Portugal adere à campanha Coração Azul contra o tráfico de pessoas

Estima-se que, em toda a Europa, cerca de 140 mil vítimas do tráfico de pessoas estejam presas a um ciclo vicioso de violência, abuso e degradação.

(UNODC)Portugal aderiu à campanha Coração Azul contra o Tráfico de Pessoas, promovida pelo Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crimes (UNODC). Por causa de sua localização, o país serve como destino e local de trânsito para vítimas do tráfico de pessoas. Estima-se que, em toda a Europa, cerca de 140 mil vítimas do tráfico de pessoas estejam presas a um círculo vicioso de violência, abuso e degradação.

“Espero ver o Coração Azul, simbolizando uma solidariedade ativa com vítimas em todo o mundo, espalhando-se cada vez mais”, disse Teresa Morais, Secretária de Estado para Assuntos Parlamentares e Igualdade. Pesquisa do UNODC mostra que, muitas vezes, as vítimas são enganadas pelo recrutador que é um parente, suposto amigo ou alguém da confiança delas. Um terço das vítimas vem dos Balcãs, enquanto 19% da ex-União Soviética, 13% da América do Sul, 7% da Europa Central, 5% da África e 3% do Leste da Ásia. As vítimas da América do Sul tendem a se concentrar em vários países europeus, incluindo Portugal.

“Na Europa, uma pessoa é traficada a cada oito minutos para fins de exploração sexual. O tráfico de pessoas é um dos negócios ilícitos mais lucrativos na Europa”, disse Pierre Lapaque, chefe da Unidade sobre Crime Organizado do UNODC. Estima-se que os grupos criminosos lucrem cerca de 2,5 bilhões de euros anualmente por meio da exploração sexual das vítimas. A quantidade de condenações, no entanto, continua relativamente baixa, em comparação com o número de vítimas.

De acordo com o UNODC, a exploração sexual é, de longe, a forma mais comum de tráfico de seres humanos (79 %). No entanto, isto pode ser devido ao fato de que este crime tende a ser mais visível e mais frequentemente relatado. Em comparação, quase um quinto (18 %) do tráfico de seres humanos se destina ao trabalho forçado, susceptível de ser subnotificado, já que as vítimas geralmente trabalham em locais escondidos.

“Devemos ser extra vigilantes e impedir que as pessoas mais vulneráveis fiquem à mercê de criminosos. Devemos investir em mecanismos apropriados de apoio às vítimas e dar uma resposta de efetiva aplicação da lei para punir aqueles que exploram os outros”, concluiu Pierre Lapaque.