‘Paz na Síria é imperativo moral e político’, diz António Guterres marcando seis anos de guerra

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“Há seis anos, o povo da Síria tem sido vítima de um dos piores conflitos do nosso tempo”, disse o secretário-geral, pedindo que as partes se envolvam nos diálogos que ocorrem atualmente em Genebra (Suíça) e Astana (Cazaquistão).

Desde 2011, cerca de 6,3 milhões de pessoas já foram deslocadas devido à guerra na Síria. Outras 4,9 milhões de pessoas – em sua maioria mulheres e crianças – foram forçadas a buscar abrigo em outros países, segundo a ONU.

Secretário-geral da ONU, António Guterres. Foto: ONU/Jean-Marc Ferré

Secretário-geral da ONU, António Guterres. Foto: ONU/Jean-Marc Ferré

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, marcou nessa quarta-feira (15) os seis anos de conflito na Síria com uma declaração fazendo dois apelos às partes envolvidas na guerra. Nessa semana, o conflito sírio entra em seu sétimo ano.

“Há seis anos, o povo da Síria tem sido vítima de um dos piores conflitos do nosso tempo”, disse Guterres.

“Em primeiro lugar, aproveitem ao máximo o cessar-fogo de 30 de dezembro de 2016 estabelecido pelos apoiadores dos encontros de Astana [no Cazaquistão], o amplie ainda mais e assegurem que todos os necessitados na Síria não tenham quaisquer obstáculos e impedimentos”, pediu o secretário-geral, por meio do comunicado.

“Em segundo lugar, todos os que têm influência nas partes no conflito devem esforçar-se para superar as diferenças e trabalhar juntos para pôr fim ao conflito, contribuindo sobretudo para o êxito das negociações lideradas pela Síria em Genebra com base no comunicado de Genebra e nas resoluções pertinentes do Conselho de Segurança, incluindo a resolução 2254 (2015)”, acrescentou o chefe da ONU.

“A paz na Síria é um imperativo moral e político tanto para o povo sírio como para o mundo – um imperativo que não pode esperar.”

Nos dias 15 e 16 de março de 2011, autoridades nacionais da Síria reprimiram manifestações em Damasco, desencadeando uma série de protestos contra o governo.

Desde então, cerca de 6,3 milhões de pessoas já foram deslocadas devido à guerra na Síria. Outras 4,9 milhões de pessoas – em sua maioria mulheres e crianças – foram forçadas a buscar abrigo em outros países, segundo a ONU.

País ‘reduzido a escombros’

O coordenador humanitário da ONU também alertou para as enormes perdas humanos, com a Síria sendo “reduzida a escombros”.

“O peso carregado pelos de civis é indescupável. Centenas de milhares de pessoas foram mortas. Quase 5 milhões de pessoas – a maioria mulheres e crianças – fugiram da violência grotesca e da privação e agora vivem como refugiados”, disse o subsecretário-geral das Nações Unidas para Assuntos Humanitários, Stephen O’Brien, em sua mensagem sobre a crise.

Ele acrescentou que muitos que partiram em perigosas jornadas para escapar da guerra morreram no caminho.

“Enquanto falo”, acrescentou O’Brien, “mais de 6 milhões de pessoas estão deslocadas dentro da Síria. Eles estão entre os 13,5 milhões de pessoas na Síria que estão em extrema necessidade de ajuda humanitária”.

Famílias e comunidades inteiras estão lutando para atender necessidades alimentares mais básicas. Enquanto a escassez de alimentos piora, uma fonte aparentemente interminável de bombas e conchas de artilharia continuam tirando vidas. Além disso, uma geração de crianças na Síria não conheceu nada além de conflito brutal e medo durante suas curtas vidas.

Metade dos estabelecimentos de saúde foram prejudicados ou destruídos

O acesso civil aos serviços de saúde também se deteriorou seriamente, com mais de metade dos hospitais públicos e centros de saúde primários fechados ou permanecendo apenas parcialmente funcionando, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS).

“As necessidades substanciais de saúde na Síria continuam a ser insatisfeitas e os recursos para apoiar a força de trabalho e o sistema de saúde estão no limite”, disse Peter Salama, diretor-executivo da OMS para o Programa de Emergências em Saúde.

Enquanto quase dois terços dos trabalhadores de saúde fugiram, em muitas das instalações médicas que permanecem abertas falta água limpa, eletricidade e suprimentos médicos e cirúrgicos.

Menino percorre os escombros de uma casa destruída em Qara, onde os conflitos irromperam em 2014. Foto: ACNUR/ Qusai Alazroni

Menino percorre os escombros de uma casa destruída em Qara, onde os conflitos irromperam em 2014. Foto: ACNUR/ Qusai Alazroni

“Neste triste aniversário do início da guerra na Síria – e antes que mais vidas se percam –, a OMS pede acesso sistemático e sem obstáculos a todas as áreas para entregar medicamentos, vacinas e suprimentos médicos que salvam vidas”, ressaltou Salama.

Apesar dos obstáculos, incluindo as ameaças à segurança, a OMS continuou a apoiar os serviços de saúde com medicamentos e suprimentos; por meio da formação de pessoal em saúde; e fornecendo assistência com equipes médicas e clínicas móveis.


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