Prejuízos por desastres naturais somam 2,5 trilhões de dólares só neste século, calcula ONU

Relatório afirma que perdas econômicas causadas por terremotos, tsunamis, tornados e secas só podem ser reduzidas com ampliação de parceria com setor privado.

Em Bangladesh, uma medida inovadora 'à prova de desastres' foi construída em Shymnagar para uma aldeia costeira, destruída após o ciclone Aila. Foto: PNUD Bangladesh/Nasif Ahmed

Em Bangladesh, uma medida inovadora ‘à prova de desastres’ foi construída em Shymnagar para uma aldeia costeira, destruída após o ciclone Aila. Foto: PNUD Bangladesh/Nasif Ahmed

A ONU alertou nesta quarta-feira (15) que as perdas econômicas causadas por desastres estão “fora de controle”, chamando a comunidade global de negócios a incorporar a gestão de risco de desastres em suas estratégias de investimento, de modo a evitar novas perdas.

Intitulado “Criação de Valor Compartilhado: o Caso de Negócio para a Redução do Risco de Desastres”, o relatório de avaliação global (GAR13) – elaborado pela Estratégia Internacional das Nações Unidas para a Redução de Desastres (UN/ISDR) – realizou revisões de perdas de desastres em 56 países, constatando que as perdas diretas de inundações, terremotos e secas têm sido subestimadas em pelo menos 50%. Somente neste século, as perdas de desastres somam 2,5 trilhões de dólares.

“Não vamos fugir do significado desses números: as perdas econômicas causadas por desastres estão fora de controle”, disse o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon. “Eles só podem ser reduzidos em parceria com o setor privado, incluindo os bancos de investimento e companhias de seguros.”

Das 1.300 pequenas e médias empresas em seis cidades propensas a catástrofes nas Américas pesquisadas pelo relatório, três quartos sofreram interrupções nos negócios devido aos danos ou à destruição dos serviços públicos de energia, telecomunicações e água. No entanto, apenas uma minoria delas – 14,2% no caso das empresas com menos de 100 funcionários – tinha uma abordagem básica para a gestão de crises.

O relatório ressaltou que os modelos de negócio vigentes no desenvolvimento urbano, agronegócio e turismo costeiro – três setores-chave de investimento – continuam a impulsionar o risco de desastres, pedindo que as parcerias entre o setor privado e o governo coloquem em prática e melhorem as estratégias de gestão de crises.

Margareta Wahlström, representante especial do secretário-geral da ONU para o tema, disse que um foco importante da “Plataforma Global para a Redução de Risco de Desastres”, que será realizada em Genebra na semana que vem, será “a mudança de atitude no setor privado, no desenvolvimento de uma abordagem mais sistemática na gestão de risco de desastres com o setor público, para tornar o mundo um lugar mais seguro”.