PNUMA e parceiros apresentam proposta de boas práticas para setor agroalimentar no Brasil

Projeto, liderado pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), reunirá representantes de iniciativa privada, academia e sociedade civil do Brasil para elaborar diretrizes de boas práticas para o setor agroalimentar do país. Apresentação de documento ocorrerá em reunião online a ser realizada até quinta-feira (23).

Foto: UNEP

Foto: UNEP

As cadeias de valor associadas ao agronegócio brasileiro são responsáveis por gerar cerca de 21% do Produto Interno Bruto (PIB) do país. A atividade está profundamente relacionada à saúde do meio ambiente: depende dos recursos naturais, como terra, água, minerais e organismos vivos e, ao mesmo tempo, afeta a quantidade e qualidade destes recursos.

Para impulsionar melhores práticas no setor agroalimentar no Brasil, o projeto “A Economia do Ecossistema e da Biodiversidade para Agricultura e Alimentos (TEEBAgriFood)” apresentará até quinta-feia (23), durante mesa-redonda online, a primeira versão de um conjunto de diretrizes para avaliação do capital natural, humano e social do país.

A iniciativa, liderada pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), reunirá representantes da iniciativa privada, da área acadêmica e da sociedade civil para coletar impressões e consolidar a versão final do documento.

A mesa-redonda é resultado de parceria entre a inciativa TEEB-PNUMA, Capitals Coalition e Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS), com apoio da União Europeia.

“As diretrizes buscam estabelecer práticas, orientar investimentos e dar apoio a decisões que transformem a produção global de alimentos, fornecendo às empresas as ferramentas necessárias para identificar e medir os impactos e dependências do capital natural, social e humano”, explica Denise Hamú, representante do PNUMA no Brasil.

Os princípios se baseiam em conhecimento cientifico de ponta, desenvolvido por institutos de pesquisas e empresas agroalimentares para aplicação em todo o mundo. O Brasil faz parte de um grupo de sete países nos quais o projeto TEEBAgriFood está sendo implementado, formado também por China, Índia, Indonésia, Malásia, México e Tailândia.

“Uma série de tendências que já vinham acontecendo no setor de alimentos está sendo acelerada com a pandemia. A principal delas é a produção de alimentos para todos, mas com prioridade na acessibilidade e na qualidade. Ainda existe no Brasil uma cultura de abundância que resulta no desperdício de 37 milhões de toneladas de alimentos por ano. A racionalidade também é uma tendência que está sendo aprimorada. Essa parceria é, portanto, uma iniciativa que busca colocar todas essas transformações em termos práticos”, avalia Marina Grossi, presidente do CEBDS.

A mesa redonda será realizada durante duas manhãs, das 8h30 às 12h, com dois painéis multidisciplinares. O primeiro terá como tema “A importância da transformação dos sistemas alimentares no Brasil”. No segundo dia, os trabalhos terão como mote “Ações de negócios baseadas na avaliação do capital natural, social e humano”.

Prioridade do CEBDS no setor alimentar

A parceria com o projeto TEEBAgriFood se insere em um conjunto de ações desenvolvidas pelo CEBDS no setor alimentar, que têm como eixo principal o programa Inteligência Agroclimática (IAC), lançado em 2018. A iniciativa busca agir sobre um paradoxo do agronegócio: ao mesmo tempo em que é um dos principais responsáveis pelas emissões de GEE no país, é proporcionalmente mais vulnerável aos impactos das mudanças climáticas.

O IAC tem suas origens no conjunto de propostas da iniciativa global Low Carbon Technologies Partnerships Inititative (LCTPi), desenvolvido pelo World Business Council for Sustainable Development (WBCSD), representado no Brasil pelo CEBDS. Entre as ações incluídas na iniciativa, está o Climate Smart Agriculture (CSA), que tem como ambição reduzir em 50% as emissões de gases de efeito estufa (GEE) até 2030. Além da redução de emissões, o CSA tem como objetivo aumentar a produtividade e a resiliência do produtor às mudanças climáticas.

Sobre o CEBDS

O Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS) é uma associação civil sem fins lucrativos que promove o desenvolvimento sustentável por meio da articulação junto aos governos e a sociedade civil, além de divulgar os conceitos e práticas mais atuais do tema. A organização reúne cerca de 60 dos maiores grupos empresariais do país, com faturamento equivalente a cerca de 45% do PIB e responsáveis por mais de 1 milhão de empregos diretos.

O CEBDS representa no Brasil a rede do World Business Council for Sustainable Development (WBCSD), que conta com quase 60 conselhos nacionais e regionais em 36 países e de 22 setores industriais, além de 200 grupos empresariais que atuam em todos os continentes.

Mais informações: https://cebds.org/inteligencia-agroclimatica-iac/

Sobre o PNUMA

O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), principal autoridade global em meio ambiente, é a agência do Sistema das Nações Unidas (ONU) que promove liderança e encoraja parcerias para cuidar do meio ambiente, inspirando, informando e capacitando nações e pessoas a melhorarem a sua qualidade de vida sem comprometer a das futuras gerações.

Mais informações: https://www.unep.org/pt-br

Sobre a TEEBAgriFood

A Economia do Ecossistema e da Biodiversidade (TEEB) é uma iniciativa global liderada pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) que busca “tornar os valores da natureza visíveis”. Seu principal objetivo é integrar os valores da biodiversidade e dos serviços ecossistêmicos na tomada de decisões em todos os níveis.

Financiado pela União Europeia, o projeto TEEBAgriFood visa proteger a biodiversidade e contribuir para um setor agrícola e alimentar mais sustentável em sete países parceiros: Brasil, China, Índia, Indonésia, Malásia, México e Tailândia.

Mais informações: https://naturalcapitalcoalition.org/projects/teebagrifood/

Sobre a Capitals Coalition

A Capitals Coalition foi lançada em janeiro de 2020 e reúne mais de 370 organizações líderes com o propósito de promover a troca de experiências em torno de desafios coletivos, sob o ponto de vista dos capitais para os negócios. A organização é resultado da união entre a Natural Capital Coalition e a Social & Human Capital Coalition.

Criada em 2012 como TEEB For Business, a Natural Capital Coalition se tornou referência global na abordagem do capital natural parao setor privado, com o lançamento do Protocolo do Capital Natural, em 2016. A Social & Human Capital Coalition foi fundada pelo WBCSD em 2018 com a finalidade de reunir especialistas na mensuração de valores que indivíduos e sociedade geram entre si. Em 2019, a organização lançou o Protocolo de Capital Social & Humano.

Mais informações: https://naturalcapitalcoalition.org/