Partes em conflito no Iêmen se reunirão para discutir troca de prisioneiros, diz enviado da ONU

As partes em conflito no Iêmen devem se encontrar para novas discussões sobre um acordo de troca de prisioneiros, anunciou na segunda-feira (4) Martin Griffiths, enviado especial das Nações Unidas para o país devastado pela guerra.

Um acordo de troca de prisioneiros foi assinado na Suécia em dezembro e representa o primeiro desde início do conflito no Iêmen, há quase quatro anos — que provocou a pior crise humanitária do mundo.

Hospital de Al-Thawra, em Hodeida, no Iêmen, em foto de abril de 2017. Foto: OCHA/Giles Clarke

Hospital de Al-Thawra, em Hodeida, no Iêmen, em foto de abril de 2017. Foto: OCHA/Giles Clarke

As partes em conflito no Iêmen devem se encontrar para novas discussões sobre um acordo de troca de prisioneiros, anunciou na segunda-feira (4) o enviado especial das Nações Unidas para o país devastado pela guerra.

De acordo com um comunicado do escritório do enviado especial da ONU, Martin Griffiths, representantes do governo do Iêmen e da oposição houthi, Ansar Allah, irão participar de encontro em Amã, na Jordânia, nesta terça-feira (5).

Um acordo de troca de prisioneiros foi assinado na Suécia em dezembro e representa o primeiro desde início do conflito no Iêmen, há quase quatro anos — que provocou a pior crise humanitária do mundo.

O escritório do enviado especial da ONU descreve esta rodada de encontros como “técnica”, acrescentando que os participantes irão discutir medidas para finalizar a lista de prisioneiros que será divulgada “para avançar a implementação do acordo”.

Além da troca de prisioneiros, o Acordo de Estocolmo também contempla a criação de uma zona desmilitarizada e a formação de um comitê para discutir o futuro da cidade contestada de Taiz.

O acordo segue um encontro no domingo (3) entre a Missão da ONU de apoio ao Acordo de Hodeida (UNMHA) e beligerantes iemenitas da cidade portuária de Hodeida.

Um comunicado da missão destacou que o chefe da força-tarefa, o general holandês da reserva Patrick Cammaert, ressaltou a importância do acordo de cessar-fogo, que entrou em vigor em 18 de dezembro.

O general também alertou as partes sobre a fragilidade do cessar-fogo, e pediu para instruírem seus comandantes em solo a evitar “quaisquer violações que possam prejudicar o processo mais amplo de paz no Iêmen”.

No que descreveu como conversas “cordiais e construtivas”, tanto o governo do Iêmen quanto delegações houthi reiteraram “compromisso” de abrir a estrada de Hodeida a Sana’a para permitir acesso humanitário.

Progresso em direção a acordo político é ‘vital’

Enquanto isso, o Conselho de Segurança da ONU destacou a “importância vital” de progresso em direção a um acordo político para acabar com o conflito e “aliviar o sofrimento humanitário do povo iemenita”.

O Conselho elogiou o fato de o cessar-fogo de Hodeida permanecer em vigor, e elogiou o contínuo comprometimento político das partes em manter o Acordo de Estocolmo, mas expressou preocupação com supostas violações, condenando veementemente quaisquer ações que possam prejudicar o progresso alcançado.

“Intensificação militar e hostilidades podem prejudicar a confiança entre as partes e as perspectivas para a paz”, afirmou o Conselho.

Elogiando a libertação de prisioneiros de ambas as partes, o Conselho pediu a ambos os lados trabalharem “urgentemente” com o presidente do Comitê de Coordenação para Remobilização (RCC) e com a UNMHA para implementar “sem mais atrasos” o plano aceito para remobilizar mutualmente forças da cidade de Hodeida e dos portos de Hodeida, Salif e Ras Issa.

O Conselho também pediu para as partes, especialmente os houthis que controlam os portos, garantirem segurança de membros da UNMHA e movimento irrestrito de funcionários, equipamentos, provisões e suprimentos para o interior do país.

Progresso deve ser feito em direção a “um acordo político abrangente ao conflito”, com total participação de mulheres e jovens, destacaram os membros do Conselho.


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