Pesquisa associa atividades da ONU a redução da pobreza em zonas rurais do Peru

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Seis projetos do Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA) no Peru estão por trás da redução da miséria em zonas rurais do país. É o que comprova uma avaliação independente sobre a atuação da agência das Nações Unidas. Nas regiões de Sierra Norte e Sierra Sur, onde o organismo da ONU mantém operações, a pobreza caiu 22% e 12% respectivamente de 2002 a 2016. Análise, porém, alerta para a necessidade de chegar a quem permanece excluído economicamente.

Projetos do FIDA ajudam a reduzir a pobreza em comunidades rurais do Peru. Foto: FIDA/Pablo Corral Vega

Projetos do FIDA ajudam a reduzir a pobreza em comunidades rurais do Peru. Foto: FIDA/Pablo Corral Vega

Seis projetos do Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA) no Peru estão por trás da redução da miséria em zonas rurais do país. É o que comprova uma avaliação independente sobre a atuação da agência das Nações Unidas. Nas regiões de Sierra Norte e Sierra Sur, onde o organismo da ONU mantém operações, a pobreza caiu 22% e 12% respectivamente de 2002 a 2016. Análise, porém, alerta para a necessidade de chegar a quem permanece excluído economicamente.

As quedas nas taxas de pobreza foram atribuídas a aumentos na renda e nos recursos a que têm acesso os agricultores das regiões beneficiadas por programas do FIDA. Segundo o relatório, uma das conquistas do Fundo foi a realização de treinamentos, que permitiram às famílias participantes adotar novas técnicas produtivas e praticar outras atividades geradoras de lucro.

Entre as inovações identificadas, estão a criação de porquinhos-da-índia, a produção de vegetais orgânicos e a criação de trutas. O FIDA tem iniciativas em Sierra Sur, Sierra Norte, Selva Alta e nas áreas dos rios Apurímac e Mantaro.

Uma das estratégias capitaneadas pelo Fundo foi o estabelecimento de mais de 60 “rotas de aprendizado”, mobilizando cerca de 3 mil agricultores. O programa organizava visitas de campo para trocas de conhecimento entre os próprios agricultores, que compartilhavam suas experiências com cultivos, diferentes tipos de clima e solo.

Apesar do sucesso dos projetos, a avaliação — elaborada pelo Escritório de Avaliação Independente do Fundo — alerta que o espírito de criatividade se enfraqueceu nos últimos tempos e precisa ser fortalecido para o futuro.

“O relatório mostra que a pobreza foi reduzida, mas mostra também que os mais pobres não foram alcançados”, ressalta o diretor do Escritório, Oscar Garcia. “Em um país onde 83% da população pobre trabalha no setor agrícola, é crucial entender o que temos de fazer para alcançá-los.”

Segundo os especialistas do organismo de pesquisa, as capacidades do FIDA foram sub-aproveitadas, em vez de serem utilizadas para chegar às populações rurais isoladas e alcançar os mais pobres no próprio campo. Uma das recomendações feitas pela análise é a adoção de enfoques segmentados, que abordem os desafios particulares vividos por mulheres e jovens.

Num país com a agricultura distribuída por uma geografia complexa, também é importante investir na criação de corredores urbano-rurais para conectar comunidades. Outra indicação é a inclusão minuciosa da pauta das mudanças climáticas na concepção e execução dos projetos, uma vez que o Peru e sua agricultura familiar são altamente vulneráveis às consequências das alterações dos padrões climáticos.

A investigação aponta ainda que a parceria entre o FIDA e o governo peruano não deu a devida atenção a cooperações estratégicas com outras instituições, nem às atividades que não envolviam a liberação de crédito para os beneficiários.


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