PMA destaca devastação provocada por ciclone no sudoeste da África

A escala completa da devastação causada pelo ciclone tropical Idai no sudoeste da África está se tornando mais clara, afirmaram as Nações Unidas na terça-feira (19), alertando que a emergência “está crescendo a cada hora”.

Cinco dias após a tempestade chegar a Moçambique, causando amplos danos e enchentes, a estimativa é de que ao menos 1 mil pessoas tenham morrido no país.

O Programa Mundial de Alimentos da ONU (PMA) busca apoiar 600 mil pessoas afetadas pelo ciclone, que chegou a Moçambique com ventos de mais de 150 quilômetros por hora.

No Malauí, a agência da ONU planeja alcançar 650 mil pessoas com assistência alimentar.

Distribuição de alimentos em Beira, Moçambique. Mais de 70 famílias receberam ajuda em escola transformada em abrigo. A maior parte dos moradores teve de deixar suas casas danificadas pelo ciclone. Foto: PMA/Deborah Nguyen

Distribuição de alimentos em Beira, Moçambique. Mais de 70 famílias receberam ajuda em escola transformada em abrigo. A maior parte dos moradores teve de deixar suas casas danificadas pelo ciclone. Foto: PMA/Deborah Nguyen

A escala completa da devastação causada pelo ciclone tropical Idai no sudoeste da África está se tornando mais clara, afirmaram as Nações Unidas na terça-feira (19), alertando que a emergência “está crescendo a cada hora”.

Cinco dias após a tempestade chegar a Moçambique, causando amplos danos e enchentes, a estimativa é de que ao menos 1 mil pessoas tenham morrido no país.

Segundo relatos, pessoas afetadas estão presas em telhados e árvores enquanto aguardam resgate, disseram agências da ONU. Em Moçambique, no Malauí e no Zimbábue, dezenas de milhares de pessoas perderam suas casas. Estradas, pontes e plantações também foram destruídas.

“Estamos falando de um desastre gigantesco agora, no qual centenas de milhares – ou milhões de pessoas – foram possivelmente afetadas”, disse Jens Laerke, do Escritório das Nações Unidas para Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA). “Precisamos de todo o apoio logístico que pudermos conseguir”.

Embora as enchentes tenham diminuído no Zimbábue e no Malauí, permitindo que algumas pessoas retornassem para casa, o Programa Mundial de Alimentos (PMA) alertou que Moçambique enfrenta “uma grande emergência humanitária que está crescendo a cada hora”.

A ONU estima que 1,7 milhão de pessoas estivessem no caminho no ciclone em Moçambique, disse o porta-voz do PMA, Hervé Verhoosel, a jornalistas em Genebra. Além disso, outras 920 mil teriam sido afetadas no Malauí e outras milhares no Zimbábue.

Enchentes parecem “oceanos na terra”

O acesso das equipes de ajuda é o maior desafio, disse o porta-voz do PMA. A agência relatou que funcionários que sobrevoaram a área inundada desde o fim de semana, quando dois rios transbordaram, citaram “oceanos na terra se estendendo por milhas e milhas”.

Em Moçambique, o PMA busca apoiar 600 mil pessoas afetadas pelo ciclone, que chegou ao país com ventos de mais de 150 quilômetros por hora. No Malauí, a agência da ONU planeja alcançar 650 mil pessoas com assistência alimentar.

Dificultando ainda mais resposta humanitária, as fortes chuvas continuam. De acordo com Clare Nullis, porta-voz da Organização Meteorológica Mundial (OMM), não há previsão de que elas cessem nos próximos dias.

“O presidente moçambicano disse, segundo relatos, que há temores de mais de 1 mil mortes”, disse Nullis. “Se estes relatos, estes temores, forem verdadeiros, então podemos dizer que é um dos piores desastres relacionados às condições meteorológicas – desastres relacionados a um ciclone tropical – no Hemisfério Sul”.

Milhares tentam se salvar em telhados e árvores

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) confirmou a escala da emergência, destacando que 260 mil crianças podem ter sido afetadas em Moçambique.

“Muitas pessoas estão em situações desesperadoras, diversas milhares estão lutando por suas vidas no momento, sentando em telhados, em árvores e em outras áreas elevadas”, disse o porta-voz Christophe Boulierac. “Isso inclui famílias e, obviamente, muitas crianças”.

O porta-voz da Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho (IFRC), Matthew Cochrane, destacou a situação perigosa. Segundo ele, muitos colegas “falaram sobre enchentes de até seis metros de profundidade, cobrindo telhados, palmeiras, postes telefônicos”.

PMA elogia pilotos que entregam assistência alimentar

Até o momento, o PMA coordenou entregas aéreas de biscoitos energéticos, água e cobertores para pessoas presas em telhados e áreas elevadas fora da cidade portuária de Beira. A cidade teve 90% de seus prédios danificados, incluindo o depósito da agência e máquinas de descarregamento de portos.

“É muito difícil pousar um avião assim”, disse Verhoosel. “Você consegue imaginar um aeroporto danificado pela água, escuro, sem luz ou comunicação via rádio com a torre de controle. Nada. Eu digo, estes pilotos são incríveis”.

Quatro toneladas de biscoitos foram entregues na terça-feira (19), além de 1,2 tonelada entregue na segunda-feira (18). As entregas faziam parte de uma remessa de 20 toneladas trazidas de Dubai.

Negociações também estão em estágio avançado para levar dois aviões de carga para Beira, incluindo um Hercules C-130, afirmou a agência.

Para responder às necessidades de saúde da população, Christian Lindmeier, da Organização Mundial da Saúde (OMS), explicou que a prioridade é ajudar pessoas com ferimentos por esmagamento ou trauma.

“Para as necessidades imediatas, a OMS está posicionado kits de saúde, kits de emergência, kits de trauma e também kits para cólera, para poder conseguir ajudar pessoas em solo”.

Necessidades de longo prazo incluem ter que lidar com um possível aumento em doenças transmitidas pela água e a reconstrução de muitos centros de saúde destruídos, acrescentou o porta-voz da OMS.


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