Políticas de austeridade levaram milhões à pobreza no Reino Unido, afirma especialista da ONU

Políticas do governo britânico levaram milhões de pessoas à pobreza no Reino Unido, afirmou em novo relatório divulgado no final de maio (22) o especialista das Nações Unidas sobre pobreza e direitos humanos, pedindo uma “nova visão” que incorpore a compaixão para encerrar dificuldades desnecessárias.

“Os resultados do experimento da austeridade são claros”, disse Philip Alston em relatório após visita oficial ao país, em novembro de 2018.

“Há 14 milhões de pessoas vivendo na pobreza, níveis recordes de fome e de pessoas sem teto, queda da expectativa de vida para alguns grupos, cada vez menos serviços comunitários e policiamento reduzido, enquanto o acesso de grupos de baixa renda a tribunais caiu dramaticamente por conta de cortes em assistências legais.”

Cena de Londres, 2011. Foto: Claudia Gabriela Marques Vieira/Flickr/CC

Cena de Londres, 2011. Foto: Claudia Gabriela Marques Vieira/Flickr/CC

Políticas do governo britânico levaram milhões de pessoas à pobreza no Reino Unido, afirmou em novo relatório divulgado no final de maio (22) o especialista das Nações Unidas sobre pobreza e direitos humanos, pedindo uma “nova visão” que incorpore a compaixão para encerrar dificuldades desnecessárias.

“Os resultados do experimento da austeridade são claros”, disse Philip Alston em relatório após visita oficial ao país, em novembro de 2018.

“Há 14 milhões de pessoas vivendo na pobreza, níveis recordes de fome e de pessoas sem teto, queda da expectativa de vida para alguns grupos, cada vez menos serviços comunitários e policiamento reduzido, enquanto o acesso de grupos de baixa renda a tribunais caiu dramaticamente por conta de cortes em assistências legais.”

“A imposição de austeridade foi um projeto ideológico com objetivo de redesenhar radicalmente a relação entre o governo e a cidadania”, disse o especialista. “Padrões de bem-estar no Reino Unido caíram precipitadamente em um período de tempo extraordinariamente curto, como resultado de escolhas políticas deliberadas, quando muitas outras opções estavam disponíveis.”

Segundo Alston, o mantra “trabalho, não benefícios sociais”, adotado pelo governo, passa a mensagem de que indivíduos e famílias podem buscar caridade, mas que o Estado não irá mais fornecer a rede básica de segurança social que partidos políticos estavam comprometidos desde 1945.

“É difícil imaginar um projeto melhor desenhado para exacerbar a desigualdade e a pobreza e prejudicar as perspectivas de vida de muitos milhões”, disse o relator especial. “Mas, em resposta a esta calamidade social, o governo duplicou suas políticas.”

Ele acrescentou: “A resposta infinitamente repetida de que há mais pessoas empregadas agora do que nunca passa por cima de fatos inconvenientes: como resultado direto de gastos cortados pelo governo em serviços, é previsto que quase 40% das crianças estejam vivendo na pobreza daqui a dois anos; 16% das pessoas acima de 65 anos vivem na pobreza relativa; e milhões dos que trabalham depende de várias formas de caridade”.

Alston reconheceu que o governo adotou ações em uma série de questões levantadas em seu relatório preliminar.

“Elogio as ações para adotar uma medida de pobreza uniforme, para investigar sistematicamente a insegurança alimentar e para adiar a implementação do Crédito Universal. Este programa será melhorado por planos para fornecer mais tempo para reembolsar adiantamentos, para reduzir limites de pagamento de dívidas e para reduzir penalidades extremas. Mas, apesar de toda a conversa de que a austeridade acabou, desinvestimentos massivos na rede de segurança social continuam inabalados”, disse Alston.

O especialista da ONU afirmou que o Brexit, a saída do Reino Unido da União Europeia, é uma questão de máxima preocupação para todas as partes, mas que também se tornou uma trágica distração das políticas sociais e econômicas, que neste meio tempo estão moldando um Reino Unido que está longe do desejo de qualquer partido político.

“Certamente não será uma comunidade britânica mais orgulhosa, mais forte e mais autoconfiante que irá emergir, a não ser que atenção seja dada à crise de destituição e à insegurança crônica de pessoas de baixa renda”, disse.

“O governo britânico deve ajudar a restaurar financiamentos de governos locais para garantir que proteção social crítica possa ajudar pessoas a escapar da pobreza”, concluiu.