Pesquisa mostra prevalência de HIV e contexto vulnerável de consumidores de drogas no Uruguai

Com apoio da ONU, estudo busca entender necessidades de usuários mais vulneráveis e propor soluções conjuntas.

Em cada 100 usuários de pasta de cocaína, crack e outras denominações de cocaína fumável entre 18 e 64 anos, seis têm infeções pelo vírus HIV. Foto: ONU/Victoria Hazou

Em cada 100 usuários de pasta de cocaína, crack e outras denominações de cocaína fumável entre 18 e 64 anos, seis têm infeções pelo vírus HIV. Foto: ONU/Victoria Hazou

Um estudo realizado em Montevidéu, capital do Uruguai, e em sua região metropolitana mostrou que em cada cem usuários de pasta base de cocaína, crack e outras denominações de cocaína fumável entre os 18 e 64 anos, seis têm infecção pelo vírus HIV, sendo que a maioria vive em contextos de alta vulnerabilidade.

Apresentado no começo do mês, o estudo foi realizado pelo Observatório Uruguaio de Drogas da Junta Nacional de Drogas (JND) do Uruguai, pelo Ministério da Saúde Pública e pela equipe conjunta sobre aids das Nações Unidas, com apoio do Equipos Mori. A pesquisa foi feita por conta da necessidade de informações atualizadas sobre práticas de uso de drogas, prevalência do HIV e atitudes e práticas sexuais entre usuários de cocaínas fumáveis residentes em Montevidéu e em sua área metropolitana.

Embora tenham acesso aos sistemas de saúde em razão de seu consumo problemático de droga, a prevalência de vírus HIV é maior em consumidores de drogas injetáveis (10%) do que os consumidores de drogas fumáveis ou inalantes (6%).

Além disso, os principais resultados da pesquisa também demonstram o contexto de vulnerabilidade desta população, que consiste principalmente de homens jovens com baixo acesso à educação.

Quase 64% dos usuários de pasta base nunca estudou ou cursou apenas educação primária e sua situação habitacional é precária – cerca de 40% vive nas ruas, em abrigos ou em algum tipo de habitação precária. Apenas 16% tem trabalho formal e a maioria é de catadores ou tem trabalho informal.

Outra das principais conclusões é a de que essas populações são altamente estigmatizadas e há uma falta de preparação do sistema de saúde para atender os usuários. O estudo sugere a realização de treinamento para profissionais de saúde e recomenda ainda o aumento do acesso a preservativos e ao diagnóstico.