‘Pessoas que não são contadas são excluídas’, destaca chefe da ONU sobre importância de estatísticas

Dados e estatísticas demográficas permitirão acompanhar cumprimento da Agenda 2030. Em comissão da ONU sobre população e desenvolvimento, o secretário-geral Ban Ki-moon pediu que Estados garantam direito à saúde sexual e reprodutiva para mulheres e educação e oportunidades para os jovens.

Investir na educação das crianças e jovens é fundamental, destacou Ban Ki-moon durante a abertura da 49ª Sessão da Comissão sobre População e Desenvolvimento. Na imagem, crianças haitianas brincam em frente a iniciativas realizadas pela Missão de Paz da ONU no país. Foto: UNIC Rio / Mariana Nis

Investir na educação das crianças e jovens é fundamental, destacou Ban Ki-moon durante a abertura da 49ª Sessão da Comissão sobre População e Desenvolvimento. Na imagem, crianças haitianas brincam em frente a iniciativas realizadas pela Missão de Paz da ONU no país. Foto: UNIC Rio / Mariana Nis

Durante a abertura da 49ª sessão da Comissão sobre População e Desenvolvimento, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, destacou o papel fundamental que estatísticas populacionais têm a desempenhar no cumprimento da Agenda 2030.

Segundo o dirigente máximo das Nações Unidas, são esses dados que permitem às sociedades e governos compreender tendências demográficas, identificando problemas e elaborando políticas mais eficazes.

“Quando as pessoas não são contadas, elas são excluídas”, enfatizou Ban Ki-moon. O secretário-geral esclareceu que é evidente que “as pessoas nunca podem ser reduzidas a meros números”, mas as estatísticas são essenciais para acompanhar progressos.

A diretora da Comissão, Mwaba Patricia Kasese-Bota, afirmou que 2016 é um ano crucial, pois a ONU está revendo seus procedimentos para apoiar os Estados-membros na busca pelos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

A disponibilidade de dados confiáveis e produzidos em tempo útil foi considerada fundamental por Kasese-Bota, pois permite planejar e monitorar as intervenções necessárias até 2030.

Agenda 2030 prevê saúde reprodutiva, educação e oportunidades para mulheres, jovens e idosos

O chefe da ONU ressaltou que alcançar o desenvolvimento sustentável requer assegurar os direitos à saúde sexual e reprodutiva, bem como a igualdade de gênero e o empoderamento das mulheres e jovens – o que tem desdobramentos para os fenômenos demográficos.

O cenário atual é de contrastes, de acordo com o secretário-geral. Em alguns países, a fatal de assistência médica faz com que as taxas de natalidade permaneçam altas. Nesses casos, os países enfrentam dificuldades para adequar o crescimento da população à expansão da produção econômica, da infraestrutura e dos serviços.

Em outras nações, o número reduzido de nascimentos provoca o decrescimento das populações. Muitas regiões rurais estão sendo despovoadas e perdendo vitalidade econômica.

Ban Ki-moon chamou atenção para o potencial da juventude, que só poderá ser aproveitado caso investimentos em educação, serviços e oportunidades sejam feitos. O mundo conta com a maior população de jovens já registradas, destacou.

Em outros países, por outro lado, a população idosa requer políticas adequadas, pois o aumento da idade prevista para a aposentadoria demanda que oportunidades de atividade sejam concebidas para a terceira idade.