem na Amazônia, intitulado “Um Mundo Invisível”, como “o cinema ambiental na sua mais crua e inovadora forma”.

Ele acredita que este é um momento crucial na história da Amazônia e que a sua geração tem a responsabilidade de garantir a sua sobrevivência. “Eu estou 100% comprometido com as florestas, para sempre. Eu não consigo fazer mais nada. Eu não quero fazer mais nada.”