PNUD promove encontro entre indígenas e pequenos agricultores por exploração sustentável da Amazônia

Povos de vários estados visitaram áreas extrativistas, fábricas e sistemas agroflorestais no Mato Grosso. Troca de conhecimentos deve favorecer desenvolvimento sustentável.

PNUD promove encontro entre indígenas e pequenos agricultores por exploração sustentável da AmazôniaIndígenas e quilombolas do Acre, Amapá, Mato Grosso do Sul, Pará e Roraima conheceram iniciativas de geração de renda a partir do uso sustentável de florestas na Amazônia. As ações, realizadas por índios rikbaktsas e comunidades de agricultores e extrativistas em Mato Grosso, mantêm as matas em pé e geram alimento e renda.

Segundo o Coordenador da Unidade de Meio Ambiente do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), Carlos Castro, a visita promoveu a troca de conhecimentos entre povos tradicionais e pequenos agricultores sobre diferentes maneiras de produzir comida, remédios, madeira e borracha conservando a floresta.

Entre 5 e 8 de junho, representantes das populações tradicionais acompanhados de técnicos do PNUD e professores da Universidade de Brasília conheceram viveiros de mudas amazônicas, áreas de extração de borracha e castanha, fábricas de palmito e castanha e sistemas agroflorestais, além de associações que industrializam e vendem produtos da Amazônia.

No assentamento extrativista Vale do Amanhecer, em Juruena, a Associação de Mulheres Cantinho da Amazônia (AMCA) e a Cooperativa dos Agricultores do Vale do Amanhecer (Coopavam) compram castanha-do-pará, extraída pela comunidade de assentados ou pelos rikbaktsas, e beneficiam o produto. A Coopavam, por exemplo, deve atingir uma produção de 90 toneladas neste ano. Entre os compradores, que chegam a pagar R$ 16 por quilo, estão empresas de cosméticos, como a Natura. Também são feitos biscoitos servidos na merenda escolar dos municípios da região. Na produção de látex, iniciada em 2006, os rikbaktsas têm parceria com a Pneus Michelin, que adquire toda a produção.

A troca de experiências entre povos tradicionais pode estimular a propagação de atividades de desenvolvimento sustentável. Os cinta-larga da região se inspiraram nos rikbatktsas e estão deixando de explorar madeira para reativar seringais. O intercâmbio de conhecimento entre as diferentes etnias (guaranis, kaiowás, wai wai, galibis, wapichanas, macuxis, karipunas, cinta-largas e zorós) já se refletiu nas demandas e ações propostas para dois projetos apoiados pelo PNUD em parceria com a FUNAI: Gestão Ambiental em Terras Indígenas e o Programa Conjunto de Segurança Alimentar e Nutricional de Mulheres e Crianças Indígenas no Brasil.

Este encontro foi uma das últimas atividades do Projeto de Conservação e Uso Sustentável das Florestas do Noroeste do Mato Grosso, realizado desde 2001 pelo PNUD em parceria com a Secretaria Estadual de Meio Ambiente e financiado pelo Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF).