PNUMA: Quênia protesta contra caça ilegal e queima 105 toneladas de marfim de origem animal

Gesto simbólico queimou presas de mais de 7 mil elefantes para alertar que “o marfim não tem valor nenhum a não ser num elefante vivo”, como disse o presidente do país, Uhuru Kenyatta. Caça ilegal matou 100 mil desses animais – de uma população de menos de 500 mil espécimes – entre 2010 e 2012.

 Queima de marfim marcou protesto do Quênia contra caça ilegal. Foto: Convenção sobre Comércio Internacional de Espécies da Flora e da Fauna Silvestres em Perigo (CITES)


Queima de marfim marcou protesto do Quênia contra caça ilegal. Foto: Convenção sobre Comércio Internacional de Espécies da Flora e da Fauna Silvestres em Perigo (CITES)

No último sábado (30), em Nairóbi, o governo do Quênia queimou 105 toneladas de presas de mais de 7 mil elefantes em cerimônia de protesto contra a caça ilegal de animais silvestres. A prática ilícita matou 100 mil elefantes – de uma população de menos de 500 mil espécimes – entre 2010 e 2012.

O evento contou com a participação de representantes do Programa das Nações para o Meio Ambiente (PNUMA) e Desenvolvimento (PNUD). Também estiveram presentes os presidentes do Gabão, Ali Bongo Ondimba, de Uganda, Yoweri Museveni, e do próprio Quênia, Uhuru Kenyatta.

Estimativas indicam que a população de elefantes das florestas encolheu dois terços de 2002 a 2011 em decorrência de atividades predatórias proibidas. Também por conta da caça ilegal, o número de elefantes das savanas africanas registrou um decréscimo de 60% na Tanzânia e de 50% em Moçambique desde 2009, segundo dados do ano passado.

A cerimônia também queimou 1,35 tonelada de chifres de rinocerontes – espécie igualmente ameaçada por caçadores criminosos. O total de materiais queimados correspondeu a quase todos os chifres e presas que o Quênia mantinha guardados.

“Ninguém faz negócio vendendo marfim, pois esse comércio significa a morte de nossos elefantes e a morte de nossa herança nacional. Ao destruir o marfim, nós rejeitamos de uma vez por todas aqueles que pensam que nossa herança natural pode ser vendida por dinheiro”, explicou Kenyatta.

“O marfim não tem valor nenhum a não ser num elefante vivo”, enfatizou o chefe de Estado.

O vice-diretor-executivo do PNUMA, Ibrahim Thiaw, destacou que “não faz sentido moral, econômico ou político” caçar animais silvestres ou permitir que essa prática continue.

“Também temos que lembrar que a vida selvagem tem mais valor viva do que morta e que ela pode gerar receitas sustentáveis para financiar educação, cuidado médico e infraestrutura que vão retirar as pessoas da pobreza e impulsionar o crescimento econômico”, completou o dirigente.

Thiaw ressaltou que o continente africano deve se empenhar para reconciliar seus interesses sociais, econômicos e ambientais e, desse modo, contribuir para o cumprimento da Agenda 2030.

A administradora do PNUD, Helen Clark, alertou que a comunidade internacional não pode aceitar “ver países perdendo 50% (da população) de seus elefantes a cada cinco anos e esperar que haja elefantes sobrando”.

Segundo Clark, a caça ilegal alimenta um mercado mundial multibilionário que tem levado espécies à extinção, além de estimular a corrupção e conflitos e acentuar desigualdades.