Piratas que atuam na Somália lucraram mais de 339 milhões de dólares em sete anos, diz ONU

Segundo relatório, países do leste africano sofreram queda significativa no número de turistas e nos rendimentos de pesca desde 2006.

Operações de combate à pirataria no Golfo de Áden e na costa leste da Somália. Foto: Marinha dos EUA/Ja'lon A. Rhinehart

Operações de combate à pirataria no Golfo de Áden e na costa leste da Somália. Foto: Marinha dos EUA/Ja’lon A. Rhinehart

Piratas que atuam próximos da costa da Somália e do Chifre de África obtiveram entre 339 e 413 milhões de dólares em resgates, alimentando uma ampla gama de atividades criminosas em uma escala global, de acordo com um relatório das Nações Unidas divulgado na sexta-feira (1).

“Trilhas dos piratas”, documento produzido pelo Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC), pelo Banco Mundial e pela INTERPOL, usa dados e evidências a partir de entrevistas com ex-piratas, funcionários de governo, banqueiros e outras pessoas envolvidas na luta contra a pirataria, para investigar o dinheiro dos resgates pagos aos piratas somalis que operam no Oceano Índico.

“As grandes quantidades de dinheiro arrecadado por piratas, e o fato de que eles não têm enfrentado praticamente nenhuma restrição na movimentação e utilização dos seus ativos, permitiu-lhes não só prosperar, mas também desenvolver as suas capacidades em terra”, disse um funcionário da área de crime organizado e o tráfico ilícito no UNODC, Tofik Murshudlu.

“Esses grupos criminosos e seus ativos continuarão a representar uma ameaça para a estabilidade e segurança do Chifre de África, a menos que as soluções estruturais de longo prazo sejam implementadas para impedir sua atual liberdade de movimento.”

A pirataria custa à economia mundial cerca de 18 bilhões de dólares por ano em aumento de custos comerciais. O surto de pirataria reduziu a atividade marítima em todo o Chifre de África e, em consequência, os países do leste africano sofreram uma queda significativa no número de turistas e nos rendimentos de pesca desde 2006.