Preços dos alimentos na América Latina e Caribe aumentam 40% em 4 anos, afirma relatório da FAO

O Panorama da Segurança Alimentar e Nutricional na América Latina e Caribe 2011 avalia que a região enfrenta a maior volatilidade dos últimos 30 anos.

Os preços dos alimentos na América Latina e Caribe estão a um nível 40 % maior do que há quatro anos. A região experimenta a maior volatilidade dos últimos 30 anos. A informação é da principal publicação do Escritório Regional da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), o Panorama da Segurança Alimentar e Nutricional na América Latina e o Caribe 2011.

O Panorama foi lançado ontem (16/10), data que marcou o Dia Mundial da Alimentação em todo o mundo. Até esse dia, a América Latina e o Caribe registravam 52,5 milhões de pessoas afetadas pela fome, o correspondente a 9 % da população. De acordo com o Panorama, o aumento nos preços e uma maior inflação geral podem agravar as taxas de pobreza da região e diminuir ainda mais o acesso aos alimentos.

“A combinação de aumento e volatilidade de preços provoca uma situação que não beneficia os produtores nem os consumidores”, disse o brasileiro e Representante Regional da FAO, José Graziano da Silva.

Preços altos também são uma oportunidade

O Panorama observa que os altos preços também podem transformar-se em uma oportunidade de maior renda para a agricultura familiar e para incentivar o investimento e a produção agroalimentar, assim como as exportações de alguns países, se forem implementadas as políticas adequadas.

A agricultura familiar requer políticas específicas para aumentar sua produtividade e melhorar sua inserção nos mercados de produtos, insumos e financiamento. Os elevados preços dos produtos básicos agrícolas também constituem uma oportunidade real de dinamização do comércio intrarregional de alimentos e, particularmente, dos alimentos básicos tradicionais como feijão, milho branco e quinoa. Isto é um ponto-chave, já que aproximadamente 40% de todas as importações de alimentos na América Latina e o Caribe provém da mesma região.

“Devemos aproveitar a oportunidade de colocar em marcha políticas produtivas e redistributivas de longo prazo, com as quais abordar estruturalmente o objetivo de fortalecer a segurança alimentar na região e reduzir as profundas desigualdades na distribuição da renda”, acrescentou Graziano da Silva.