Pesca descontrolada coloca tubarões do Mar Mediterrâneo em risco de extinção, alerta FAO

Relatório registra queda superior a 97% no número de animais em dois séculos. No Mar Negro, redução é de 50% desde o início dos anos 1990.

Tubarão. Foto: CITES

Tubarão. Foto: CITES

A queda dramática nas populações de tubarões dos mares Mediterrâneo e Negro terá sérias implicações para ecossistema marinho da região e nas cadeias alimentares, adverte relatório da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO). Nos últimos dois séculos, o número de tubarões no Mar Mediterrâneo caiu mais de 97%, colocando-os em risco de extinção se os níveis atuais de pesca continuarem. No Mar Negro, a redução é de 50% na comparação com o início dos anos 1990.

O estudo descobriu que os tubarões e raias são de longe os grupos mais ameaçados de extinção entre 85 espécies encontradas nos mares Mediterrâneo e Negro. Devido às suas taxas de regeneração lenta, eles são altamente suscetíveis à sobrepesca e às práticas que degradam seu habitat. Tubarões e raias são muitas vezes capturados acidentalmente, mas se tornaram alvos diretos recentemente por causa da crescente demanda por suas barbatanas, carne e cartilagem.

A Comissão Geral de Pescas da FAO para o Mediterrâneo recomendou que os países da região invistam em programas de investigação científica para identificar áreas de berçário potenciais para proteger tubarões e raias jovens das atividades de pesca.

Para ler o relatório “Elasmobrânquios do Mar Mediterrâneo e Mar Negro: Status, Ecologia e Biologia” em inglês, clique aqui.

Mais espécies de fauna e flora entram na lista de proteção

Cinco tipos de tubarões e a raia-jamanta ganharam formalmente na quinta-feira (14) proteção na esfera comercial em reunião apoiada pelas Nações Unidas, na qual os participantes também votaram pela preservação de madeiras preciosas e outras plantas e animais.

Elas serão listadas no Apêndice II da Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas de Fauna e Flora Silvestres (CITES), que proíbe o comércio internacional das espécies a menos que as remessas sejam acompanhadas por documentação mostrando que foram capturadas legalmente.

Além dos animais, a CITES votou pela regulação o comércio internacional para uma série de espécies de paus-rosa e de ébanos da Ásia, América Central e Madagascar.