PNUMA apoia projetos de bioenergia sustentável no continente africano

O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) alertou para a necessidade de ações urgentes para reduzir o uso da lenha como combustível no continente africano. De acordo com a agência da ONU, apenas 25% da população africana tem acesso a combustíveis e energia limpos para cozinhar.

Na Etiópia e no Quênia, o PNUMA apoia projeto que fornece assistência técnica a funcionários e especialistas governamentais para avaliar a sustentabilidade de seus setores de bioenergia e desenvolver capacidades de monitoramento.

O uso de lenha como combustível nas residências é uma fonte de poluição do ar em ambientes fechados. Foto: Unsplash

O uso de lenha como combustível nas residências é uma fonte de poluição do ar em ambientes fechados. Foto: Unsplash

Embora a energia renovável esteja avançando rapidamente na África devido a esforços e investimentos consistentes, a madeira ainda é amplamente utilizada no continente como combustível.

Contudo, a alta dependência na biomassa (matéria orgânica de origem vegetal ou animal utilizada na produção de energia), mesmo com o desenvolvimento de fogões aprimorados, contribui para o desmatamento, a degradação da qualidade do solo e a redução da biodiversidade.

O uso de lenha como combustível nas residências também é uma fonte importante de poluição do ar em ambientes fechados o que, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), mata 4 milhões de pessoas todos os anos.

Portanto, são necessárias ações urgentes para abordar o uso e o gerenciamento da lenha no continente, onde apenas 25% da população tem acesso a combustíveis e energia limpos para cozinhar.

Um recente estudo publicado pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) e pela União Africana fez um balanço da situação atual e propôs políticas e estratégias para os Estados-membros acelerarem a transição para fontes de energias renováveis.

O PNUMA e seus parceiros promovem o desenvolvimento de fontes renováveis ​​de energia e eficiência energética como parte da iniciativa “Energia Sustentável para Todos” e dos esforços de mitigação das mudanças climáticas.

Com o apoio financeiro da Iniciativa Internacional para o Clima, o PNUMA concluiu capacitação pela melhoria da sustentabilidade de bioenergia por meio da Parceria Global de Bioenergia na Etiópia e no Quênia.

O projeto fornece assistência técnica a funcionários e especialistas do governo da Etiópia e do Quênia para avaliar a sustentabilidade de seus setores de bioenergia e desenvolver sua capacidade de monitoramento periódico a longo prazo.

A iniciativa está estruturada em torno da aplicação e interpretação de 24 indicadores para avaliar os impactos ambientais, sociais e econômicos da produção e uso de bioenergia. Os resultados dos indicadores serão usados ​​para informar o processo de tomada de decisão.

O consumo de energia na Etiópia foi estimado em 42 milhões de toneladas de equivalente em petróleo em 2016. As fontes de energia de biomassa representam 91% do consumo final de energia e 98% do consumo de energia no setor residencial.

A Parceria Global de Bioenergia na Etiópia examinou o desenvolvimento da produção de biogás e biomassa sólida (lenha e carvão vegetal) para entender como ele pode contribuir para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), assim como para as políticas nacionais de desenvolvimento, como a Estratégia de Economia Verde de Resiliência Climática.

Com 99 milhões de pessoas na Etiópia contando com o uso tradicional de biomassa para cozinhar, o acesso à energia moderna, a redução da pobreza e a melhoria da saúde são alguns dos benefícios potenciais que o biogás e outras alternativas à biomassa podem trazer. Outros benefícios decorrentes dessa intervenção incluem geração de empregos, maior equidade de gênero e mitigação das mudanças climáticas.

“Essas descobertas ajudam a melhorar nosso conhecimento e entendimento geral sobre o setor de bioenergia da Etiópia e servem como ponto de partida para melhorar a sustentabilidade desse setor e apoiar políticas eficazes de bioenergia sustentável como parte das estratégias de desenvolvimento de baixo carbono”, disse Fikadu Beyene, Comissário de Meio Ambiente, Florestas e Mudanças Climáticas na Etiópia.

O consumo de energia no Quênia é dominado pela biomassa, seguida do petróleo e derivados, a geotérmica e outras energias renováveis, segundo sua Secretaria Nacional de Estatísticas. A biomassa contribui com grande parte do consumo final de energia do país, suprindo mais de 90% das necessidades de energia das famílias rurais. Mais de 43 milhões de pessoas dependem do uso tradicional de biomassa para cozinhar no país.

O projeto ajudou a avaliar o potencial atual e futuro do setor de bioenergia do país, focando em dois cursos de ação: o uso de resíduos de briquetes de bagaço de cana de açúcar pela indústria de chá e a produção de carvão vegetal de florestas, bosques e terras agrícolas para uso doméstico.

A indústria de chá consome quase 1 milhão de toneladas de lenha por ano, ou mais de 4% do volume de lenha consumido anualmente no Quênia. O relatório de síntese preparado para o projeto descreve, portanto, as consequências da crescente lacuna entre oferta e demanda de lenha, com o atual fornecimento de lenha superando a demanda em várias partes do país.

“Os resultados do projeto oferecem uma melhor compreensão do impacto ambiental, social e econômico do uso de bioenergia e auxiliam no gerenciamento sustentável desse importante recurso nacional no Quênia”, disse Charles Mutai, Diretor, Diretório de Mudanças Climáticas do Ministério do Meio Ambiente e Florestas.

No Quênia, o projeto foi implementado pelo Stockholm Environment Institute, em colaboração com o Ministério do Meio Ambiente e Florestas e o PNUMA. O Stockholm Environment Institute conduziu o cálculo e a análise dos 24 indicadores aplicados às duas vias prioritárias, juntamente com o Kenya Forestry Research Institute, Strathmore University e o World Agroforestry Center.

Na Etiópia, o projeto foi realizado pela Comissão de Meio Ambiente, Florestas e Mudanças Climáticas e o Instituto Etíope de Pesquisa em Meio Ambiente e Florestas, que conduziu o cálculo e a análise técnica dos 24 indicadores aplicados às duas vias prioritárias.

Esses indicadores foram desenvolvidos em um processo colaborativo, liderado pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), que atualmente abriga a Secretaria de Parcerias Globais de Bioenergia. A parceria trabalha com várias partes interessadas, como governos, organizações intergovernamentais e a sociedade civil.