População mais pobre foi principal afetada por inundações de 2015 em Porto Alegre, diz Banco Mundial

Em relatório divulgado nesta semana (24), o Banco Mundial aponta que as inundações e alagamentos de outubro de 2015, em Porto Alegre (RS), causaram prejuízos de 73 milhões de reais. O custo da enxurrada inclui danos materiais a bens públicos e privados. Levantamento alerta ainda que as chuvas afetaram desproporcionalmente os moradores mais pobres da capital gaúcha.

Em Porto Alegre (RS), chuvas de outubro de 2015 invadiram o Cais Mauá. Foto: Prefeitura de Porto Alegre/Luciano Lanes

Em Porto Alegre (RS), chuvas de outubro de 2015 invadiram o Cais Mauá. Foto: Prefeitura de Porto Alegre/Luciano Lanes

Em relatório divulgado nesta semana (24), o Banco Mundial aponta que as inundações e alagamentos de outubro de 2015, em Porto Alegre (RS), causaram prejuízos de 73 milhões de reais. O custo da enxurrada inclui danos materiais a bens públicos e privados. Levantamento alerta ainda que as chuvas afetaram desproporcionalmente os moradores mais pobres da capital gaúcha.

As tempestades de quase quatro anos atrás foram as mais graves na história da cidade, depois dos eventos climáticos registrados em 1941. Em toda Porto Alegre, os desastres de 2015 afetaram 9.420 pessoas, entre as quais 235 ficaram desabrigadas (sem residência e com necessidade de ser levada para abrigo do governo) e 8.184, desalojadas (sem residência, mas sem precisar necessariamente de moradia das autoridades).

As chuvas também danificaram as estruturas de 2,8 mil unidades habitacionais, 30 prédios públicos, 61 instalações estatais de ensino, cinco edifícios de prestadores de outros serviços públicos e 34 obras de infraestrutura pública.

Os números fazem parte da pesquisa Convivendo com as inundações: um estudo para construir resiliência com as comunidades de Porto Alegre. A análise foi elaborada por uma parceria do Banco Mundial com a Prefeitura e líderes comunitários, além de apoio da Fundação Rockfeller. O objetivo do relatório é oferecer orientações sobre como se preparar para os próximos fenômenos do gênero, a fim de reduzir as perdas e melhorar a capacidade de recuperação pós-desastre. O levantamento é destinado a autoridades e à população que vive em áreas de risco.

A publicação aponta que 57% dos entrevistados tiveram suas casas ou prédios invadidos pelas águas, com maior predominância em algumas das ilhas do bairro Arquipélago, onde o percentual de residências atingidas superou os 70%. Nesses territórios insulares, mais de dois terços (37%) dos participantes do estudo declararam perda total do local de moradia, o que exigiu a reconstrução ou forçou a família a se mudar definitivamente. A análise mostra ainda que 56% de todos os entrevistados não sabiam que a água chegaria às suas casas.

O levantamento do Banco Mundial foi realizado de junho a setembro de 2017 em 1,5 mil domicílios das regiões do Orçamento Participativo de Humaitá-Navegantes e das Ilhas. A área engloba os bairros de Anchieta, Farrapos, Humaitá, Navegantes e São Geraldo, além das ilhas dos Marinheiros, das Flores, do Pavão e da Pintada, que formam as quatro principais partes habitadas do bairro Arquipélago.

Para avaliar os impactos sociais das chuvas, a pesquisa do Banco Mundial usou sete categorias — vida familiar, saúde, moradia, bens e meios de subsistência, acesso a itens básicos, aspectos sentimentais e qualidade de vida. Também foram analisadas a vulnerabilidade das famílias a desastres e as medidas de contingência utilizadas pelos moradores e pelo poder municipal.

Em 34% dos domicílios dos entrevistados, pelo menos uma pessoa sofreu lesões, doenças, danos físicos ou psicológicos em decorrência das chuvas. Quase metade (47%) das pessoas declararam que pelo menos um morador da casa perdeu dias de trabalho. Em 44% das famílias, alguém teve problemas no acesso às aulas ou creches.

As zonas visadas pela pesquisa são marcadas pelos riscos de inundações e alagamentos e também por contextos de vulnerabilidade social. A equipe responsável pelo levantamento promoveu rodas de conversa para sensibilizar a população local.

O trabalho em Porto Alegre também deu origem ao Grupo de Ação sobre Inundações e Alagamentos (GAIA), fundado em março de 2018. Uma iniciativa conjunta entre membros da Prefeitura e das comunidades das áreas atingidas, o GAIA constitui um espaço de diálogo para continuar as discussões iniciadas no contexto do estudo.

“Para o Banco Mundial, experiências como as do Convivendo com as inundações trazem esperança de que ações inovadoras e participativas criarão espaços com vida própria além do projeto, desenvolvendo uma plataforma sustentável de promoção da resiliência aos desastres naturais em áreas urbanas no Brasil”, diz a diretora do Banco Mundial para o Brasil, Paloma Anós Casero.

“São trabalhos como esse, elaborados entre parceiros e a população porto-alegrense, que realmente contribuem para uma Porto Alegre cada vez mais resiliente, capaz de reagir a estresses crônicos, no longo prazo, e a choques agudos, dando respostas rápidas e eficientes frente a desastres”, acrescenta Marcela Ávila, assessora do Escritório de Resiliência da Secretaria Municipal de Relações Institucionais e Articulação Política (SMRI).

Acesse o relatório clicando aqui.