Partes no conflito sírio precisam negociar ‘sem pré-condições’, diz enviado da ONU

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As Nações Unidas devem realizar a próxima etapa de negociações entre as partes envolvidas no conflito sírio em Genebra, na Suíça, no fim de outubro ou início de novembro, disse o mediador da ONU ao Conselho de Segurança na quarta-feira (27).

“É hora de focar no retorno a Genebra e às negociações sob os auspícios das Nações Unidas”, disse o enviado especial da ONU para a Síria, Staffan de Mistura, pedindo que o governo e a oposição abordem a situação com realismo e responsabilidade e se preparem para participar das conversas “sem pré-condições”.

Meninos recolhem água imprópria para o consumo em Al-Tabqa. Em maio de 2017, a cidade estava sem eletricidade e os sistemas de bombeamento de água operavam em sua capacidade mínima. Foto: UNICEF/Souleiman

Meninos recolhem água imprópria para o consumo em Al-Tabqa. Em maio de 2017, a cidade estava sem eletricidade e os sistemas de bombeamento de água operavam em sua capacidade mínima. Foto: UNICEF/Souleiman

As Nações Unidas devem realizar a próxima etapa de negociações entre as partes envolvidas no conflito sírio em Genebra, na Suíça, no fim de outubro ou início de novembro, disse o mediador da ONU ao Conselho de Segurança na quarta-feira (27).

“É hora de focar no retorno a Genebra e às negociações sob os auspícios das Nações Unidas”, disse o enviado especial da ONU para a Síria, Staffan de Mistura, pedindo que o governo e a oposição abordem a situação com realismo e responsabilidade e se preparem para participar das conversas “sem pré-condições”.

Mistura disse que o governo sírio precisa demostrar interesse genuíno em negociar sobre um governo local e central confiável e inclusivo, sobre calendário e processos para a nova Constituição e sobre eleições supervisionadas pela ONU.

Por sua vez, a oposição precisa demonstrar prontidão e unidade, disse Mistura, pedindo que os grupos oposicionistas aproveitassem a oportunidade apresentada pela Arábia Saudita de realizar uma conferência para superar diferenças.

“Alerto ambos os lados e seus apoiadores contra ilusões de vitória ou de atalhos”, disse. “Não há substituto para um processo apoiado internacionalmente e baseado em uma abordagem abrangente e inclusiva que também ajude os sírios a redescobrir um pouco de confiança e coesão social após o (início do) pior conflito”.

Depois da rodada de negociações facilitadas pela ONU em julho, o enviado disse que a conferência terminou com progresso incremental, mas sem avanços. As negociações sírias focam em quatro eixos: um governo de transição confiável e não sectário; uma nova Constituição; eleições parlamentares em 18 meses; e uma guerra única contra o terrorismo na Síria.

O subsecretário-geral para assuntos humanitários da ONU, Mark Lowcock, disse ao Conselho de Segurança que “a Síria continua a enfrentar desafios profundos e difíceis, e o povo sírio permanece preso em um ciclo de violência que precisa ser quebrado”.

Após abrangente análise da ONU, Deir ez-Zor e seus 93,5 mil habitantes estão sendo removidos da lista de cidades sitiadas, disse, explicando que após três anos de isolamento pelo Estado Islâmico do Iraque e do Levante (ISIL/Da’esh), as forças do governo sírio obtiveram em setembro acesso a estradas, marcando o fim do custoso envio de ajuda aérea.

Atualmente, estimadas 420 mil pessoas permanecem sitiadas em dez localidades na Síria. Desse total, 95% estão sitiadas pelo governo, 2% por grupos armados não estatais e 3% tanto por grupos armados não estatais como estatais. “Esses cercos precisam acabar”, disse Lowcock, que também é coordenador de emergência da ONU.

Até setembro, 9 mil pessoas em três cidades sitiadas de Foah, Kefraya e Yarmouk foram alcançadas, e 25 mil pessoas foram alcançadas no Leste de Harasta, Misraba e Modira. No total, sob o plano de acesso de agosto e setembro, a ONU atingiu 280,5 mil do total de 1,23 milhão de pessoas que precisam de ajuda humanitária, acrescentou.

Engajamento da comunidade internacional

A atenção e o engajamento da comunidade internacional são vitais, em um momento em que o conflito sírio se move para o sétimo ano e o sofrimento de civis não dá sinais de arrefecer, disse o subsecretário-geral para assuntos humanitários durante reunião de alto nível sobre a Síria realizada paralelamente à Assembleia Geral da ONU na semana passada em Nova Iorque.

“A necessidade de ajuda humanitária permanece enorme, e a entrega de assistência por meio das rotas diretas permanece crítica”, declarou Lowcock, durante a reunião. Ele informou ainda que o acordo de cessar-fogo resultou em calmaria em algumas partes do país. Mas um aumento das operações no leste para combater o ISIL causou mais sofrimento e deslocamentos.

“De Raqqa, a Idleb e Deir ez-Zor, os civis continuam a enfrentar sérias preocupações de proteção, enquanto os confrontos e as restrições de acesso continuam. Somente este ano, mais de 1 milhão de pessoas foram internamente deslocadas”, disse, acrescentando que todas as partes no conflito precisam ser pressionadas a respeitar a lei humanitária internacional.


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