Plano do Banco Mundial e parceiros quer integrar rios às redes de transporte no Brasil e região

A ideia é retomar o uso das ferrovias e hidrovias no transporte de carga. O Rio São Francisco, no nordeste brasileiro, possui 1.300 km navegáveis e é uma das primeiras aposta do projeto.

Mural às margens do Rio São Francisco, em Juazeiro (Bahia). Foto: Mariana Ceratti/Banco Mundial

Mural às margens do Rio São Francisco, em Juazeiro (Bahia). Foto: Mariana Ceratti/Banco Mundial

O Banco Mundial e a Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), entre outros parceiros, estão elaborando um plano de ação, que deve estar pronto em junho, com o objetivo de integrar a sistemas já existentes de ferrovias e hidrovias o transporte de cargas, o que hoje acontece prioritariamente nas rodovias.

Hoje o Brasil apresenta 214 mil quilômetros de rodovias pavimentadas e 1,3 milhão de quilômetros de vias não pavimentadas. As ferrovias somam 30 mil quilômetros. Já as hidrovias são apenas 13 mil quilômetros.

A ideia de retomar o uso de outros meios para transporte de carga é uma iniciativa capaz de inspirar o resto do país e a América Latina a recuperar a navegabilidade dos rios e a diminuir os graves problemas nas entradas brasileiras – como engarrafamentos, más condições e insegurança.

O Rio São Francisco, no nordeste brasileiro, que se estende por 2.830 km – dos quais 1.300 são navegáveis – é uma das primeiras aposta do projeto.

“Trabalhos como esse mostram que há uma mudança de mentalidade ocorrendo não só no Brasil, mas na América Latina: por décadas, as instituições relacionadas a transportes se encarregavam unicamente de construir e inaugurar rodovias; agora, veem a necessidade de integrá-las com estradas de ferro e hidrovias”, explica o economista de transportes Lincoln Flor, do Banco Mundial.

Ainda não é possível prever em números o impacto futuro dessas ações, embora especialistas do governo, do setor privado e de organismos internacionais concordem sobre a necessidade de agir rapidamente – não só no São Francisco, mas nos demais rios que cortam o Brasil.

Porém, o projeto atenta para algumas dificuldades, como as secas e assoreamentos que fizeram, nas últimas décadas, com que o rio São Francisco perdesse gradualmente a capacidade de receber navios de carga. Além destes, existem estações ferroviárias decadentes e trilhos cobertos por grama pelo não uso.

Hoje o Brasil gasta 31,6 bilhões de dólares por ano em transporte nas regiões mais pobres do país, cifra que representa quase 40% do custo nacional de logística. O país ficou em 65º lugar no recente estudo do Banco Mundial Índice de Performance Logística 2014, atrás de países como Chile, México e Índia, e a infraestrutura foi apontada como um dos motivos para esse desempenho.

Quando foi que o transporte rodoviário tornou-se prioridade no Brasil?

Em entrevista, o consultor na área de transportes Carlos Riva conta essa história e mostra por que rios como o São Francisco são importantes para a economia do país.

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