‘Preço pago por rodovias inseguras é muito alto’, alerta chefe da OMS em Conferência em Brasília

A 2ª Conferência Global de Alto Nível sobre Segurança no Trânsito contou com a participação da presidenta Dilma Rousseff e representantes de outros Estados-membros. Medidas preventivas e conscientização da população foram alguns dos temas debatidos.

Trânsito em avenida movimento no estado de São Paulo. Foto: Fotos Públicas / Oswaldo Corneti

Trânsito em avenida movimento no estado de São Paulo. Foto: Fotos Públicas / Oswaldo Corneti

A Organização Mundial da Saúde (OMS) realizou nesta quarta-feira (18) a 2ª Conferência Global de Alto Nível sobre Segurança no Trânsito, em Brasília. O evento contou com a participação da diretora-geral da agência da ONU, Margaret Chan, da presidenta do Brasil, Dilma Rousseff, e de representantes de agências e Estados-membros. O encontro debateu questões e problemas globais e regionais.

“O preço pago por rodovias inseguras é muito alto, tanto em termos econômicos, quanto em sofrimento humano”, afirmou Chan durante a abertura da Conferência. “A assistência a traumas é custosa. Reabilitação é custosa. Nós nunca podemos esquecer que o trânsito é uma das principais causas de deficiências permanentes”, disse. Para a chefe da OMS, é necessário que todos trabalhem juntos para criar um mundo livre de altos riscos no trânsito.

Para a diretora da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), Clarissa Etienne, “o governo não pode fazer tudo sozinho. As pessoas precisam ser responsáveis e usar capacetes, não beber ou usar telefones ao dirigir. O comportamento individual também precisa mudar para apoiar as leis nacionais”.

Avanços no Brasil

A presidenta Dilma destacou iniciativas brasileiras que contribuem para reduzir a insegurança no trânsito, como a lei que proíbe dirigir após a ingestão de qualquer quantidade de álcool, a obrigatoriedade de cadeiras específicas para crianças e o uso do cinto de segurança. Também presente na Conferência, a neta do ex-presidente sul-africano Nelson Mandela, Zoleka Mandela, lembrou que “todos os dias 500 crianças morrem no trânsito em todo o mundo”.

Em evento paralelo sobre as políticas de segurança no trânsito na América Latina e Caribe, a dirigente da OPAS criticou fabricantes de automóveis que adotam diferentes padrões de segurança para os seus veículos, de acordo com as leis de cada país. A agência tem procurado mapear desigualdades entre medidas de segurança na região, além de informar a população.

“Nós também estamos tentando, por exemplo, mostrar para as pessoas que radares que controlam a velocidade de veículos não são uma ‘indústria da multa’, disse a assessora regional para a segurança no trânsito, Eugênia Rodrigues. O subsecretário de Transportes do Chile, Cristián Bowen Garfias, identificou em seu país um progresso na conscientização a respeito dos riscos nas estradas. Uma pesquisa recente revelou que a maioria dos chilenos é a favor da redução do limite de velocidade permitido por lei.