PMA: Laos se inspira em iniciativas do Brasil para combater a fome e fortalecer alimentação escolar

País asiático conta com o apoio do Centro de Excelência contra a Fome do Programa Mundial de Alimentos da ONU para aprimorar projetos que levam alimentos da agricultura local para as escolas, garantindo a alimentação de crianças e jovens.

 No Laos, o PMA desenvolve um programa de alimentação escolar para alcançar a “fome zero” entre os alunos das instituições. Foto: PMA / Terri O’Quinn


No Laos, o PMA desenvolve um programa de alimentação escolar para alcançar a “fome zero” entre os alunos das instituições. Foto: PMA / Terri O’Quinn

Ao longo da semana passada, o Centro de Excelência contra a Fome do Programa Mundial de Alimentos das Nações Unidas (PMA) realizou uma visita ao Laos para avaliar os avanços dos projetos de alimentação escolar do país. Para representantes do governo, que visitaram o Brasil em 2014, modelos brasileiros impressionam e servem de exemplo para as iniciativas da nação asiática.

Segundo o PMA, o Laos se comprometeu a desenvolver um programa de alimentação escolar vinculado à agricultura local em todo o território. A missão recente buscou compreender quais são os atores envolvidos na produção e fornecimento de comida que chega às escolas do país.

Durante a visita ao Laos, a representante do Centro de Excelência, Sharon Freitas, encontrou-se com representantes do governo e do PMA e discutiu como a agência da ONU no país pode auxiliar as autoridades na elaboração de marcos políticos e na prestação de assistência técnica, a fim de garantir a implementação das iniciativas de escala nacional até 2020.

“Foi muito interessante ver como a comunidade local contribui para a alimentação escolar. Os pais doam parte do excedente de sua produção rural e, em algumas escolas, uma galinha para enriquecer as refeições servidas às crianças”, elogiou Freitas, que conheceu cinco escolas da província de Oudomxay. Três delas recebem alimentação do PMA e duas, do governo.

A especialista considerou que a infraestrutura dos colégios é relativamente boa, pois todas as instituições visitadas dispunham de pelo menos um banheiro e um ponto de água.

“Após a visita do Laos ao Brasil para aprender sobre as boas práticas brasileiras, meu objetivo no Laos foi aprender sobre suas boas práticas e coletar subsídios para o desenho dos próximos passos da nossa colaboração”, afirmou.

Representantes da nação asiática estiveram no Brasil ao final de 2014 para uma missão de estudos. Uma das preocupações da equipe era como assegurar a universalização da alimentação escolar, mas outros aspectos dos projetos brasileiros chamaram atenção, como a capacidade do Brasil de processar alguns alimentos e intensificar os ganhos nutricionais.

Um exemplo citado foi a mandioca. Enquanto o Brasil consome o alimento de diversas formas, inclusive como farinha, em bolos e pães, no Laos a mandioca é consumida exclusivamente cozida com açúcar. A ênfase em nutrição é um dos aspectos do programa brasileiro de alimentação escolar que o Laos espera replicar. Outras iniciativas nessa área, como o incentivo à amamentação, também despertaram o interesse da delegação laosiana.

Os especialistas do país destacaram ainda outros aspectos das práticas brasileiras, como a preocupação em garantir o acesso à água por meio de um programa de cisternas.

A adoção de fogões ecológicos, com menos lenha e menos impactos de desmatamento, é outro desafio para o Laos. Estratégias de nações asiáticas como a Tailândia e o Japão também têm inspirado as autoridades laosianas a aprimorar suas estratégias de alimentação escolar.

Após a visita ao país, o Centro de Excelência contra a Fome está considerando a possibilidade de realizar um seminário com especialistas brasileiros para abordar os aspectos específicos que o Laos espera fortalecer.