Paraty e Ilha Grande se tornam patrimônio mundial da UNESCO por sua cultura e natureza

Com a decisão nesta sexta-feira (5) do Comitê do Patrimônio Mundial da UNESCO, Paraty e Ilha Grande se tornam o primeiro sítio misto — reconhecido por suas riquezas naturais e culturais — do patrimônio mundial localizado no Brasil.

Região engloba o Parque Nacional da Serra da Bocaina, o Parque Estadual da Ilha Grande, a Reserva Biológica Estadual da Praia do Sul, a Área de Proteção Ambiental de Cairuçu e o Centro Histórico de Paraty e Morro da Vila Velha.

Com a decisão nesta sexta-feira do Comitê do Patrimônio Mundial da UNESCO, Paraty se torna o primeiro sítio misto — reconhecido por suas riquezas naturais e culturais — do patrimônio mundial localizado no Brasil. Imagem: UNESCO/IPHAN/Oscar Liberal

Com a decisão nesta sexta-feira do Comitê do Patrimônio Mundial da UNESCO, Paraty se torna o primeiro sítio misto — reconhecido por suas riquezas naturais e culturais — do patrimônio mundial localizado no Brasil. Imagem: UNESCO/IPHAN/Oscar Liberal

O Comitê do Patrimônio Mundial da UNESCO decidiu nesta sexta-feira (5) incluir o sítio Paraty e Ilha Grande — Cultura e Biodiversidade na Lista do Patrimônio Mundial Misto, durante a sua 43ª sessão, que acontece em Baku, capital do Azerbaijão, até 10 de julho. O local passa a ser o 22º bem brasileiro a receber o título de Patrimônio Mundial, uma vez que o país já possui sete sítios naturais e 14 sítios culturais reconhecidos.

A área de abrangência do novo patrimônio brasileiro envolve porções territoriais de oito municípios dos estados de São Paulo e Rio de Janeiro, sendo que a maior parte da área núcleo está em Paraty e Angra dos Reis. A região engloba o Parque Nacional da Serra da Bocaina, o Parque Estadual da Ilha Grande, a Reserva Biológica Estadual da Praia do Sul, a Área de Proteção Ambiental de Cairuçu e o Centro Histórico de Paraty e Morro da Vila Velha.

O sítio apresenta valor universal excepcional por suas características naturais e culturais, assim como pela interação entre elas.

“A Representação da UNESCO no Brasil celebra a inscrição do novo sítio brasileiro na Lista do Patrimônio Mundial. Paraty já é integrante da Rede de Cidades Criativas da UNESCO na categoria gastronomia e, agora, mostra a riqueza da diversidade local se tornando patrimônio mundial misto, ou seja, tanto cultural quanto natural. Formada pelo intercâmbio das culturas indígena, africana e caiçara que se expressam nos bens culturais da cidade, Paraty engloba uma fusão de características próprias do patrimônio material e do imaterial. Ao mesmo tempo, a cidade apresenta exemplos de povos tradicionais que usam a terra e o mar de forma sustentável, demostrando a interação do homem com o meio ambiente. Ao se unir à Ilha Grande, o sítio torna-se ainda mais representativo com áreas de beleza natural excepcional”, comemora a diretora e representante da UNESCO no Brasil, Marlova Jovchelovitch Noleto.

A presidente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), Kátia Bogéa, complementa: “Nós, orgulhosamente, voltamos para casa com esse título na bagagem. Em Paraty e Ilha Grande, uma área com diversas reservas ecológicas, vemos de maneira excepcional e única uma conjunção de beleza natural, biodiversidade ímpar, manifestações culturais, um fabuloso conjunto histórico e importantes testemunhos arqueológicos para a compreensão da evolução da humanidade no planeta Terra”.

Critérios

Para se tornar um sítio do Patrimônio Mundial da Humanidade, o(s) país(es) que propõe(m) a candidatura deve(m) elaborar um documento que expresse características do local que atendam a um ou mais critérios estabelecidos no Guia Operacional para a Implementação da Convenção do Patrimônio Mundial. Além de votar a inclusão ou não de um sítio, o Comitê do Patrimônio Mundial vota também se o sítio se encaixa em cada um dos critérios propostos na candidatura.

Os critérios reconhecidos pelo Comitê que levaram à inserção do sítio Paraty e Ilha Grande — Cultura e Biodiversidade na Lista do Patrimônio Mundial foram:

Critério V — Ser um excelente exemplo de assentamento humano tradicional, uso da terra ou uso do mar que é representativo de uma cultura (ou culturas) ou interação humana com o meio ambiente, especialmente quando ele se torna vulnerável devido ao impacto de mudanças irreversíveis.

Segundo a candidatura, o quinto critério é observado fortemente no sítio, pois grupos humanos, em diferentes momentos históricos de Paraty, viveram ao lado da paisagem exuberante e exploraram os recursos naturais, terrestres e aquáticos, formando uma interação entre a cultura e a natureza. As comunidades tradicionais de Paraty baseiam suas atividades na utilização da terra e do mar, sendo a pesca artesanal uma atividade intensa, especialmente nas comunidades caiçara e em torno do centro histórico. Ainda nos dias de hoje, paralelamente aos processos de pesca com embarcações modernas e motorizadas, existem práticas e instrumentos tradicionais herdados das culturas indígena, africana e europeia, que são utilizados pelas comunidades tradicionais.

Critério X – Conter os habitats naturais importantes e significativos para a conservação in situ da diversidade biológica, incluindo aqueles que possuem espécies ameaçadas de valor universal do ponto de vista científico ou de conservação.

O sítio misto está localizado em um dos centros endêmicos da Mata Atlântica e representa uma das áreas de maior diversidade biológica para este local. A biodiversidade acentuada reconhecida nesta área deve-se a fatores históricos e evolutivos associados a fatores geográficos, que criaram uma diversidade única de paisagens com um conjunto de altas montanhas e forte variação altitudinal, onde seus ecossistemas ocupam áreas desde o nível do mar até cerca de 2 mil metros de altura. Esta seção da Mata Atlântica representa a maior riqueza de endemismo para plantas vasculares ao longo deste local e também apresenta 57% do total de aves endêmicas da região, o maior percentual encontrado entre as áreas mais importantes para a conservação de aves identificadas na Mata Atlântica.

Informações para a imprensa
UNESCO no Brasil

Ana Lúcia Guimarães, a.guimaraes@unesco.org, (61)2106-3536 ou (61)99966-3287
Fabiana Pullen, f.sousa@unesco.org, (61)2106-3596 ou (61)99848-8971