Paraolimpíada levanta outro debate sobre direitos humanos na Rússia

País tem 13 milhões de pessoas vivendo com algum tipo de deficiência, vítimas regulares de discriminação e preconceito. Isso corresponde ao dobro da população da cidade do Rio de Janeiro.

Deficiente visual Anatoliy Popko no metrô de Moscou. Imagem: TV ONU

Deficiente visual russo Anatoliy Popko. Imagem: TV ONU

Começa nesta sexta-feira (7) a Paraolimpíada de Sochi 2014. O balneário russo recebe milhares de para-atletas de todo o mundo, chamando a atenção para mais uma violação de direitos humanos no país.

A Rússia tem 13 milhões de habitantes que vivem com algum tipo de deficiência e eles enfrentam diariamente não só as barreiras físicas – como dificuldades de acesso a transportes e edifícios públicos – mas também a do preconceito. Isso corresponde ao dobro da população da cidade do Rio de Janeiro.

Anatoliy Popko, de 29 anos, faz parte desse grupo. Ele é cego desde criança, no entanto, decidiu desafiar as barreiras que lhe são impostas. Além de se aventurar no intimidante sistema de metrô de Moscou, conseguiu trabalho. “Se você andar pelo centro de Moscou, provavelmente não verá nenhuma pessoa deficiente durante horas. Ou não verá nenhuma mesmo”, relata.

Mas, há sinais de mudança: em 2008 a Rússia assinou a Convenção da ONU para os Direitos das Pessoas com Deficiência e Moscou declarou que vai ser uma cidade “sem barreiras” até 2020.

Durante os Jogos Olímpicos de Inverno, realizados no mês passado, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, se reuniu com representantes do Comitê Paraolímpico Internacional para destacar a importância dessa Convenção, que adotou o esporte como uma forma de criar sociedades que valorizam a diversidade e a inclusão.

Em sessão do Comitê Olímpico Internacional também realizada em Sochi, Ban já havia defendido os direitos de outro grupo discriminado na Rússia: a população LGBT. “As Olimpíadas mostram o poder do esporte de unir indivíduos, independente da sua idade, raça, religião, habilidade, sexo, orientação sexual ou identidade de gênero”, disse. “Todos nós devemos levantar nossas vozes contra ataques a gays, lésbicas, bissexuais ou pessoas trans”, salientou o secretário-geral, acrescentando que “o ódio de qualquer tipo não pode ocorrer no século 21”.