Participação feminina em protestos reflete vontade por mudança, avalia especialista independente da ONU

Para Rashida Manjoo, ganhos conquistados por meio das transformações não poderão ser consolidados sem a participação plena das mulheres na vida pública e política.

A participação ativa de mulheres em protestos públicos vista em muitas partes do mundo recentemente reflete o forte desejo delas de promover mudança social, incluindo um anseio pelo Estado de Direito e por direitos humanos, avaliou nesta quinta-feira (8/12) a Especialista Independente das Nações Unidas sobre Violência contra Mulheres, Rashida Manjoo.

“Momentos de transição política oferecem oportunidade única de assegurar que mulheres participem igualmente na vida pública e que seus direitos nos sistemas jurídicos e sociais, incluindo a eliminação de todas as formas de discriminação e violência, sejam abordados”, disse.

“Mulheres estiveram junto com os homens nas ruas, na linha de frente da luta por um futuro melhor. Também apoiaram os manifestantes”, declarou Manjoo em pronunciamento que marca a campanha anual “16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra Mulheres”, realizada de 25 de novembro, Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra Mulheres, até 10 de dezembro, Dia dos Direitos Humanos.

Civis que participam de manifestações por mudanças geralmente sofrem diferentes tipos de violência, com mulheres pagando um preço alto porque transições políticas e econômicas muitas vezes exacerbam discriminação pré-existente, subordinação e violência baseada em gênero.

Mulheres sofrem abuso sexual, insultos e humilhações de natureza sexual, além de serem revistadas de maneira invasiva. Defensoras de direitos humanos, incluindo ativistas e jornalistas, e candidatas políticas têm sido particularmente visadas.

Manjoo pede que governos tomem medidas para evitar a propagação da violência. “Impunidade, juntamente com leis e práticas que discriminam as mulheres, só vão encorajar mais violência durante e depois destas fases de transição.”

Para a Especialista, os ganhos conquistados por meio das transformações não poderão ser consolidados sem a participação plena das mulheres na vida pública e política.