Pesquisadoras discutem no Rio formas de ampliar participação das mulheres na ciência

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A maioria dos países, industrializados ou não, está longe de alcançar a paridade de gênero nas disciplinas de ciência, tecnologia, engenharia e matemática, alertaram recentemente representantes globais da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) e da ONU Mulheres.

No Brasil, esse cenário não é diferente, na opinião de pesquisadoras que se reuniram no Rio de Janeiro para discutir o tema em evento organizado pelo Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino. Para elas, é preciso implementar políticas afirmativas na academia, acompanhadas de mudanças estruturais na educação básica para incentivar que mulheres e meninas tenham posição de destaque nessas áreas.

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A maioria dos países, industrializados ou não, está longe de alcançar a paridade de gênero nas disciplinas de ciência, tecnologia, engenharia e matemática, alertaram recentemente representantes globais da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) e da ONU Mulheres.

No Brasil, esse cenário não é diferente, na opinião de pesquisadoras que se reuniram no Rio de Janeiro para discutir o tema em evento organizado pelo Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino. Para elas, é preciso implementar políticas afirmativas na academia, acompanhadas de mudanças estruturais na educação básica para incentivar que mulheres e meninas tenham posição de destaque nessas áreas.

Eliete Bouskela, médica e professora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e membro titular da Academia Brasileira de Ciências (ABC) e da Academia Nacional de Medicina, lembrou que, no Brasil, existe grande presença de mulheres pesquisadoras nas bolsas de mestrado, mas essa participação cai no doutorado e no pós-doutorado.

“Na Academia Nacional de Medicina, há cinco mulheres e 95 homens”, disse. “Temos um longo caminho a percorrer”, declarou, destacando as dificuldades que as mulheres pesquisadoras enfrentam ao se tornar mães para continuar suas carreiras acadêmicas e o preconceito que muitas vezes sofrem de seus pares na academia.

Cristina Garcia, engenheira química e diretora científica e de assuntos regulatórios da L’Oréal Brasil, citou a importância do prêmio “Para Mulheres na Ciência”, organizado pela empresa em parceria com a UNESCO e a ABC com o objetivo de impulsionar pesquisas realizadas por mulheres.

Ela lembrou que o programa oferece bolsas tanto para as ciências da saúde, como para matemática, física e química, e que essas três últimas áreas recebem bem menos inscrições de mulheres. “Esse caminho é menos incentivado para as meninas e adolescentes. Ser médica, nutricionista, bióloga é mais aceito do que ser matemática ou física”, declarou.

Para Fernanda Tovar-Moll, médica radiologista e pesquisadora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), além de co-fundadora e vice-presidente do Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino, defendeu a adoção de políticas afirmativas na academia.

“A gente se inspira em pessoas. Quando vemos que há poucas mulheres em situação de liderança nas exatas, inspiram menos meninas a seguir essa carreira. É necessário ter mais exemplos para fazer as meninas se interessarem e perceberem que é um caminho possível”, declarou.

Para Mulheres na Ciência abre inscrições

O evento do Rio de Janeiro também marcou o lançamento da 13ª edição do prêmio “Para Mulheres na Ciência“. Realizado desde 2006 pela L’Oréal, em parceria com a UNESCO no Brasil e a Academia Brasileira de Ciências, a iniciativa tem como objetivo promover e reconhecer a participação da mulher na ciência, favorecendo o equilíbrio dos gêneros no cenário brasileiro.

Todo ano, sete jovens pesquisadoras das áreas de Ciências da Vida, Ciências Físicas, Ciências Químicas e Matemática são contempladas com uma bolsa-auxílio de 50 mil reais cada para dar prosseguimento aos estudos.

As inscrições vão até 20 de abril, e as vencedoras serão conhecidas no início do segundo semestre. Para participar, é necessário que a candidata tenha concluído o doutorado a partir de 2011, tenha residência estável no Brasil, desenvolva projetos de pesquisa em instituições nacionais, entre outros requisitos.

O regulamento completo está disponível no site www.paramulheresnaciencia.com.br. A cerimônia de premiação será realizada em outubro, no Rio de Janeiro.

Ao longo de 12 anos, o prêmio já reconheceu e incentivou 82 cientistas brasileiras, premiando a relevância dos seus trabalhos, com a distribuição de aproximadamente 4 milhões de reais em bolsas-auxílio. As pesquisas são avaliadas por uma comissão julgadora formada por renomados profissionais da área científica.

Além do prêmio nacional, as cientistas têm a chance de reconhecimento internacional com o International Rising Talents (IRT) — prêmio concedido a 15 jovens pesquisadoras por ano, três de cada região do mundo (África e Estados Árabes, Ásia e Pacífico, Europa, América Latina e América do Norte). O júri brasileiro escolhe uma das sete pesquisas para concorrer no IRT e a premiação é feita no ano seguinte, na França.

A premiação internacional ocorre desde 2014 e tem o objetivo de impulsionar o percurso de excelência de jovens e promissoras cientistas até se tornarem pesquisadoras internacionalmente reconhecidas. Neste ano, a mineira Rafaela Ferreira, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), será uma das representantes da América Latina candidatas a receber o prêmio internacional. O evento será no dia 20 de março, em Paris.

Rafaela, da área de Química, pesquisa tratamentos mais eficazes contra zika e Doença de Chagas, duas enfermidades com grande importância epidemiológica no país. Em seu laboratório, a cientista desenha moléculas potencialmente capazes de inibir o funcionamento de proteínas essenciais na fisiologia do vírus e do protozoário Trypanosoma Cruzi.


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