Política de aleitamento materno do Brasil é referência mundial, diz OMS

AUMENTAR LETRA DIMINUIR LETRA

País tem posição de destaque em relação a nações de alta renda como EUA, Reino Unido, Portugal, Espanha e China, em função das políticas públicas adotadas há pelo menos 30 anos, destacou a Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS) e a revista científica britânica ‘The Lancet’.

Mães que amamentam seus filhos participam das atividades da Semana Mundial da Amamentação em 2012 para incentivar o aleitamento entre as gestantes. Foto: Wilson Dias/ABr

Mães que amamentam seus filhos participam das atividades da Semana Mundial da Amamentação em 2012 para incentivar o aleitamento entre as gestantes. Foto: Wilson Dias/ABr

O Brasil recebeu nesta quarta-feira (2) um reconhecimento especial da Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS) – agência da ONU que representa a Organização Mundial da Saúde (OMS) nas Américas – e da revista científica britânica The Lancet como referência mundial em aleitamento materno. Um evento em Brasília sobre o tema contou com a participação de diversas autoridades e especialistas da área de saúde.

O país tem posição de destaque em relação a nações de alta renda como Estados Unidos, Reino Unido, Portugal, Espanha e China, em função das políticas públicas adotadas há pelo menos 30 anos. A Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano possui 292 unidades em todo o mundo – implantadas em 21 países das Américas, Europa e África –, das quais 72,9% estão no Brasil (213).

Entre 2008 e 2014, esses bancos beneficiaram 88,5% – cerca de 11 milhões – de todas as mulheres assistidas no planeta e contaram com o apoio de 93,2% das doadoras de leite – 1,1 milhão de brasileiras. As mulheres brasileiras foram responsáveis por 89,2% da coleta dos 1,1 milhão de litros de leite doados e beneficiaram 79,1% de todos os recém-nascidos atendidos nesses espaços, tornando o Brasil o país que registra o maior número de doadoras de leite humano do mundo.

Além dos bancos de leite, a revista The Lancet e a OPAS atribuem a evolução das taxas de amamentação no país a um conjunto de políticas integradas de incentivo à amamentação.

O documento que reconhece o protagonismo do Brasil cita a regulamentação da Lei de Amamentação, assinada em novembro de 2015, que limita a comercialização de substitutos do leite materno, promove a licença maternidade de 4 a 6 meses e melhora os processos sistemáticos de certificação dos hospitais Amigos da Criança, assegurando padrões de qualidade e treinamento constante de profissionais de saúde, liderança governamental, investimentos e uma ativa participação da sociedade civil.

“Sabemos que o leite materno é capaz de reduzir em 13% as mortes por causas evitáveis em crianças menores de cinco anos e estamos conseguindo reduções fantásticas na mortalidade infantil. Em 2008, 41% das crianças brasileiras já eram amamentadas até os seis meses de vida, de forma exclusiva, e devido às nossas ações, campanhas, políticas e investimentos esse número só vem crescendo, o que é um motivo de comemoração e satisfação para todos nós”, disse o ministro da Saúde, Marcelo Castro.

Durante o evento também foi lançada a nova série da The Lancet, contendo o maior e mais abrangente estudo comparativo já feito sobre aleitamento materno. No total, a equipe analisou dados coletados em 153 países.

De acordo com a coordenadora da Unidade Técnica de Família, Gênero e Curso de Vida da OPAS/OMS, Haydee Padilla, o Brasil se evidenciou nos últimos anos como um exemplo para os outros países.

“(Isso foi) devido a suas políticas, regulações, normativas, estratégias de fortalecimento dos recursos humanos e capacitações, assim como iniciativas de educação para toda a população sobre a importância da amamentação, além da importante participação da sociedade civil. Esperamos que este reconhecimento ao país possa fortalecer a política de aleitamento materno no Brasil e nas Américas”, destacou Padilla.

Ela também ressaltou que, com base nas evidências científicas disponíveis atualmente, a presença do vírus zika no organismo da mulher não impede a amamentação. “Como recente recomendação da OPAS/OMS, mães com suspeita de infecção pelo vírus zika, durante a gravidez ou após o nascimento, devem receber apoio qualificado de profissionais de saúde para iniciar e manter o aleitamento materno, como todas as outras mães”, lembrou.

Benefícios do aleitamento materno

A Organização Pan-Americana de Saúde e o Ministério da Saúde recomendam que os bebês sejam alimentados exclusivamente pelo leite da mãe até os seis meses e que a amamentação continue acontecendo, junto com outros alimentos, por até dois anos ou mais.

Com o leite humano, o bebê fica protegido de infecções, diarreias e alergias, cresce com mais saúde, ganha peso mais rápido e fica menos tempo internado. O aleitamento materno também diminuiu o risco de doenças como hipertensão, colesterol alto, diabetes, obesidade e colesterol.

O benefício também se estende à mãe, que perde peso mais rapidamente após o parto e ajuda o útero a recuperar seu tamanho normal, o que diminui risco de hemorragia e anemia. O leite materno tem tudo o que a criança precisa até os seis meses, inclusive água.

Além disso, têm sido implantadas no país diversas Salas de Apoio à Amamentação. Uma delas foi instalada na sede da Representação no Brasil da OPAS/OMS, em Brasília. O espaço foi inaugurado durante a Semana Mundial do Aleitamento Materno – de 1 a 7 de agosto – em 2015, celebrada em mais de 170 países para estimular a amamentação e melhorar a saúde de crianças ao redor do mundo.

Na Sala de Apoio à Amamentação da OPAS/OMS, a mulher pode esvaziar as mamas, armazenando seu leite em frascos. O líquido é mantido em um freezer a uma temperatura controlada. No fim do expediente, a mãe pode levar seu leite para casa e oferecê-lo ao filho ou doá-lo a um Banco de Leite Humano.


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