Plataforma da ONU para mapear áreas de preservação ambiental completa 60 anos

O Banco de Dados sobre Áreas Protegidas, mantido pela ONU Meio Ambiente e parceiros, completa 60 anos em 2019 com informações sobre 245 mil reservas, unidades de conservação e outros territórios sob medidas de preservação ambiental. A plataforma online, de acesso gratuito, consolidou-se como repositório de estatísticas que orientam a tomada de decisões em fóruns globais sobre meio ambiente.

Mico-leão-dourado na Reserva Biológia Poço das Antas, no Rio de Janeiro. Foto: Flickr (CC)/Bart van Dorp

Mico-leão-dourado na Reserva Biológia Poço das Antas, no Rio de Janeiro. Espécie é considerada em perigo pelo Ministério do Meio Ambiente do Brasil. Foto: Flickr (CC)/Bart van Dorp

O Banco de Dados sobre Áreas Protegidas, mantido pela ONU Meio Ambiente e parceiros, completa 60 anos em 2019 com informações sobre 245 mil reservas, unidades de conservação e outros territórios sob medidas de preservação ambiental. A plataforma online, de acesso gratuito, consolidou-se como repositório de estatísticas que orientam a tomada de decisões em fóruns globais sobre meio ambiente.

Em 1959, o então secretário-geral da ONU, Dag Hammarskjöld, estabeleceu a primeira lista de parques nacionais e reservas ambientais equivalentes. O catálogo viria a se tornar o atual Banco de Dados sobre Áreas Protegidas (WDPA, na sigla em inglês), um projeto conjunto entre as Nações Unidas e a União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN). A iniciativa é gerenciada pelo Centro Mundial de Monitoramento da Conservação, vinculado à ONU Meio Ambiente.

Mas quais são as contribuições dessa plataforma para o bem-estar dos ecossistemas e das formas de vida, incluindo os seres humanos, que vivem no planeta? Exemplos não faltam.

A Agência Espacial Norte-Americana (NASA), por exemplo, usa o banco de dados da ONU para informar gestores de recursos naturais sobre incêndios florestais dentro e no entorno de áreas protegidas.

O Ministério da Saúde do Quênia utilizou as informações da iniciativa para uma análise de 2016 sobre o controle da malária.

O portal também é a espinha dorsal de outras plataformas de governança e tomada de decisão, como a Ferramenta Integrada de Avaliação da Biodiversidade, que ajuda centenas de agentes do setor privado a incluir questões de biodiversidade em seus planejamentos e processos.

Um artigo publicado em maio na renomada revista científica Nature ressalta como o banco de dados tem contribuído com a mensuração do cumprimento de objetivos e acordos internacionais, como as Metas Aichi de Biodiversidade.

Esse conjunto de metas prevê, até 2020, a redução da perda de habitats naturais, a prevenção da extinção de espécies ameaçadas e a instituição de áreas protegidas em 17% da superfície terrestre e em 10% das zonas marinhas e costeiras, entre outros compromissos. Com o fim do período para a implementação do programa de Aichi, a comunidade internacional está se preparando para adotar uma nova agenda de biodiversidade, sob a liderança do Secretariado Executivo da Convenção da ONU sobre Diversidade Biológica.

A base de dados das Nações Unidas revela avanços — hoje, por exemplo, as áreas protegidas de ecossistemas marinhos já representam uma superfície maior que os territórios dos Estados Unidos e da Rússia combinados. Mas lacunas na conservação das espécies e na proteção dos ecossistemas naturais permanecem.

Para atender às necessidades de informação dos decisores políticos, a plataforma virtual vai continuar a se desenvolver e se expandir. Nos próximos anos, o projeto deve fortalecer os vínculos com outros bancos de dados e iniciativas semelhantes, a fim de difundir informações mais abrangentes, além de representar melhor as áreas protegidas sob a governança de povos indígenas, comunidades locais e atores privados.

Em breve, o programa também deve incluir áreas que trazem importantes benefícios para a conservação, embora não se enquadrem na definição de área protegida.

“Iniciativas globais como o WDPA podem levar a mudanças reais. Depois da designação da Área Protegida Marinha da região do Mar de Ross, em 2017, por exemplo, os governos da Nova Zelândia e Estados Unidos proibiram a pesca em mais de 1 milhão de quilômetros quadrados de área protegida, numa tentativa de preservar mais de 16 mil espécies, incluindo o pinguim-de-adélia e a baleia minke”, afirma Naomi Kingston, chefe de programa para Conservação de Paisagens Terrestres e Marinhas, do Centro Mundial de Monitoramento da Conservação.

“Esperamos continuar trabalhando com nossos incríveis parceiros por muitos anos anos ainda, canalizando o nosso conhecimento e expertise coletivos para apoiar a comunidade global, conforme nos concentramos em levar adiante metas exequíveis e realísticas, mas ambiciosas, para a conversação da biodiversidade.”

Em novembro do ano passado, a plataforma online do Banco de Dados sobre Áreas Protegidas, chamada Protected Planet, firmou uma parceria com a Sociedade National Geographic e a IUCN para lançar o projeto Protected Planet Live, uma interface interativa que compila informações sobre o estado das áreas protegidas, sua gestão e seu papel na conservação da biodiversidade.

Para acessar o conteúdo do banco de dados da ONU, acesse a plataforma Protected Planet clicando aqui.


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