Pesquisa do ACNUR revela que a maioria dos sírios que chegam à Grécia são estudantes

Estudo não representa toda a população de refugiados sírios que chegam à Grécia e a metodologia usada não representa uma amostragem aleatória. Mas a análise propicia uma visão geral do ‘perfil’ de sírios que chegaram na Grécia entre abril e setembro de 2015.

Família refugiada síria, Afeesh e Rasha, abraçam suas filhas após desembarque na Ilha de Lesbos, na Grécia. Foto: ACNUR/I.Prickett

Família refugiada síria, Afeesh e Rasha, abraçam suas filhas após desembarque na Ilha de Lesbos, na Grécia. Foto: ACNUR/I.Prickett

A travessia do Mediterrâneo é traiçoeira, o risco de afogamento é constante. Mas os refugiados continuam a chegar, dia após dia, em uma frota de botes que se espalham pelas margens das ilhas gregas próximas à Turquia, totalizando quase 800 mil pessoas somente em 2015.

A maioria está fugindo do conflito na Síria. E com eles, o potencial produtivo do país.  Os estudos realizados pelo Alto Comissariado da ONU para Refugiados (ACNUR) mostram que 86% dizem possuir o ensino secundário ou universitário. Metade do grupo frequentou a universidade.

O relatório divulgado nessa quinta-feira (10) foi realizado pelas equipes de proteção do ACNUR nas fronteiras greco-turca, com um total de 1.245 sírios entre abril e setembro de 2015.

A grande maioria dos entrevistados (78%) tinha menos de 35 anos. A profissão mais frequentemente mencionada foi a de estudante: 16 % dos desse total disseram que estavam estudando antes de fugirem. As demais profissões mais citadas foram: comerciantes – 9%; carpinteiros, eletricistas, encanadores – 7%; engenheiros, arquitetos – 5%; médicos ou farmacêuticos – 4%.

Quase dois terços dos entrevistados (63%) disseram que deixaram a Síria em 2015. E cerca de 85% afirmaram que chegaram a uma das ilhas gregas em sua primeira tentativa. A maioria dos que responderam ao questionário (65%) disseram não ter necessidades especiais. Cerca 5% disseram ainda que foram torturados. E um a cada cinco pesquisado ainda está à procura de um membro de sua família que ficou no país.

“Este estudo é o primeiro de uma série de avaliações que o ACNUR está realizando para entender quem são esses refugiados, de onde eles vêm, o que já passaram”, disse a chefe do Escritório do ACNUR na Europa, Diane Goodman. “Somente quando os governos, o ACNUR e seus parceiros possuírem estas informações que nós podemos verdadeiramente satisfazer as necessidades de assistência e de proteção a estas famílias”.

Refúgio na Europa

Dentre os entrevistados, cerca de 58% disseram que sua intenção era a de tentar trazer posteriormente outros membros da família ao seu país de refúgio.

À medida que o conflito na Síria se aproxima do quinto ano da eclosão do conflito, a maioria daqueles que desembarcaram nas costas europeias disseram que estavam esperando para obter refúgio na Alemanha, seguido pela Suécia. As principais razões que os entrevistados deram foram a reunificação familiar, a assistência aos refugiados, as possibilidades de emprego e oportunidades educacionais.

“Sírios arriscam suas vidas e as vidas de seus filhos para tentar chegar na Europa em busca de oportunidades de educação e emprego, pela chance de viver em paz e segurança”, disse Goodman. “No entanto, poderia haver formas legais de vir para a Europa – através de reunião familiar, vistos de estudante ou de trabalho, de patrocínios privados ou mais vagas para o reassentamento – o que seria mais seguro, mais regulado e infinitamente mais humano.”

A pesquisa do ACNUR não representa toda a população de refugiados sírios que chegam à Grécia e a metodologia usada não era uma amostragem aleatória. Mas a análise propicia uma visão geral do ‘perfil’ de sírios que chegaram na Grécia entre abril e setembro de 2015.