Pela primeira vez, drone leva vacinas a ilha remota do Pacífico Sul

Pela primeira vez no mundo, uma vacina foi lançada por drones em Vanuatu. A entrega da vacina cobriu quase 40 quilômetros de terreno acidentado montanhoso da Baía de Dillon, no lado oeste da ilha, até o patamar leste na remota Baía de Cook. Foto: UNICEF

Em uma pequena ilha no remoto Pacífico Sul, um bebê de 1 mês se tornou a primeira criança do mundo a receber uma vacina entregue por um drone, anunciou o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) na semana passada (18).

A aeronave de última geração que transportou a vacina viajou quase 40 quilômetros sobre terreno montanhoso, saindo de Dillon’s Bay, no oeste de Vanuatu, para Cook’s Bay – uma comunidade acessível somente a pé ou com barcos pequenos – onde 13 crianças e cinco mulheres grávidas foram vacinadas por uma enfermeira.

A diretora-executiva do UNICEF, Henrietta H. Fore, afirmou que o voo da pequena aeronave não tripulada “é um grande salto para a saúde global”.

“Com o mundo ainda lutando para imunizar as crianças mais difíceis de serem alcançadas, tecnologias de drone podem virar o jogo naquela última milha para alcançar todas as crianças”, acrescentou.

Vacinas são extremamente difíceis de serem transportadas à medida que precisam estar em temperaturas controladas, um desafio especial para locais quentes como Vanuatu, composto por mais de 80 ilhas montanhosas que se espalham por 1.300 quilômetros, tendo somente algumas redes limitadas de estradas.

Como resultado, quase 20% das crianças do país perdem estas vacinas essenciais.

A enfermeira Miriam Nampil, que vacinou as crianças em Cook’s Bay, destacou estes desafios.

“É extremamente difícil carregar caixas de gelo para manter as vacinas resfriadas enquanto atravessa rios, montanhas, chuva ou bordas rochosas. Eu dependia de barcos, que frequentemente são cancelados por conta de condições climáticas ruins”.

“Como a jornada é frequentemente longa e difícil, eu só posso ir lá uma vez ao mês para vacinar as crianças. Mas agora, com estes drones, esperamos alcançar muitas crianças a mais nas áreas mais remotas da ilha”, acrescentou.

A eficácia do uso de drones para entregas críticas foi confirmada na semana passada.

Em voo teste realizado pelo Ministério da Saúde de Vanuatu, com apoio do UNICEF, o drone – comandado por uma companhia australiana – fez a entrega dentro de apenas dois metros do alvo, após um voo de 50 quilômetros sobre diversas ilhas.

No voo de verdade, as vacinas foram levadas em caixas de isopor com pacotes de gelo e um monitor de temperatura, programado para acionar um alerta se a temperatura das vacinas saísse da faixa aceitável.

Primeira do mundo

A entrega também foi a primeira vez que um governo contratou uma companhia de drones comerciais para transportar vacinas para áreas remotas. A operadora foi selecionada após um processo de licitação e, de acordo com o contrato, seria responsabilizada e não receberia pagamento se não entregasse as vacinas.

No longo prazo, o governo de Vanuatu busca inserir entrega de vacinas por drones em seu programa nacional de imunização e planeja maior uso de drones para distribuir suprimentos de saúde, de acordo com o UNICEF.

Os dados dos testes também serão usados para mostrar como drones podem ser usados comercialmente em situações similares ao redor do mundo.

“A entrega pioneira de vacina de hoje possui enorme potencial não só para Vanuatu, mas para milhares de crianças que estão perdendo vacinas ao redor do mundo”, explicou Fore, chefe do UNICEF.

“Isto é inovação em sua melhor forma e mostra como podemos desbloquear o potencial do setor privado para o bem das crianças do mundo”.